Nascido em Vera Cruz SP, em 28 de Maio de 1936, Roque de Rosa, completou em 2015, 62 anos de jornalismo no rádio brasileiro.

Apresentador âncora e fundador do Jornal Matutino R.I., no ar, de segunda a sábado pelo CCPR - Complexo Centro Paulista de Rádio,é o segundo jornal falado no ar mais antigo do rádio brasileiro, fundado em 1964, transmitido pela Rádio Ibitinga AM.

Idealizador de inúmeros quadros apresentados no rádio, desde 2002 é o contador de piadas e paródias do Programa Pio do Jurupoca (sábado - 8 da manhã pela Rádio Ternura 99,3) e desde 1994 é o "Homem do Tempo", narrando previsões diárias do tempo, segundo informações meteorológicas, para diversas rádios do país, destacando a CBN Campinas, Rede Globo, no qual trabalhou durante 23 anos (até 2013).

Dentre inúmeras conquistas na profissão, Roque de Rosa foi o primeiro jornalista oficialmente declarado no Estado de São Paulo, através da Lei 6.727, conforme consta na carteira do profissional, datado de 1980.

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Dentre sua jornada profissional, Roque de Rosa se destacou em inúmeros eventos, como por exemplo,  em 1994, na participação e oratória na Academia de Letras de Lisboa, em Portugal, quando discursou como representante do Brasil no Evento Internacional de Academias.

> Membro correspondente da Academia de Letras de Bauru (SP);

> Membro efetivo da cadeira 37 da Academia de Letras de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, como Grã Colar da Academia, sendo o patrono da cadeira citada, o escritor João Cabral de Melo Neto.

> É Comendador pela Academia Nacional de Comunicação e dentre as curiosidades históricas que são narradas na vida de Roque, na sua juventude foi boxeador, trabalhou em circo e dividiu o palco com celebridades do mundo artístico.

Pelos serviços prestados à comunidade, a exemplo da construção de igrejas da religião católica, na qual  foi sempre atuante, o jornalista é uma das poucas pessoas que recebeu três Unções Plenárias por serviços de relevância à comunidade, enviadas pelos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, todos atualmente SANTOS pela Igreja Católica Apostólica Romana.

Foi contemplado com Títulos de Cidadão das cidades de Ibitinga, Osvaldo Cruz, Tabatinga, Iacanga e Gavião Peixoto, região compreendida de sua intensa atuação no rádio.Com mais de 60 anos de rádio, Roque de Rosa fez e faz a história de Ibitinga e de toda região do Centro Oeste Paulista.

Além radialista e escritor, é autor de inúmeras canções, dentre elas, "Quando o Agosto Chegar". Acompanhe pelo youtube no link: http://www.youtube.com/watch?v=ABVlfD8--_M

SERVIÇOS SOCIAIS

Roque de Rosa sempre foi um cidadão à frente de seu tempo. Tanto é assim, que desenvolveu milhares campanhas sociais para construções, reformas, aquisições, em prol de entidades, pessoas e empresas.

Dentre um destaque de trabalho, as construções de igrejas católicas como a moderna igreja de Junqueirópolis-SP, intitulada Matriz de Santo Antonio, juntamente com o Padre Manuel Escalada (falecido), além da igreja de Santo Expedito, no bairro que leva o nome do pai Angelo de Rosa, em Ibitinga (SP) e da construção da igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Vila dos Bancários, ainda em Ibitinga, numa homenagem ao saudoso Padre Eutímio Ticianelli.

foto                                                                        Padre Manuel Escalada - Atuante religioso fez parceria com Roque para construir a sonhada igreja daquela cidade do interior paulista. A época, De Rosa era diretor da Rádio local.

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Construção da Matriz de Santo Antonio - Junqueirópolis-SP

 

fotoIgreja de Junqueirópolis-SP, intitulada Matriz de Santo Antonio

 

Conheça os livros e livretos do escritor :

"Porque Acreditar em Ibitinga"

Este livreto não tem outra intenção a não ser mostrar, de forma suscinta, o potencial de uma cidade: IBITINGA.

Com seus 100 anos de emancipação política, e 125 desde a sua fundação pelo pioneirismo dos Landins, a cidade de Ibitinga trilhou um caminho de incertezas até meados de 1960. Graças à falta de uma ferrovia de destaque, como a Araraquarense, a Paulista, a Mogiana ou a Sorocabana, a credibilidade no seu futuro oscilou muito ao longo do tempo. A chegada da Douradense nos idos de 1912, proporcionou um desenvolvimento muito especial. Ibitinga era tida, então, como uma das promissoras cidades do interior. Mas a Companhia Douradense de Estradas de Ferro, era inexpressiva, pelo pequeno trecho onde implantou sua ferrovia – entre São Carlos e Novo Horizonte – em conseqüência de sua implantação, no entanto, a Estrada de Ferro Araraquarense, de poderoso traçado, abandonou suas sérias intenções de passar por aqui.

Da década de 20 à década de 60, o crescimento de Ibitinga foi vagaroso. A cidade enfrentou, ao longo desse tempo, a concorrência de Eldorados, como a Alta Paulista, Alta Noroeste, Sorocabana e Norte do Paraná, que levavam daqui os grandes produtores agrícolas. Suas terras já estavam cansadas numa época em que a tecnologia na agricultura era coisa do futuro. Muitos as venderam aqui, por qualquer preço, em busca de grandes propriedades, nessas regiões novas, que acenavam com um futuro mais promissor.

Segundo os antigos moradores de Ibitinga, houve tamanho esvaziamento da cidade que, quem a deixava, tinha dificuldades para vender suas casas, e chegava a pagar para alguém ocupá-las para evitar possível depredação. Faltavam inquilinos, portanto.

A economia de Ibitinga, basicamente agrícola, viveu a experiência da AVICULTURA, e a cidade chegou a ser uma das maiores produtoras de OVOS do Brasil. Montou Cooperativas, e na paisagem rural do município, centenas de granjas produziam. A AGRICULTURA, por falta de uma infraestrutura melhor, e pelo próprio mercado, contribuiu para o fracasso também dessa atividade. Ibitinga perdeu, por volta de 1970, sua posição de “Maior concorrente de Bastos” – a maior produtora de aves e ovos.

Calcada em poucas pequenas indústrias, e um comércio simplesmente modelado para atender sua pequena população, Ibitinga continuou sua vida de típica cidade do interior, sem uma vocação definida.

Na década de 70, iniciava-se um movimento pró-industrialização da cidade. O problema foi encarado de frente, quando da tentativa de buscar grandes grupos que viessem se instalar com grandes indústrias. Tais tentativas, no entanto, se mostraram vãs, frustradas. De todas as investidas, somente a criação de uma lei de incentivos a quem viesse se estabelecer com grandes indústrias, frutificou: a implantação de um FRIGORÍFICO – hoje FRIGORIFICO MAITARÉ – foi resultado desta lei. Esta empresa, consolidada, gerou emprego para cerca de 200 pessoas, trazendo boas parcelas de ICM para o município.

 

"Ibitinga – Example of Export"

Este pequeno livro,  não tem outra intenção se não aquela de mostrar ao Brasil, que quando uma cidade procura meios de sobrevivência, e encontra um povo com vontade de vencer, tudo se consegue.

A Ibitinga de ontem, bucólica, e vivendo basicamente da agricultura, quase sem novos horizontes, como acontece em tantas pequenas urbes interioranas, descobriu de repente que existia um caminho novo. Por incrível que pareça, o que foi talvez um “hobby” para uma senhora portuguesa, se transformou de repente, num parque Industrial imenso, onde toda a cidade participa, garantindo o desenvolvimento impressionante de Ibitinga, e transformando-a na verdadeira Capital Nacional do Bordado.

 

"O Homem e o Rio (1975)"

Quando desumanas criaturas entregam cigarros acesos e lâminas cortantes aos  animaizinhos dos zoológicos para que se firam: quando chega ao nosso conhecimento que num país super desenvolvido metralham-se terneiros para que não caia o preço a carne bovina; quando ficamos sabendo que aqui mesmo, em nosso pais, afogam-se milhares e milhares de pintainhos para que não baixe o preõ das aves, vem a luz este livro que não tem a pretensão de se tornar Best-seller, mas que é de uma grandiosidade luminosa ao apontar com desconcertante singeleza, o crime que é também cometido no setor da pesca.

Matam-se peixes pelo simples prazer de matá-los, pois feras predadores somos nós, mas eis que surge um Roque de Rosa a bradar com vigor e a lutar com garra e colmilho, para que seja preservado o equilíbrio ecológico de nossa indiazinha Ibitinga.

Talvez seja ele um pequeno David mas, sua frágil funda, há de atirar seixos sobre a consciência dos que procuram empobrecer nosso país, roubando e poluindo o que mais belo e puro nos foi legado: A Natureza.

Que o ventre do Tietê não tenha a sua rica prenhez depredada, é o que nos diz o autor de “O Homem e o Rio” em linguagem simples mas, plena de sabedoria, ele que é o terno amante-defensor da preservação do meio ambiente.

[Meirita Caldeira]

"Cafundó – A Rota do Desespero" (1994)

Cafundó é a saga de  800 homens, que em 1769 penetraram no mais ignoto território do Estado de São Paulo, misterioso e virginal, naqueles idos, há mais de um século. É quando se transcorre a narrativa do livro. Homens aventureiros, desbravadores, idealistas, corajosos, e, talvez cubiçosos como os Marinheiros de Colombo que vieram descobrir a América de 1492. Ou como Neil Armistrong e seus cosmonautas que pisaram pela primeira vez o solo da Lua.

Singrando mares, flutuando no infinito ou desbravando matas inóspitas os desbravadores são sempre forjados da mesma amálgama de destemor e abnegação, por que disputam os caminhos com a morte sem qualquer certeza da glória prometida. A longa jornada de CAFUNDÓ principia com 800 almas viventes e só 20 conseguem vencer, ainda que estropiados, nessa rota de desespero.

Além da sucessão de histórias e fatos que o livro conta, CAFUNDÓ é, também um livro de personagens. Uma plêiade de figuras fortes e perenizadas na memória de quem entra em contato com elas, através da instigante leitura do livro. O agigantado sargento Juzarte é uma dessas  forjas inesquecíveis. Português de origem é o fiel escudeiro dessa aventura de quase dois anos de caminhada. Homem destemido esgrima com a morte dia a dia, ganhando algumas vezes e perdendo muitas, numa luta fera e crua. Sua esposa é uma dessas perdas irreparáveis. Tal como os companheiros que vão ficando em cada curva do caminho percorrido. Ao resgatar a história desses homens reais ou idealizados, Roque de Rosa há de se perguntar quais as motivações que os levaram a tamanha aventura. E a nós, leitores salvos das interpéries e confortáveis o exercício da leitura, nos ensina a lição de repensar nossa própria relação com a terra, este vasto de lágrimas, onde todos nós somos seres em extinção. Juzarte é apenas um dos personagens desse elenco de figuras magistrais que vão surgindo na narrativa e ficam pé na memória do leitor. Melhor do que falar dessa gente é seguir seus passos na memória do leitor.

Rosa e Rosa...não há, finalmente, como não estabelecer um furtivo enlace entre esses dois sobrenomes, da mesma natureza floral. Refiro-me a Roque de Rosa e Guimarães Rosa. Fosse pela atração da coincidência dos sobrenomes, fosse pelo prazer da leitura, esses dois Rosas se encontrara, de certo, pelos caminhos da vida. E desse encontro flui uma grande admiração. O consagrado Guimarães deixou marcas profundas nas emoções e no coração do Rosa mais jovem e novel autor literário. Sem que haja qualquer demérito nesta comparação, há um pouco de Veredas de Guimarães Rosa nesse CAFUNDÓ já vitorioso de Roque de Rosa...uma influencia da qual qualquer autor se orgulha.

"Rádio Perereca – Um pouco da história do rádio no interior" (1995)

Em Rádio Perereca – Um pouco da história do rádio no interior, Roque de Rosa busca as origens das pequenas rádios no interior, onde suas torres eram instaladas no meio do brejo, daí o nome Perereca.

 

 

 

 

 

"Contos que a vida conta" (1996)

 O ditado não popular que lembra: “o prazer de voar é infinitamente superior ao medo de avião”, deveria ser melhor compreendido e na medida do possível ser devidamente comprovado na prática. Mesmo que “voar” não dependesse virtualmente de uso de um aeroplano. A própria imaginação se encarrega de executar  magistrais acrobaciais pelo mundo mental, quando a memória se veste como piloto da aventura.

Contos que a Vida Conta é fruto de uma época em que o autor saboreou na íntegra a experiência da infância e pré-adolescencia, num universo onde a simplicidade, a inocência e a realidade ainda tinham tempo de brincar de ciranda, na roda onde sempre cabia mais um.

No mosaico multifacetado da meninice e juventude, o autor faz desfilar um caleidoscópio de fatos singulares, observados e provavelmente vividos por ele. Com a vivacidade e característica têmpera que imortalizaram em Nelson Rodrigues ou um Ernest Hemingway. Com uma diferença fundamental: o tempero das narrativas que seduzem a atenção do leitor, provocando uma espécie de regressão no tempo como se cada uma das cenas estivessem acontecendo no instante em que os olhos correm por sobre as palavras. A habilidade no trato com a verbalização de um acontecimento, igualam o autor desta obra a um David Cooperfield, que deixa maravilhadas platéias do mundo inteiro com suas mágicas inexplicáveis. As mãos que teceram o enredo multicolorido em Contos que a Vida Conta têm, entretanto, a seu crédito uma capacidade de prestidigitação que supera em muito as proezas do mágico, aquelas mãos fazem surgir de palavras simples, a construção de histórias (com “H”) e ocorrências que o tempo jamais apagará. Emersas da pródiga memória se agigantam no conteúdo misto de comicidade e dramaticidade com uma leve pincelada de humor saudável, arrebatando a atenção do leitor que se vê a cada página lida, transportado magicamente ao ambiente onde as cenas se desenrolaram.

Um toque sutil no manejo das palavras remete-nos no curso da leitura a uma experiência ímpar: vivenciar com o autor, as emoções retumbantes de uma época cuja memória merece ser rasgada. Por isso, “Contos...” é uma odisséia vivida ao nível de simbiose; ao mesmo tempo que lemos manifestamos a sensação de compartilhar com o autor todas as emoções experimentadas.

Como toda idade tem sua juventude própria, justifica-se plenamente o convite a esse passeio descontraído pelo mundo mágico que Roque de Rosa nos mostra em seus contos. Agora, o prazer maior é “pegar carona” na emoção e relaxar, bebendo em casa palavra os sorvos de satisfação em dos Contos que a Vida Conta.

Boa viagem a todos a esse paraíso tornado possível pela extrema sensibilidade de um mago da palavra, que recria através da memória uma imensa tela na qual se projetam as imagens de um mundo maravilhoso onde o que importa é toda emoção sobreviva!

(Luiz Carlos Hipólito)

 

"Pelos Confins do Brasil" (1996)

Roque de Rosa, incansável jornalista, radialista, homem de empresa, retorna à Natureza, que tanto ama e defende, nesta sua mais recente produção literária: Pelos Confins do Brasil.

Estreando nas lides literárias em 1975, com “O Homem e o Rio”, provavelmente o primeiro grito em defesa dos recursos naturais e pela preservação da flora e da fauna brasileiras. Roque de Rosa narra neste livro delicioso e empolgante suas andanças pelos locais mais fantásticas deste nosso País trazendo, de cada viagem, um mundo de experiências e conhecimentos novos que tem o prazer de passar para seus leitores.

Pelos Confins do Brasil é um livro de aventuras, realmente vividas por Roque de Rosa e seus inseparáveis amigos cinqüentões Rubens, Luiz, Sebastião,  Carlos Ferrari, Tokiô e outros, por esse Brasil afora, ora embrenhando-se por cavernas ainda inexploradas do Vale do Ribeira, ora acampando nos confins da Ilha do bananal, ora adormecendo sob o acalanto de uma suave cachoeira, ora estremecendo na madrugada com o esturrar da onça pintada rodando o acampamento.

Ler Pelos Confins do Brasil é embrenhar-se pelo Brasil e viver o que de mais belo temos em nosso país.

(Brás Hernandez Filho – Junqueirópolis/SP)

 

"Arco-Íris - O Temp o Colorido da Vida" (1998)

Cada vida tem seu Arco-Íris.

A vida tem arco-íris? Tem sim!

A vida tem suas fases coloridas e, com o avançar da idade, “descambando” ribanceira abaixo, é que vamos despertando para “aquela” fase colorida que passou e às vezes a gente nem sequer percebe.

Na busca de um título para este modesto trabalho, não foi fácil chegar ao ideal, mas, depois de muita procura, análises profundas do conteúdo desses contos, quase sempre com fundo pitoresco, descobri que tudo foi vivido num tempo em que a vida tinha um colorido especial.

Afinal, foram tempos de infância e mocidade, onde tudo era tão difícil e ao mesmo tempo tão bom; a gente era feliz e realmente não sabia. Uso aqui as palavras do poeta, sempre verdadeiras .

Um tempo sem mordomias, sem regalias, sem o conforto moderno de hoje, sem privilégios, mas que era uma fase de descobertas, de momentos novos, de uma busca da felicidade, que a gente encontrava nas coisas mais simples.

Bons tempos aqueles!

Era um tempo colorido sim!

A vida tem seu “arco-íris”; procure no seu passado e o encontrará.

 

"Mil Faces do Alvorecer" (1999)

“Que divina harmonia, a vida enflora

Que Olímpio fulgor está cantando!

Que luz! Que sons!Que esplendora aurora!

As “Mil Faces do Alvorecer”, de Roque de Rosa é uma literatura daquelas que agrada a todos os leitores que gostam de uma boa lição de viver, de uma boa recreatividade,  de uma boa e tranqüila paz, principalmente de vida saudável, daquela que reflete o amor, a felicidade que são os princípios primordiais e necessários para se viver a vida que tanto é o tema abordado por Roque de Rosa no seu mais recente e filosófico livro recreativo que também não deixa de ser uma ilustração poética alicerçado e enriquecido por envolventes poesias que fazem devanear. São estrofes que se perfilam em conotação com o amanhecer, com a mata e seus habitantes naturais, que são os pássaros, os bichos familiares e abundantes que viem na terra e sobre as árvores seculares, arvoredos que desafiam o céu da pátria com as raízes se alimentando da sarapieira que cai rente à terra e junto a coração do Brasil. Que se energizam dos raios do sol que iluminam sua oração do amanhecer com suas mil faces.

Ler Roque de Rosa é uma dádiva, uma preciosidade imbuída de inteligência que se desprende para o mundo do conhecimento e do valor, mostrando o quanto vale a vida para um homem que sabe viver, como é o caso do autor de “As Mil Faces do Alvorecer”. Como também o valor das aulas pedagógicas que só ele como autodidata sabe dar com mestria aos seus leitores e ainda aos que não tiveram a felicidade de aproveitar o ar que respiramos, a pulsação em nossas veias, as energias, as irradiações celestiais que nos foi dada por Deus, mas que pela cultura do ator se regozija exuberante e educativamente de forma nascentista.

No preceito familiar, matrimonialmente ao lado de D. Edna, sua musa inspiradora e dos seu entes queridos, o autor presenteia com esta obra os amantes de uma boa leitura, com mestria de sábio poeta, de autodidata que mostra as regras do saber viver para saber amar as coisas que foram dadas pelo criador da humanidade. É um livro inspirado na natureza que compõe o ecossistema cósmico universal, portanto, “As Mil Faces do Alvorecer” só poderia ser um livro iluminado, que também serve de alerta para que os seres videntes em saber, alegria, prazer, amor e humanismo.

Escrever a obra em apreciação foi uma experiência que Deus deu ao autor com sabedoria percepção, gosto pela vida e pelo que ele tem de bom depositado em seu coração.

O Sol é um tema suntuoso e científico que Roque de Rosa aborda com remoçante conhecimento, pois o Sol é a luz da nossa existência, tanto amada por ele e quem sem essa de energia como seia que esse escritor escreveria “As Mil Faces do Alvorecer”? Sob a negritude da noite?

Como é linda a vida, o viver, o amanhecer devaneador de Roque de Rose, assim por capítulo:

Neste deslumbramento ri e chora
A alma heróirca das selvas desdobrando
Policromicas asas...Mas canoras
As esmeraldas das árvores em bando...

Que sinfonia etérea! Canto o vento!
Toda Terra de amor, viça e floresce
De amor vibra e palpita o firmamento!
É o coração que esplende em alvorada
A alma do aedo colossal em prece
Jorrando amor na mata iluminada...”

Parabéns, Roque de Rosa que brinda nossos acervos culturais com mais uma belíssima obra.

(Anísio Antonio Moreira)

 

"Retalhos – Meus tempos de Ibitinga" (2000)

Em seu novo livro, “Retalhos – Meus Tempos em Ibitinga”, o senhor Roque de Rosa escreve de uma maneira livre a história presenciada por ele. Seus personagens são reais, conviveram e convivem com a gente, em nosso cotidiano. Alguns já deixaram saudades. No conjunto de seus personagens encontramos pessoas ilustres, comuns e tipos populares. Conta a formação de nossas vilas, um pouco da história do bordado e das Feiras, da CESP, das religiões, da agricultura, entre outros fatos. E, sobretudo, da nossa ecologia tão singular.

O autor descreve, em linguagem coloquial, a nossa história de 1964 a 200, de uma maneira descompromissada com dados científicos, teóricos, tecnocráticos, porém, com toda a responsabilidade de um jornalista e lança mão de um dos maiores recursos do jornalismo que é o de “ir a campo”, ou seja, estar presente onde a vida, a realidade acontece, onde os fatos são gerados.

Poucas são as pessoas que tiveram a felicidade de fazer um casamento tão perfeito quanto o senhor Roque de Rosa. Conseguiu, de forma ímpar, unir brilhantemente a sua personalidade inquieta, curiosa, observadora às exigências de sua profissão de Jornalista que requer as mesmas qualidades, as mesmas características.

Talvez, por ser um geminiano do final de maio, ou, na verdade, por demonstrar um espírito empreendedor, alcançou a interação ideal entre sua personalidade e sua profissão.

Estive algumas vezes conversando com o senhor Roque sobre seu novo livro, e ele mesmo o definiu como sendo um “Almanacão”.

Hoje, devo concordar. De fato é um “Almanacão”. Nele encontramos, em breves relatos, trinta e seis anos da nossa história, ou melhor, da verdadeira História de Ibitinga.

Assim como seu livro “ZYK-00 Rádio Perereca – Um pouco da História do Rádio no Interior” deve ser leitura obrigatória em todas as Faculdades de Comunicação do Brasil: “Retalhos – Meus Tempos em Ibitinga” deve ser apreciado por todos os ibitinguenses e por aqueles que desejam conhecer um pouuco mais a cidade Ternura, tão amada por este seu filho Jornalista.

“Retalhos –Meus Tempos em Ibitinga” torna-se ponto de referencia dentro da nossa História e, acredito, que em breve precisará ser revisto e ampliado, caso não seja lançado um segundo volume.

Na verdade, Roque de Rosa não é ibitinguense e nem tão pouco da cidade de Vera Cruz(SP), sua terra natal. Ele é um cidadão do mundo e pela sua versatilidade, um homem sem fronteiras.

(Helena Maria Botigelli)

 

"Mundo Velho Sem Porteira – Viagens e Vivencias” (2002)

Roque de Rosa, é Jornalista, empresário de radiofusão, radialista, prestes a completar 50 anos de carreira, trás em “Mundo Velho Sem Porteira”, relatos reais de inúmeras viagens realizadas pelo Brasil e pelo mundo, e deixa sempre bem presente, o quanto o Brasil é bonito e grandioso. Só quem realiza viagens como essas que aqui narradas, da valor real a tudo o que este país tem a oferecer, aos olhos do que procuram conhecê-lo. A partir do seu povo, sempre generoso e amigo, até as maravilhas escondidas por esses sertões, litorais, serras e pantanais, tudo ainda é muito cru e muito belo.

Por outro lado, uma grande parte deste livro mostra “Vivencias” baseadas em fatos reais, documentadas ai longo da carreira de Jornalista do autor, geralmente vivida no interior.

Sem pretensão de transformar este livro “mundo Velho Sem Porteira” num Best-seller, Roque apenas quer mostrar muito da realidade da vida sempre com alguma pitada de bom humor.

 

"A Matula do Andejo – Percorrendo o Mundo e Revolvendo a História” (2004)

Passaremos, a cada capítulo, por lugares incríveis.

Viajaremos, com a nossa imaginação, por cada rincão descrito, com riqueza de detalhes, por nosso condutor: o Jornalista Roque de Rosa.

Graças à perspicácia com que escreve/descreve cada cenário ou situação vivenciada, será possível, sem grande esforço neural, contemplar as paisagens e sentir o sabor de cada aventura exposta. O que dizer, então, da descrição dos atores sociais que habitam esses cenários? Certamente, vamos nos sentir ouvintes virtuais desses dedos de prosa pela forma com que o autor/condutor de nossa viagem literária dialoga com tais personagens.

Em “A Matula do Andejo”, encontraremos, de um lado, relatos de viagens por roteiros europeus já explorados pelo turismo mundial. De outro, deparemo-nos com os confins do Brasil, descritos por quem os visita sem preocupação com o tempo, o que permite uma observação mais atenta doa atrativos turísticos muitas vezes despercebidos pela maioria daqueles que percorrem as trilhas aqui apresentadas.

A descrição de alguns fatos que marcaram a história brasileira merece um comentário à parte. Roque de Rosa mergulha em dois momentos da história brasileira no século XIX: a sangrenta Guerra do Paraguai, ocorrida no Segundo Império, envolvendo o Brasil, a Argentina e o  Uruguai na destruição quase que completa do Paraguai; e a fratricida Guerra de Canudos, no alvorecer do período Republicano.

Como um historiador que busca nas fontes a verdade histórica, Roque de Rosa não se limita à historiografia oficial. Sua investigação vai além dos relatos do Visconde de Tuanay e dos escritos euclidianos. Através de suas viagens, o autor percorre os palcos da história; observa as marcas deixadas pelo desenrolar dos fatos históricos apresentados.

O resultado dessa investigação é, certamente, uma releitura da história na medida em que o leitor/passageiro tem em mãos a exposição dos fatos históricos e os cenários onde os mesmos ocorreram.

[Prof. Luiz Carlos Mapelli da Silva]

 

"A Vida Em Tempo Real" (2006)

Roque de Rosa é autor de inúmeras obras e oferece neste trabalho, três opções diferentes de leitura.

A primeira parte é mostra de agradecimento ao Criador, por tudo o que lhe proporcionou na luta pela vida.

A segunda é um rebuscar de fatos que foram transmitidos pelo rádio, ao longo de mais de 50 anos de profissçai, dentro do campo jornalístico. Fatos pitorescos, interessantes, às vezes lúgrubes, mas mostrando o outro lado da história de quem convive com a notícia no dia-a-dia de tantos anos.

A terceira parte é uma rápida demonstração da evolução dos tempos, que ganhou velocidade nos últimos 60 anos. Quem vive ou viveu esses anos é testemunha de uma evolução tão rápida, que se torna impossível acompanhá-la em todos os aspectos.

Roque não busca apenas a sua narração de leigo, mas busca especialistas nos diversos assuntos, a realidade dessa evolução em todos os campos.

“Nunca, em tempo algum da humanidade, o homem viu sequer 1% da evolução dos últimos 60 anos. Privilégio?

Talvez.”

"Trinta e tantas histórias – Do dramático ao pitoresco” (2007)

Com grata satisfação e encantamento, recebo o convite para prefaciar mais um livro de Roque de Rosa.

Impressionada fico com a delícia da leitura. Roque nos conta histórias de sua mocidade, de suas viagens pelo mundo, de Ibitinga, e tantas outras; algumas nos fazem chorar, outras assustam, mas muitas nos fazem rir, pois neste novo trabalho não há sequências de história, os assuntos se misturam, são contos que em poucas horas de leitura, você passa por diversos estágios emocionais, lágrimas, risos, alguns momentos de reflexão, e outros sentimentos que vão depender do intimo do leitor.

Neste livro, Roque relembra acontecimentos ocorridos em nossa cidade, citando nomes de pessoas que fizeram Ibitinga acontecer, no progresso de nossos bairros, na ajuda e educação dos mais necessitados, na religião, e tantos outros feitos. Nome de pessoas ilustres e fatos que estavam adormecidos em algum cantinho da nossa memória.

Roque de Rosa, livro como este será sempre bem vindo, pois no conjunto da obra, acredito na moral da história.

“Feliz do homem que tem boas histórias para contar, boas lembranças, tristes ou alegres, das quais devemos tirar o que há de bom, pois são esses momentos que edificam o caráter de um Homem”.

[Denise Majarão]

 "Brutos e Inocentes" (2008)

*Carta aberta ao cidadão osvaldocruense:
Roque de Rosa

Osvaldo Cruz, 16 d setembro de 2008.
Caro amigo Roque de Rosa.
Recebemos os livros que você nos destinou e, como somos amantes da boa leitura, não perdemos tempo, abrimos um dos exemplares em busca de suas mensagens, com todo carinho que merece o escritor que nos distinguiu com dedicatórias tão significativas.
Nesta carta aberta, vamos fazer algumas referências sobre: “A vida em tempo real” e “A matula do andejo”, deixando o comentário sobre “Mundo velho sem porteira” para uma outra oportunidade.
Em “Vida em tempo real”, você, Roque, através de episódios de sua vida: dificuldades, lutas, sucessos, mesmo derrotas, na carreira de radialista, em especial, com desempenho em várias localidades, com destaque para Osvaldo Cruz e Ibitinga, narrando fatos que emocionam pela sua peculiar forma de mostrá-los ou deles participando, nos faz sentir a sua inabalável fé em Deus. Você é um forte. Em seu dicionário, não existe a palavra desânimo.
Na segunda parte da referida obra, “A força do rádio”, enaltecemos, diante de seus textos emoldurados com clareza, frases bem construídas, bom português, o seu agir, fazendo uso do rádio em benefício das pessoas em diversas ocasiões, como vemos em: “A menina e o câncer na língua” e “A mulher desaparecida”, para ficarmos em dois exemplos.
Na terceira parte, busca opiniões de especialistas que dão a seu livro escopos finais sobre temas de interesse de muitos.
Na “Matula do andejo”, livro que procuramos ler sem pressa, apreciando cada página, viajando com você por vários países do velho mundo: Inglaterra, Áustria, Alemanha, Holanda, sempre apreciando o belo que nos mostra em textos bem redigidos, coloridos com sua criatividade incomparável de grande comunicador, clareza comparável à mais cristalina das águas.
Como brasileiro do mesmo jaez que lhe é peculiar, captamos como partes mais altas as narrativas que trazem aspectos do nosso Brasil.
Na seqüência de sua obra, vem o Jalapão, pitoresco deserto do nosso nordeste que, pela sua colorida redação, ficamos informados de coisas deste Brasil que, mesmo como professor de História, no passado, não conhecíamos com os pormenores que você nos mostra engenhosamente.
A seguir, temos o Pantanal, talvez o maior cartão-postal do mundo, beco... belo... e que, em seu percurso, em suas pescarias, nas aventuras suas e de seus companheiros, nos mostra tamanho atrativo que nos incute a vontade de arrumar as malas, tomarmos o carro e seguirmos para lá, enquanto os depredadores não destroem as belezas ali reinantes.
As suas interferências sobre a Retirada da Laguna, baseadas em suas observações in locum, onde ocorreram aqueles fatos heróicos vividos por brasileiros realmente patriotas e, na narrativa do Visconde de Taunay, nos fazem lembrar de nossas aulas de História que, se fossem hoje, teriam rico material ilustrativo.
O episódio – Retirada da Laguna – como você emoldurou em sua narrativa, é verdadeiramente comovente e mostra até onde o heroísmo humano pode chegar... Por fim, Roque, a epopéia de Canudos, imortalizada em estilo grandiloqüente por Euclides da Cunha.
A leitura desta última parte de seu livro nos transmite algo de especial. Primeiro, porque somos grande apreciadores de Os Sertões, em seguida, nascemos na Bahia – Guanambi – nosso filho e familiares residem em Vitória da Conquista, onde você passou o caminho de Canudos.
Por fim, ainda com referência a Canudos e Euclides da Cunha, nossa filha mais velha, Adriane, representou o Colégio “Benjamin Constant”, por duas vezes, na Semana Euclidiana, Em São José do Rio Pardo.
Seu livro, Roque, tem grande valor histórico e seu peculiar estilo narrativo muito claro, você é grande comunicador, facilita a compreensão e oferece, sem complicações, as oportunidades para chegar às mensagens que são ricas e desejáveis e em bom português.

Ao cidadão, Roque de Rosa, radialista, empresário, escritor, homem de fé,”doutor honoris causa”, o nosso abraço.

Osvaldinho de Castro

Publicado no Jornal de Osvaldo Cruz, 19 de setembro de 2008. Página 1.5

"E a Fila Anda..."(2010)

O que se busca, quando se lê um livro?

Talvez buscamos na leitura de bons livros e bons autores as certezas absolutas da vida que não encontramos facilmente no cotidiano. Talvez um bom livro traga de volta aquele alento de que somos falíveis e que, mais dia ou menos dia, teremos nossas incertezas todas exposta e resolvidas, com a ajuda de uma frase bem feita, de um conto bem escrito, ou de uma pagina finita.

Faça um livro, crie um filho e plante uma árvore. Nessa ordem, ou não, o ditado mostra três certezas da vida que todo homem que se preza deveria ter. Mas o que fica mesmo é talvez maior prova da incerteza que atormenta o grande escritor: estar à frente do papel em branco. Você pensa, pensa, mas a palavra não vem, não vem.

Há livros que mostram a possibilidade da feliz eternidade, dada pelas mais diletantes religiões como a certeza única. Um bom livro agnóstico, por sua vez, traz a certeza da vida única, biológica e infalível aos seus passos. De certo mesmo, de definitivo, é que bons livros e bons autores devem trazer tudo, menos certezas.

Assim, “E a fila anda...”, certamente nos conduz para caminhos históricos, reminiscências de um uma experiência rica e avassaladora, em apenas observar as coisas e escrever sobre elas, como um raro e costumaz espectador do mundo. Dessa forma, nosso mestre Roque de Rosa conduz seus contos-alegorias para o primeiro campo da incerteza do homem: a prática mordaz de que tudo, ao fim, foi feito, sem certeza nenhuma.

Agora, algumas certezas do livro. Sua visão humanista é explorada em “O Santo de Ibitinga, trazendo à luz um lado do menino-santo que só um olhar isento de certeza poderia explora. Pensamos, ao certo, que a vida deve ser melhor vivida logo ao fim da leitura de “A maldição do cigarro”, crônica-desabafo e leitura essencial para quem um dia teve a certeza de que poderia parar de fumar e, claro, nunca o fez.

De certo, a leitura da crônica “Um mundo sem juízo”, nos deixa a pergunta: viagem a lua, pra quê? O que foi gasto despendendo tecnologia, viagens e vidas humanas para se ter certeza de que estamos sós, valeu a pena? Indaga nosso incerto cronista, denudando nossa burrice atômica, em se discutir o homem na lua, e deixar de leado o homem faminto e natimorto da África, esse sim certamente bem mais extraterreste aos nossos olhos.

Quem tem certeza de que ao fim, fizemos a coisa certa? Certamente, ninguém. Mas ao final da leitura de “E a fila anda..”, temos a certeza de que tudo acontece como sempre. Nossas dúvidas e inseguranças, talvez nem fazem mais sentido ao universo. È tudo tão grande, harmônico e, por isso mesmo, incerto.

Ao fim da viagem-crônica de Roque de Rosa, fica mesmo a certeza, exposta na idéia do filósofo italiano Umberto Ecp, em seu livro Kant e o Ornitorrinco: “Tempos atrás era indeciso. Agora já não tenho mais certeza disso”.
[Flávio Catalano]  

 

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"...E PARECE QUE FOI ONTEM!"

No começo de 1942, meu pai e família chegavam à Califórnia. Morávamos em Vera Cruz, onde nasci, e meu pai trabalhava nos cafezais dos meus tios Carboni.Quando meus tios resolveram vender tudo em Vera Cruz e comprar terras novas em Califórnia, meu pai se juntou a eles e foi também. Meus pais sempre foram muito unidos aos meus tios. Imaginem a mudança. Um caminhão a gasogênio (pois era tempo de guerra e faltava combustível) trouxe-nos na frente. minha mãe e duas crianças: eu e o mano Bento. Meu pai foi de carroça. Imaginem, de Vera Cruz a Califórnia, cortando sertões, dormindo embaixo da carroça, com a mudança toda, cortando aquelas estradas perigosas, serras, ouvindo o esturro das onças até chegar na nova terra.”(trecho do livro “... e parece que foi ontem!” de Roque de Rosa).

 

foto"RETALHOS II" - (2002)

Confesso que recebi e aceitei o convite para prefaciar o novo livro do meu amigo Roque de Rosa.Antes de mais nada, tenho que historiar o meu convívio com este grande amigo que começou na cidade de Junqueirópolis.

Quando cheguei na referida cidade para estabelecer e iniciar a luta na profissão de cirurgião-dentista, encontrei com um jovem irrequieto e cheio de esperança, que também vinha para aquela cidade, assumir a rádio local, que estava à beira da falência, pois não vinha sendo muito bem gerenciada.

Chegamos juntos e dali nasceu uma forte amizade entre nós.Lutávamos pelas mesmas coisas; iniciávamos nossas vidas profissionais.

Volta e meia eu provocava Roque para vir para Ibitinga, pois tínhamos uma rádio com os mesmos problemas daquela, sendo Ibitinga uma cidade bem maior, melhor localizada e que certamente iria proporcionar a ele, Roque, um futuro melhor.

Ele sempre relutava diante dos meus convites, até que um dia ele teve uma desavença com a Direção da Coligadas, e chegando a mim perguntou-me se eu o traria até Ibitinga para conhecer e travar negociações com a Diretoria da Rádio local, que tinha na pessoa do Dr. Victor Maida, seu maior acionista.

Tomamos o Trem da Paulista e no dia seguinte estávamos em Ibitinga, onde falamos com o Dr. Victor Maida que de pronto se dispôs a arrendar a Rádio ao amigo Roque.

Assumindo uma Rádio em condições idênticas a de Junqueirópolis, com muita garra e uma dose de otimismo que só ele possui, iniciou a nova vida na cidade de Ibitinga.

Lutou muito e conseguiu o sucesso.

Depois de consolidado na rádio, passou a se interessar grandemente pela cidade em todos os pontos de vista.

Percebeu que "a Ibitinga secula" não tinha uma história definida e passou a se interessar por tudo o que a cidade tinha no seu passado, seu povo, sua gente, seus feitos e tudo o mais.

Elevou e levou o nome de Ibitinga para os quatro quadrantes do Brasil e até para o exterior, como membro da Academia de Letras do Mato Grosso do Sul, com sede em Campo Grande.

Escreveu diversos livros, sempre contando os fatos ligados a Ibitinga e seu povo.Elevou muito o nome e aumentou o conceito da cidade perante à nossa coletividade.

Agora, na sua ânsia de relutar a tudo o que lhe chega ao conhecimento, escreveu mais um livro para relatar fatos e fixar personalidades que fizeram a história de Ibitinga e o seu conceito de cidade hospitaleira, muito bem localizada em ponto estratégico do nosso Estado e pronta para um futuro muito promissor.

Ele relata com muita eficácia, tudo o que se tem de conhecimento sobre Ibitinga, com uma dose de muito amor e reconhecimento pela Terra que muito bem o acolheu.

Tudo o que se trata de Ibitinga ele propaga com muito entusiasmo e muita euforia, coisa que nos orgulha muito.

Roque de Rosa é para Ibitinga aquilo que ela mais precisava, pois a sua permanência, veio dar novo alento a tudo o que diz respeito à vida da cidade e de seu povo.

Nós ibitinguenses, agradecemos este filho adotivo com muito orgulho, pois somos sabedores de que grande parte de seu progresso deve ao seu otimismo.

É um contador de causos conforme ele mesmo se intitula, mas que nos faz relembrar alguma coisa do nosso passado, não muito distante.

ARY ROSA CASEMIRO

foto"...E PARECE QUE FOI ONTEM! 2"

Estou lendo mais um livro do amigo sincero Roque de Rosa. Ele, com o seu jeito de escrever com dois dedos na velha máquina, até hoje não aderiu e nem vai aderir  à internet. com a sua memória extraordinária nos traz belas recordações da Cidade Princesa da Alta Paulista, Osvaldo Cruz.

O homem é um lutador, exemplo digno de que a pobreza não é sinônimo de marginalidade, como dizem muitos por aí. É certo que o pai, Ângelo de Rosa, citado muitas vezes pelo Roque, era "linha dura" e filho como ele era para obedecer, nem que fosse embaixo de cinta! Quanta coisa boa ele nos traz de volta. Velhos personagens, hoje esquecidos, voltam num flashback. Ele completou o seu vigésimo livro e assunto não falta! O seu primeiro livro: "O Homem e o Rio" é hoje disputado pelos colecionadores como obra rara. Em Osvaldo Cruz, como ele mesmo conta, a condução, a princípio, foi a boa e velha bicicleta e as reportagens foram sucedendo-se, assim como os seus livros. O Roque é o mesmo: simples, caboclo, repórter 24 horas por dia, e ainda conhecedor de várias partes do mundo através de suas viagens. Os filhos são empresários em Ibitinga, há um médico,  mas quando começa a falar, ele se calam e escutam o velho, sempre atual. Lança, agora, o seu vigésimo livro: "...e parece que foi ontem! 2", que fará o mesmo sucesso dos anteriores, tenho certeza disso.

Admiro o Roque de Rosa por tudo que representou e representa para Osvaldo Cruz e Ibitinga. Não se sabe o que é melhor nele: o repórter, o escritor, o bom chefe de família, o amigo sincero, o compositor, o radialista, o jornalista, o humorista, o empresário, o vendedor. tudo nele é grande. Como diz o bom baiano, no popular,"merece uma estátua!".

Professor Sebastião Dassi - Tupã SP

NOVO LIVRO - Em 2015 ROQUE DE ROSA concluiu a narrativa do livro "IBITINGA - RISCOS DA HISTÓRIA".

Em decorrência de um problema de saúde, o profissional lendário de Ibitinga suspendeu o lançamento da obra, que deve em breve ser oficializado no meio literário.

 

Conheça mais histórias sobre Roque de Rosa - Fotos, Momentos, Verdades

Inauguração do Museu de Ibitinga

Maria José Marotti - Alfio Galli - Gilmar Galli - Escritora Meirita Caldeira, o radialista Roque de Rosa e o Prefeito Doutor Victor Maida

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Solenidade de entrega de Título de Cidadão Ibitinguense a Roque de Rosa, na Câmara Municipal de Ibitinga. Placa é entregue pelo vereador Windson Pinheiro

 

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Roque de Rosa é homenageado em Gavião Peixoto, em sessão solene realizada pela Câmara Municipal do município.

matéria publicada em 28/09/2011

O jornalista, radialista, escritor, compositor e empresário Roque de Rosa, diretor do Complexo Centro Paulista de Rádio de Ibitinga, foi homenageado na noite desta terça-feira,27, em sessão solene na sede da Câmara Municipal de Gavião Peixoto, às 20 horas.

O convite feito ao Senhor Roque, veio através dos serviços prestados e pela nobre participação que teve na emancipação política do município, evento histórico narrado entre 1993 e 1994, chamada de "Campanha do SIM", elevando o distrito que pertencia à Araraquara, a município "Gavião Peixoto", em 27 de dezembro de 1995.

Roque de Rosa recebe Título de Cidadão do município de Gavião Peixoto (SP).

A HISTÓRIA

Para entender melhor o episódio ocorrido nos anos 90, Gavião Peixoto, enquanto distrito da cidade de Araraquara, externava a possibilidade de emancipação politíco-administrativa. No entanto, por forças políticas, diga-se provenientes de governo e empresas locais de Araraquara, que mostravam nenhum interesse na perda do distrito, foi determinado, por decisão do governo federal, optar na realização de um plebiscito na qual decidiria em definitivo o destino de Gavião Peixoto.

A mídia de Araraquara, principalmente rádio local, incentivavam a população na votação contra a emancipação, enquanto Roque de Rosa, através dos microfones do CCPR, através de carros de som que circulavam com a gravação feita pelo jornalista, incentivava a população a favorecer e elevar o distrito a município.

Na "briga", com uma expectativa de 70% contra e 30% favorável à emancipação, a atuação e a conscientização do jornalista fez valer e mudar totalmente o destino e o resultado do plebiscito.

"Foi um trabalho árduo e com muito entusiasmo fizemos valer a democracia, através do incentivo à população e a política local, em poucos dias, mais precisamente em 03 dias, mudamos a história de Gavião Peixoto", diz o jornalista.

Roque de Rosa é uma das figuras de expressão regional mais conhecida e reconhecida na esfera publicitária e jornalística. Âncora do Jornal Matutino Ri, programa jornalístico que vai ao ar pelo CCPR há 48 anos, o jornalista, de 75 anos, é escritor com 16 livros publicados e 04 livretos, bem como compositor de 37 músicas gravadas.

Nascido em Vera Cruz - SP, dentre sua jornada profissional, destaque para sua participação e oratória na Academia de Letras de Lisboa, em Portugal, membro correspondente da Academia de Letras de Bauru - SP, membro efetivo da cadeira 37 da Academia de Letras de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, como Grã Colar da Academia, sendo o patrono da cadeira citada, o escritor João Cabral de Melo Neto.

É Comendador pela Academia Nacional de Comunicação.

Dentre as curiosidades históricas que são narradas na vida de Roque, o mesmo na sua juventude foi boxeador, trabalhou em circo e dividiu o palco com celebridades do mundo artístico.

Pelos serviços prestados à comunidade, a exemplo da construção de igrejas da religião católica, na qual é atuante, o jornalista é uma das poucas pessoas que recebeu 03 Unções Plenárias por serviços de relevância à comunidade, enviadas pelos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II.

Com mais de 50 anos de rádio, Roque de Rosa fez e faz a história de Ibitinga e da região, obteve títulos de cidadão das cidades de Ibitinga, Osvaldo Cruz, Tabatinga e Iacanga.

Durante a solenidade, vários vereadores explanaram e parabenizaram Roque de Rosa, dentre eles, o Presidente da Casa de Leis de Gavião, Senhor Gregório Gulla Júnior e o vereador Cláudio Fontana Barbosa da Silva.

O ofício de número 73/2011 foi entregue no final do evento, na qual parabeniza e externa agradecimentos ao Senhor Roque, que muito feliz e satisfeito, falou da admiração e alegria pelo progresso da cidade de Gavião Peixoto.

 

Lions Clube reempossa Roque de Rosa 

10/08/2014

Sócio fundador reintegra família leonina e é recebido pelo Governador do Distrito LC-3

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Na noite de terça-feira, dia 05 de agosto de 2014, realizou-se em Ibitinga, no salão de Festas do Devair, uma solenidade de posse do professor Sérgio Ronerto Deri e reemposse do jornalista Roque de Rosa, bem como a visita do Governador do Distrito LC-3, CL Elia Youssef Nader e CAL Lecy Fátima Sutto Nader, do Lions Clube Piracicaba Campestre.

O presidente do Lions Clube de Ibitinga Centenário, CL Dirceu Orestes Campregher e CAL Andreza Cristina Lorusso, realizaram de forma calorosa o evento, que contou com inúmeros associados do clube, além de autoridades regionais, como o governador imediato do distrito LC-3 Eduardo Jacob e CAL Liliane Martinelli Jacob, do Lions Clube de Ibitinga Centenário, 1º vice-governador do distrito LC-3 CL Elias da Silva Paiva e CAL Deonice Paiva, do Lions Clube de São Manuel, CL Antonio J. Figueira, do Lions Clube de Botucatu centro, presidente de região 7 do distrito LC-3, CL José Torres Filho, Presidente do Lions Clube de Bariri, CL Renilson Giraldelli e CAL Juliana Giraldelli, presidente do Lions Clube de Itápolis, CL Marcelo Henrique Costa e CAL Renata Cristina Furlan Costa.

LIONS CLUBE – 40 ANOS

Fundado em 1974, o Lions Clube de Ibitinga Centenário já realizou inúmeros trabalhos e atividades sociais.

Na noite daquela terça-feira, foi realizada uma homenagem aos pais pela data alusiva, e dentre os sócios mais experientes, a presença do CL Antonio de Souza Mergulhão, 87 anos, que juntamente com Roque de Rosa, iniciaram a história de sucesso do clube.

“Para mim é motivo de orgulho e alegria reintegrar o clube que fundamos, trabalhamos e conquistamos grandes feitos para a comunidade” – comenta Roque de Rosa, no momento da posse, junto de sua CL Edna S. de Rosa.

Já o professor Sérgio Deri afirmou que um de seus sonhos era fazer parte do clube, sendo concretizado nesta data, frente a admiração que possui pelo Lions Clube.

1º PRESIDENTE E UM DOS FUNDADORES

Roque de Rosa foi reempossado como sócio honorário e sócio fundador, além de condecorações recebidas do Governador do LC-3.

De Rosa atuou como o primeiro presidente do clube, em 1974, com mandato de 18 meses.

Já o professor Sérgio Deri afirmou que um de seus sonhos era fazer parte do clube, sendo concretizado

No encerramento da noite, um delicioso jantar foi servido, assinado por Osvaldo Festas.

 

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MEMORÁVEL: Figuras mais lembradas de Ibitinga naquele tempo...

Foto de 1976. Em pé da esquerda para direita: Matero, Roque de Rosa, Dr. Abdala e Padre Eutímio Ticianeli.Agachados: Dito Beronha, Zezé Tabatinga e Rufão

 

IBITINGA E A "FEIRINHA DE SÁBADO"

fotoFOTO DA FEIRINHA DE IBITINGA, REALIZADA TODOS OS SÁBADOS NO CENTRO DE IBITINGA - Roque de Rosa foi um dos precursores do comércio local, colaborando, através dos microfones do CCPR - Complexo Centro Paulista de Rádio, pela denominação e título de "Ibitinga - Capital Nacional do Bordado"

 

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BODAS DE OURO - Matéria

ANIVERSÁRIO DE 50 ANOS DO JORNAL FALADO, FUNDADO POR ROQUE DE ROSA, O "GRANDE MATUTINO RI"

No domingo, dia 01 de setembro de 2013, o  jornal falado "Grande Matutino Ri" completou 50 anos de existência.

E para comemorar e reconhecer esta importante história do segundo jornal falado no rádio mais antigo do Brasil, a equipe do CCPR – Complexo Centro Paulista de Rádio realizou na segunda-feira, dia 02, uma edição especial do jornal, que narrou fatos e recebeu a saudação de diversas personalidades que de alguma forma, direta ou indiretamente, fazem parte desta história.Acompanhe na íntegra a narrativa:

“A história do jornalista e empresário Roque de Rosa e a história do Grande Matutino RI são uníssonas. Não há como falar do Matutino sem falar de Roque de Rosa e vice versa. Roque de Rosa fundou este jornal em 1953 na cidade de Osvaldo Cruz, há 60 anos, como repórter, apresentador e redator. Jornal que até hoje está no ar e é o mais antigo do Rádio Brasileiro.

Mas o Matutino não ficou só em Osvaldo Cruz. O jornal acompanhou Roque de Rosa ao longo de sua jornada de vida. Seu talento como jornalista começou cedo. Aos 16 anos e repetindo aos 23 anos,
De Rosa foi considerado o melhor locutor jornalístico do país.

Naquela época a Rede Tupi de Rádio de Televisão era como a Rede Globo é hoje. Dominava a mídia de rádio e TV.

Em 1959 a Rádio Tupi fez um concurso para escolher um apresentador de seu principal jornal falado e entre os 113 locutores que participaram desta seleção, os 3 melhores locutores foram escolhidos para a final.E adivinha quem foi escolhido? ROQUE DE ROSA. Escolhido  para ocupar o cargo de apresentador do jornal mais ouvido do Rádio Brasileiro, numa época em que rádio tinha muito mais audiência que a TV, que começava a engatinhar no Brasil. Mas interiorano que sempre foi, caipira como sempre se chamou, não se acostumou na cidade grande. Pediu a conta para voltar para o interior.

Com propostas de importantes redes de emissoras de todo o país, De Rosa escolheu Ibitinga para continuar sua carreira tão promissora.

A convite do Deputado Victor Maida, chegou aqui em 1964, para  levantar a falida Rádio Ibitinga.

Na época, opositores do Deputado Victor Maida, o chamaram de forasteiro, bandoleiro, fracassado, pau mandado. Chegou a ser  jurado de morte, foi desafiado, mas Roque de Rosa, não baixou a cabeça, encarou os problemas,  os opositores e mostrou que veio para ficar, ganhando em pouco tempo o respeito e o crédito de toda a população.

A partir daí, resgatou a audiência da Rádio Ibitinga colocando no ar uma nova programação, tendo sempre o jornalismo como  o carro chefe  com o  Grande Matutino e a Rotativa no Ar, levando a informação na íntegra aos ouvintes de toda a cidade. Naquela época o Tatá (Antônio Carlos Pedrosa) já estava aqui. Aliás, quando o Roque chegou a Ibitinga o Tatá já trabalhava na Rádio Ibitinga.

Foi a partir daí...A partir da voz da Rádio Ibitinga, das atitudes progressistas do jornalista Roque de Rosa, das campanhas mirabolantes visando o crescimento e o desenvolvimento de Ibitinga que a cidade começou a sair do marasmo e iniciou sua fase de  desenvolvimento.

Lembra Roque da primeira campanha que o senhor colocou no ar? Aquela de mudar a cor das casas de Ibitinga. As casas que na época, na sua maioria, eram todas de cor amarela, talvez para confundir com o pó das muitas ruas de terra. A rádio Ibitinga lançou a campanha para a população mudar as cores das residências e em pouco tempo a cidade estava toda colorida.

Logo depois veio a briga para acabar com o telefone à manivela. Para surpresa, a Câmara Municipal reprovou o projeto. A Rádio brigou, o Roque esbravejou no Grande Matutino Ri e o projeto voltou à Câmara novamente e desta vez aprovado por unanimidade. Ibitinga foi então a primeira da região a ter o telefone como é hoje, com algarismos e atualmente o sistema digitalizado.

Depois veio a Campanha das Mil Construções, visando alavancar Ibitinga para o crescimento e o desenvolvimento. Em pouco tempo a cidade estava cheia de novos loteamentos.

Foi dos microfones destas emissoras que também foi construída a Praça Jorge Tibiriça. A campanha da criação do Primeiro Distrito Industrial, da Preservação do Pantaninho (hoje denominado Pantanal Paulista), da implantação da Primeira Faculdade de Ibitinga, da NÃO construção de uma Penitenciária na cidade, e a mais importante de todas: Foram destes microfones e da voz de Roque de Rosa que nasceu o título de IBITINGA: CAPITAL NACIONAL DO BORDADO que hoje é conhecida mundialmente. Foi daqui que depois de muita luta, até mesmo contra os próprios fabricantes de bordado que na época tinham medo da fiscalização que surgiu e aconteceu a 1ª FEIRA DO BORDADO DE IBITINGA, alavancando definitivamente a nossa maior fonte de renda.

Sempre ao lado do companheiro Antônio Carlos Pedrosa, juntos desde o início, lado a lado, vivendo e convivendo cada situação, protagonizando e narrando a história da nossa cidade, muitas campanhas, lutas, conquistas e porque não, até derrotas foram assistidas e “ouvidas” nos microfones destas emissoras. Afinal, entramos no ano 50, são 50 anos de jornal falado, 50 anos de história, 50 anos de acontecimentos, 50 anos de progresso, 50 anos levando informação a cada casa, a cada rádio de carro, a cada indústria, a cada loja de Ibitinga e de toda a região.

É aqui que a região se encontra. É aqui que os comerciantes de toda a região anunciam. É aqui que os prefeitos se reúnem para falar de suas conquistas. É aqui que o povo de toda a região se manifesta. Quantos políticos, deputados, senadores, governadores e até presidentes já usaram da força destes microfones para enviar suas mensagens à população. Quantas pessoas comuns já fizeram aqui seu manifesto, levando seus problemas às autoridades. Quantos problemas sociais, municipais e até regionais este jornal já resolveu em beneficio da comunidade...Tudo isso é um trabalho de Roque de Rosa e Antonio Carlos Pedrosa ao longo destas décadas à frente do jornalismo.

Roque, Tatá... Vocês juntos chegaram aos 50 anos. Isso é mais que uma vida. Isso é mais que um casamento. Passaram tanto tempo juntos quanto o seu Roque passou ao lado da Dona Edna e o Tatá ao lado da sua esposa, Maria de Lourdes. Tanto é assim, que o Grande Matutino RI é o segundo jornal falado mais antigo do rádio brasileiro. O primeiro está em Osvaldo Cruz, criado justamente pelo jornalista Roque de Rosa.

Mais difícil do que os 50 anos ininterruptamente é manter a credibilidade e a audiência por décadas numa época onde tudo muda de minuto a minuto. É fácil dimensionar a grandeza deste sucesso de 50 anos. Basta olhar para trás e ver o que ainda faz sucesso nos últimos 50 anos. Talvez a Coca-Cola, a Calça Jeans, os Rolling Stones e o Matutino. Num Mundo onde o computador de hoje é diferente do de amanhã. Onde o carro de hoje não é o mesmo do próximo ano. Onde o celular de agora vai ser diferente no final da tarde, manter um jornal durante 50 anos com sucesso, é para poucos. Quantos nasceram, cresceram e chegaram adultos ouvindo este jornal.

E para demonstrar todo o carinho, a credibilidade e a importância do Grande Matutino RI e dos jornalistas Roque de Rosa e  Antônio Carlos Pedrosa, é que fomos buscar o depoimento sincero, feito de coração, de algumas pessoas ilustres que representam de alguma forma nossa sociedade, nossos ouvintes e a relevante importância deste jornal e de seus apresentadores.

1) Quem inicia e fez questão de prestar sua homenagem ao Grande Matutino é um colega de trabalho que ficou famoso no Brasil inteiro. Foi âncora do Jornal Nacional e hoje é o Editor Chefe da ede Bandeirantes e Âncora do Jornal da Band. O jornalista Carlos Nascimento.

 2)Amigos de Ibitinga também fizeram questão de participar. Tem um que é fã especial. Um fã que realiza cirurgias estéticas (sua habilidade genuína) ouvindo as notícias do Matutino. Médico renomado em todo país. O cirurgião plástico Dr. Jerônimo Martines Sgarbi. Fala Doutor.

 3)Outra pessoa notória da nossa sociedade. Amiga e sempre presente, chegou a se emocionar em seu depoimento. Uma pessoa que o senhor Roque de Rosa admira muito. No ar a palavra do Dr. José Luiz Aranas, ou José Aranaes como é mais conhecido

4)Quem deixou uma linda homenagem ao Grande Matutino RI e aos jornalistas Roque e Tatá é o ilustre prefeito de Ibitinga, Doutor Florisvaldo Fiorentino, que há mais de 30 anos da sua vitoriosa carreira política sempre se fez presente neste jornal, pois sabe da amizade sincera e do profissionalismo dos jornalistas. Fala prefeito.

5)A nossa produção foi buscar lá em São Paulo, um amigo-irmão do jornalista Roque de Rosa. Cresceram juntos e juntos começaram em Rádio. Até palhaços de circo já foram. Cada um seguiu o seu caminho, mas a amizade ficou cada vez maior. A palavra de Roldão Gomes, o compadre e amigo de infância do jornalista Roque de Rosa.

6)E as homenagens não param por aí não.A nossa produção foi buscar está pessoa querida em Ibitinga, porque além de ser cliente da Rádio Ibitinga há 50 anos consecutivos, sem parar um dia sequer a propaganda de seu estabelecimento, ele tem o carinho de pai pelo jornalista Roque de Rosa. Ouçam a mensagem de um dos maiores empreendedores de Ibitinga, Presidente da Associação Comercial de Ibitinga, Maurício Machalani.

7)Tatá e Roque. Quem vai falar agora é um dos políticos mais importantes do Brasil. Por incrível que pareça, por mais de um ano ele fez parte da equipe do Matutino RI, defendendo o direito do consumidor. Nunca se esqueceu da família de Rosa e nem do CCPR. Sempre presente e amigo, Celso Russomano deixa também a sua mensagem.

9)Outra autoridade que fez questão de estar presente nesta homenagem foi o médico renomado e hoje Presidente da Câmara Municipal de Ibitinga, eleito com o maior número de votos da história do município e que vem realizando um grande trabalho a frente de legislativo: Doutor Marcel Pinto da Costa.

10)Nós que conhecemos bem os dois apresentadores deste jornal, sabemos da fé em Deus e em Jesus Cristo em suas vidas. Quem é prova testemunhal desta fé e dos trabalhos e campanhas realizadas em prol das Igrejas de Ibitinga dentro deste jornal ao longo dos 50 anos é Pároco da Matriz do Senhor Bom Jesus, Lourival de Moraes.

 11)A mensagem agora vem de um colega de trabalho que conhece bem o profissionalismo e o talento de Roque de Rosa. Mas não é simplesmente mais um colega. Quem chega para falar é dos mais respeitados jornalistas da TV Brasileira. Ele começou sua carreira na Rede Cultura, trabalhou na CBN e hoje é chefe do jornalismo da Record News. Prestando sua homenagem: Heródoto Barbeiro (que falou ao vivo no jornal).

12)Quantas celebridades na passarela da homenagem dos 50 anos do Matutino RI não é mesmo ouvinte querido e Roque e Tatá? Isto só vem comemorar a importância deste jornal no meio da radiodifusão brasileira. E as celebridades não param por aí. Sabe quem fala agora? Ele que já foi considerado o melhor locutor do Rádio Brasileiro. Seu programa na Rádio Globo era o de maior ibope no Rádio Brasileiro. Tanto sucesso assim, tirou o leão do Rádio e levou para a TV. Hoje é sucesso na Rede TV. Para homenagear o Matutino RI e os jornalistas Roque de Rosa e Antonio Carlos Pedrosa, GILBERTO BARROS (que falou ao vivo no jornal).

13)Quem também fez questão de estar presente nesta festa dos 50 anos do Matutino RI é um cidadão ibitinguense, que preza pela justiça e pela amizade. Amigo de longa data, personalidade de imagem respeitosa e um profundo observador, quem vos falam como uma singela saudação é o Doutor, Excelentíssimo Juiz de Direito da Comarca de Ibitinga, Roberto Raineri Simão.

14)Os amigos de perto, os amigos de longe, são tantas pessoas que gostaríamos que participassem dessa especial homenagem, afinal, 50 anos não é para qualquer jornal. É para um jornal sério, ético, de credibilidade e confiança do ouvinte, tornando a vida de cada cidadão que o acompanha, uma história que se mistura com as histórias do Matutino. E prá falar de jornalismo, um grupo que entende muito e também nos é exemplo, onde o “Homem do tempo” Roque de Rosa, falou há milhões de pessoas na região metropolitana de Campinas, através da CBN, das organizações Pedroso, durante 23 anos de sucesso e credibilidade.A saudação da rádio Globo e CNB Campinas a Roque de Rosa.

15)Sem nunca esquecer dos velhos amigos, é preciso lembrar também dos velhos clientes. Amigo e cliente, Durval Di Pascoli tem uma mensagem para os jornalistas e ouvintes do Grande Matutino RI. Afinal, Cacique Durval sabe bem o que um contador de histórias representa na sua vida.

16)Do mais alto escalão do rádio brasileiro, preocupado sempre em melhorias para nossos meios de comunicação, o amigo Oscar Piconês, representando da AESP – Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo

17)Um ícone da arte, da ousadia e da fiel amizade. Esse é Duilio Galli, que não deixaria de saudar os nobres jornalistas, onde afirma que aprendeu a ser repórter com o Roque de Rosa.

18)Representando a família De Rosa, falando em nome de seus irmãos, mãe, filhos, noras e netos, o radialista e filho do Roque, Roosevelt de Rosa.

19)Embora também seja um homenageado do dia, a saudação singela e amiga de 50 anos de trabalho juntos, lado a lado, dividindo todas as conquistas, as alegrias e até as tristezas. A mensagem de Antonio Carlos Pedrosa, o Tatá.

 20)Ele é amigo de longa data. Ele presenciou e acompanhou o Roque de Rosa ainda moleque, ainda menino, e hoje, realiza uma linda narrativa de muito orgulho e muito carinho pela amizade e pela história. Na voz do repórter Marcos Rivera a saudação de Idoraldo Gonçales, da cidade de Tupã.

21) Ele que é amigo de todas as horas, principalmente aquelas horas que faz a gente mais feliz, faz o ouvinte rir e agradecer a Deus pela alegria e pela beleza de suas composições. Integrante fiel do Pio do Jurupoca, um dos mais antigos colaboradores do CCPR, a mensagem do amigo Zé da Cunha.

22)Outra parceria e companheira de sucesso do rádio brasileiro, saúda Roque de Rosa pela colaboração e profissionalismo. A Rádio Saudades de Matão traz sua mensagem.

23)E tem mais colega de trabalho Roque e Tatá.é, fomos lá prá São Paulo, na capital paulista, buscar gente importante, gente famosa, Gente da nossa terra. Profissional que se apaixonou pela profissão ouvindo o Matutino quando criança e hoje é um dos mais respeitados jornalistas do País. A mensagem e a homenagem de Carlos Tramontina da Rede Globo de Televisão.

24) Representado o setor agrícola de Ibitinga e região, através da presidência do Sindicato Rural de Ibitinga e Tabatinga, falou ao vivo pelo Grande Matutino Ri, o profissional Frauzo Ruiz Sanchez.

Esses foram algumas das centenas de amigos, ouvintes, empresas e parceiros que participaram e saudaram a passagem dos 50 anos do jornal falado Grande Matutino Ri.

Acompanhe as fotos, o áudio na íntegra da edição especial, editado por Altair Cunha e postado por Maison Alves, e também as filmagens feitas por Duilio Galli:

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Antonio Carlos Pedrosa, Roque de Rosa, Daniela Branco de Rosa - momento de homenagens

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Antonio Carlos Pedrosa, Roque de Rosa e ao fundo, Duilio Galli.

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O jornalista Robson de Rosa homenageia o pai e companheiro de profissão, pelos 50 anos do jornal Matutino R.I.

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Placa de Dedicatória

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Padaria Moderna, cliente das emissoras do CCPR há mais de 50 anos, participa da homenagem com um delicioso bolo de presente aos colaboradores.

JUVENTUDE

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(Foto: Paulo Fotos, Roque de Rosa (centro), Zézinho e Niquinho (dupla sertaneja - em pé) e Roldão Gomes (à esquerda) e Ero Ruiz (à direita).O grupo realizava shows  de humor e música,no início da década de 50.

A vida tem suas fases coloridas e, com o avançar da idade, “descambando” ribanceira abaixo, é que vamos despertando para “aquela” fase colorida que passou e às vezes a gente nem sequer percebe.

Na busca de um título para este modesto trabalho, não foi fácil chegar ao ideal, mas, depois de muita procura, análises profundas do conteúdo desses contos, quase sempre com fundo pitoresco, descobri que tudo foi vivido num tempo em que a vida tinha um colorido especial.

HISTÓRIAS DE IBITINGA - Histórias do Roque

VILA DOS BANCÁRIOS: POR QUE VILA DO KIKO?

Na década de 50, a primeira piscina foi construída em Ibitinga. Walfrido Robert, o Kiko, a construiu em sua bela chácara, na antiga saída para Itápolis. Posteriormente a vendeu para os Bancários, que tinham grande status na época. O “Grupo dos Bancários” fizeram do local um ambiente rico em água e belezas naturais: o CBI, Clube dos Bancários de Ibitinga.

Como o número de bancários não era grande, o clube tinha pouca movimentação. Em 1977, foi lançada uma campanha de venda de mil títulos, o que transformou o clube em entidade popular de grande movimentação. Porém, o assunto não é o CBI, mas como a Vila dos Bancários surgiu e por que se chama popularmente “Vila do Kiko”.

O interesse do Kiko era, na verdade, criar uma vila para os bancários em frente ao clube, concentrando essa elite de Ibitinga nas margens da Água Quente. O lançamento do loteamento foi um fracasso. Ninguém de classe se interessou e populares de baixa economia foram adquirindo lotes e fazendo suas casinhas. Nascia, então, o Bairro Cidade dos Bancários, mas nada de bancários no local. O bairro cresceu desordenadamente, sem infraestrutura, e as leis começaram a apertar o dono do investimento. Kiko, um dos maiores empreendedores da cidade, sentiu a pancada. Era o furo n’água, e deixou que as vendas continuassem.

O bairro cresceu e muito lentamente recebeu a infraestrutura que precisava, mesmo porque não estava legalizado oficialmente. Isso impedia os prefeitos de estruturarem o local. Assim, se transferiu todo o terreno para a Associação Religiosa Católica, que legalizou o bairro lentamente, com o apoio das autoridades. Só na década de 80 foram chegando escolas, rede de luz e, mais tarde, a água e o esgoto. O “Cidade dos Bancários” só existe oficialmente. Seu apelido, “Vila do Kiko”, é o nome que ninguém mais conseguiu tirar.

Atualmente, com a Igreja do Perpétuo Socorro construída na Vila, no mesmo local onde o Padre Eutímio faleceu tragicamente num acidente, a Vila do Kiko ganhou melhor aspecto e mudou sua cara. Tornou-se um bairro mais respeitado, com a Polícia atuando mais no local e combatendo a criminalidade. Mas se você perguntar a algum morador onde fica a sua casa, ele responderá “Vila do Kiko”.

Kiko Faleceu há alguns anos e hoje é parte importante na história de Ibitinga. Vamos falar muito dele ainda!

Matutino Express: Edição 140 - 25/01/2014

 

ONDE PASSAVA O TREM DE IBITINGA?

A série “Histórias de Ibitinga” agrada o leitor. Atualmente, a maioria da população veio de fora ou as gerações já são outras. É preciso continuar com os “porquês” de Ibitinga. Devagar vamos abordando temas sobre o passado da nossa Estância turística.

A Douradense parou em 1970, depois que o asfalto da Avenida Victor Maida ficou pronto. Entrando pelo sul da cidade, procedente de Tabatinga, acompanhando os baixios da região, quando chegava o trem em Ibitinga, entrava ali, pelo final da Avenida Setimio Montanari, para lá do Córrego Taquara do Reino, após sua junção com o São Joaquim. Acompanhava à direita do São Joaquim, entrava lá pelos lados da Vila Maria, cortava a Avenida Anchieta e chegava à estação, que embora não preservada, ainda encontra-se no local.

Os armazéns da cooperativa, já fora de operação, serviam de depósitos. Ibitinga era a única cidade do trecho Dourados-Novo Horizonte que daria lucro real, segundo carta do presidente Doutor Caio Martins Pereira de Souza, a mim endereçada, quando lutávamos pela manutenção da estrada em Ibitinga. Deixando a estação, o trem continuava pela hoje Avenida Ferroviária, cortava a cidade pelo leste, acompanhava o Bairro Capim Fino, atravessando o trevo na altura do CBI, e continuava margeando Ibitinga pelo norte, acompanhando o Córrego Água Quente, a entrada  do pomar do Senhor Albino de Baptista.

Onde é hoje o Parque Industrial, dali tomava rumo a Borborema, via Cambaratiba, onde os Rios dos Porcos e São Lourenço se juntam. Numa só ponte, a passagem foi resolvida. Até hoje está por lá perdida na antiga propriedade da família Fernandes. A “Maria Fumaça” foi utilizada até 1968, quando restou apenas o trecho Dourados-Ibitinga. Em 1970, foi retirada de vez. Fim da Douradense. As máquinas a diesel substituíram as máquinas “Maria Fumaça”.

Saudades do velho trenzinho que movimentava muito a velha Ibitinga dos bons tempos!

Matutino Express: Edição 141 - 01/02/2014

 

CHÁCARA DO JOSIAS

Quando se segue pela Rua 13 de Maio, após a Avenida Perimetral, há à esquerda um pequeno bairro, chamado Chácara do Josias. Na verdade, outros loteamentos devem ter incorporado aquele pequeno setor. Mas, voltando ao tempo, vamos para a origem daquele logradouro. Havia em Ibitinga um cidadão chamado Josias, que tinha um bar na esquina da Prudente com a Daniel de Freitas: Bar do Josias.

Vasto bigode preto esboçava sempre um sorriso e vivia bem com sua esposa. Josias era do candomblé e tinha um pequeno terreiro na sua casa, na pequena chácara onde surgiu o bairro. Lá fazia suas sessões, recebia muitas visitas e no centro da sala grande, havia uma bacia com o “preto velho” sentado dentro. Quando recebia alguém, nunca cobrava nada, mas mandava deixar qualquer coisa lá, para o preto velho e sua bacia. “Deixa qualquer coisa lá para o preto velho. É ele quem resolve aqui, não sou eu, não”. Era o sotaque bem nordestino do Josias. A cidade não cogitava crescer por aqueles lados, que só tinha mesmo a passagem da Rua 13 de Maio, sem asfalto e sem nada.

Quando alguém queria adquirir um terreninho, comprava do Josias, e ali surgia uma casinhola. E outras, mais outras e a área foi totalmente habitada naquele declive onde estava a chácara, dando fundo para as nascentes do Córrego Saltinho. Josias era exótico. Aproveitou uma promoção na funerária do Zé do Caixão (José Rodrigues) e comprou dois caixões de defunto: um para ele e outro para a mulher. As urnas ficavam expostas na sala e todo mundo tinha certo receio.

No cemitério, Josias ajeitou o túmulo dele e da esposa. O tempo passou e ambos faleceram. Logicamente ocupam aquele espaço no campo santo. Josias era assim exótico no seu proceder e de convivência fácil com todo mundo. Por isso também, era uma pessoa que detinha prestígio entre os ibitinguenses. Ele foi embora, mas seu nome continua no bairro que ele fundou: a “Chácara do Josias”.

Matutino Express - Edição 142 - 08/02/2014

 

UMA PAINEIRA NA ROTA DA PERIMETRAL

Como se sabe, a Avenida Engenheiro Ivanil Francischini, a Perimetral, foi construída por etapas. Em uma das últimas, a segunda pista entre o trevo do CBI e o entroncamento da Vila Maria, esperou-se a construção da segunda ponte para depois concluir-se o asfalto. Na curva depois da ponte, no sentido CBI e Vila Maria, há uma frondosa e antiga paineira, que fica bem no leito do traçado. E agora? A Prefeitura estudou, consultou, virou-se e mexeu-se para encontrar uma solução.

Como abrir aquele trecho que se deparava com a gigantesca paineira? Além da lei ambiental, que dificilmente autorizaria o corte, somando o fato de Ibitinga ser uma estância e, mais agravante ainda, município considerado área de preservação ambiental, o problema se ampliava. Isso sem contar o próprio bom senso da administração, que jamais desejaria retirar aquela belíssima maravilha da paisagem leste da cidade. Ainda bem que o bom senso prevaleceu. Ao abrir a segunda pista, esta foi afastada, deixando a paineira livre, continuando a mostrar sua extraordinária florada em todo mês de abril. Enfim, salva!

Isso numa terra em que nem todos respeitam a natureza. Cortam árvores a torto e a direito, usam veneno para matar imensos jatobazeiros... vide Avenida Izidoro Dal’acqua, em frente à Praça Roque Raineri. O esqueleto do jatobazeiro continua lá. De vez em quando, cai um galho seco, que o tempo se encarrega de derrubar. Aquela árvore não teve a sorte da paineira da zona leste, que obrigou as autoridades a mudarem o traçado de uma das mais belas avenidas do Brasil e, espera-se, por muito tempo seja ainda alvo dos fotógrafos no mês de abril.

Matutino Express - Edição 143 - 15/02/2014

 

ONDE FICAVA O CANAL DA VAMICANGA?

Acredito que 95% da população de hoje não conheceu o ponto mais importante do Rio Tietê em nosso município, o Canal do Vamicanga.

O represamento da barragem de usina hidrelétrica encobriu tudo em 1968, desaparecendo o canal e as duas ilhas que existiam a montante dele. Era um lugar belíssimo, de paisagem incrível, quando o Rio Tietê corria normalmente em seu leito. As duas pequenas ilhas eram pouco habitadas, mas seu mais famoso morador foi o Tião Zabé, que só saiu dali quando a CESP, empresa proprietária da usina na época, o avisou de que tudo seria inundado e lhe construiu uma casinhola ao lado de baixo da usina. Ele morreu pouco tempo depois.

Tião Zabé era uma figura única, já historiada em outros trabalhos meus. O Canal do Vamicanga era um dos pontos mais perigosos da navegação dos Bandeirantes, segundo o historiador Tunay, nas suas viagens pelos sertões. Quando o rio tinha leito normal, havia um baixo de águas mansas e se navegava por ele. Quando o rio baixava suas águas, só restava o furioso canal, juntando em alguns metros de largura toda a água do rio que por ali passava, de forma violenta e perigosa, pela profundidade e pelas pedras a mais de 250 metros. Ali muitos perderam suas vidas. Era o ponto de pesca preferido do Tietê, onde moravam os gigantescos peixes, como jaús, pintados e dourados, além de muitos que abusavam e se aproximavam demais do canal, sendo tragados por ele.

Mas onde ficava esse local histórico de Ibitinga, citados nos livros dos historiadores do Sertão, como um local lindo e perigoso ao mesmo tempo? O Vamicanga, que na verdade teria o nome original de Guaimicanga, significa “ossos de índia velha”, se transformou em Vamicanga e assim ficou até o dia do seu desaparecimento, localizado a oito quilômetros da cidade, na região da Fazenda Santa Maria, acima da usina, três quilômetros aproximadamente.

Estreito, Ponte da Laranja Azeda, curva do Malaquias, Beca do Ribeirão Claro, Vamicanga, onde fica a usina, eram os pontos mais visitados do velho Anhembi (nome original do Tietê). Vinham pescadores de todos os quadrantes do Estado, em busca do rio aqui na região, pois a fama era de que o “melhor trecho de pesca” do famoso Rio Tietê era em Ibitinga. Vivi alguns anos usufruindo de tudo que oferecia o rio correndo normalmente. Testemunhei a enchente da represa e garanto: muita coisa mudou desde 1968.

Matutino Express - Edição 144 - 22/02/2014

 

COMO ERA O MEU BAIRRO?

Ibitinga tem hoje uma enorme quantidade de bairros, distribuídos de norte a sul e de leste a oeste. Crescendo por todos os lados, o município tem um formato arredondado, contando com vilas, bairros e jardins, que têm sua própria história para ser contada, o que gera a curiosidade de seus moradores. Buscando dar a cada um a noção exata, vamos devagarinho contar aos leitores como era seu bairro antes dele se tornar cidade.

Deixamos de lado a parte central e antiga onde está “a verdadeira Ibitinga”, nascida pelas margens do São Joaquim, onde era a pitoresca e extinta Estação Ferroviária, tendo como Centro Comercial a parte baixa do município. A partir daí, daremos início às explicações. Somente em 1960 surgiram os bairros que se integraram de forma definitiva à cidade. Vejamos, por exemplo, como era a Vila Maria? A gente conta:

A Vila Maria, na verdade, conglomera vários bairros: Nosso Teto I e Nosso Teto II, além de 60 casas. O nome “Maria” é uma homenagem à mãe do idealizador do local na época, o então prefeito Doutor Licínio Hilmar de Oliveira Arantes. Aquele espaço era um belíssimo cafezal da Família Salles, que avançava desde às margens do Rio São Joaquim em direção ao Capim Fino. Quando o governo do Dr. Licínio Arantes trouxe o primeiro bloco de casas populares para Ibitinga, a Avenida Perimetral já estava aberta e a Prefeitura adquiriu uma área próxima para construir o Núcleo. A EMURB, Empresa Municipal de Urbanismo, foi a idealizadora do Nosso Teto I, Nosso Teto II e num terreno próximo ao Paineiras I - que ainda não existia - surgiria o último bloco, com mais 60 casas. Entregues as residências, o próprio povo aglomerou as três denominações, intitulando assim a “VILA MARIA”, que hoje conta com mais de 1200 casas.

Depois disso, a empresa imobiliária Resegue, de Bariri, lançou o Jardim Paineiras I, que puxou a Vila Maria em direção à cidade, deixando a parte abaixo da perimetral para lançar mais tarde o Paineiras II, hoje totalmente habitado. Tais locais eram chácaras com cafezais e outros produtos comuns da agricultura da época, além de uma grande horta de propriedade do Seu Antônio e Família, que abastecia a cidade com verduras e legumes.

Só muito mais tarde surgiria o Jardim Pacola, de iniciativa da Família Pacola, e também ocupava o seu espaço no cafezal da família, que foi urbanizado e vendido. O Jardim Pacola veio de encontro ao Bela Vista e ao Rancho Alegre, que já existiam e caminhavam muito lentamente.

Na próxima edição, contaremos mais histórias dos demais bairros na zona leste de Ibitinga. Afinal de contas, é bom que todos conheçam as verdadeiras raízes dos bairros onde moram, antes desse espaço de chão se integrar à urbanização de Ibitinga. Nossa próxima história será a do bairro Rancho Alegre. Nos encontramos aqui, com as Histórias de Ibitinga do Matutino Express!

Matutino Express - Edição 145 - 01/03/2014

 

COMO ERA O SEU BAIRRO?

Estamos procurando recordar como eram os locais onde se situam os bairros de Ibitinga. Agradeço desde já pela reação positiva dos leitores, que receberam essa seção como algo precioso. Na edição anterior, abordamos como eram os locais onde nasceram a Vila Maria, Paineiras I, II e Jardim Pacola. Ainda na zona leste, daremos atenção a dois bairros que nasceram antes das vilas já citadas, ou seja, já existiam quando Vila Maria, Paineiras I, II e Jardim Pacola surgiram.

Bela Vista: esse bairro é o mais antigo e nasceu com a iniciativa do saudoso Sr. Rogério Franceschini. Ele era da tradicional família Franceschini e morava na única casa que restou de sua antiga chácara. Era obeso e utilizava uma pequena charrete sem capota para circular na cidade quando tinha necessidade. Levado muito pelo tradicionalismo, Rogério era amigo de todos e quem o visitava não saía sem cafezinho preparado na hora, com direito a um bate-papo sem pressa.

Resolveu lotear a vila. Ele mesmo foi vendendo os terrenos e a vila cresceu vagarosamente. No início, raros tratavam o bairro como Bela Vista. Era chamada de “Vila do Rogério” e ainda hoje tem gente que dá essa denominação à simpática vila, interligada pela Rua João Silvestre Custódio, cuja artéria principal é a Rua Esperança. Por que esse nome? Eu não sei.

Rancho Alegre: outro bairro que nasceu no limiar do ano 64 foi o Rancho Alegre. Ali era um sítio de pastaria e criação de gado. Só existia um casarão típico de fazenda com aquela grande área dando visão para a pequena Ibitinga, lá embaixo. Coube ao saudoso Alaor Pinheiro Machado, funcionário do Banco do Brasil, adquirir a área e lançar o loteamento. Pela visão que se tinha daquele local, ele não titubeou. Batizou-o de “Parque Rancho Alegre”. As vendas não foram tão fáceis. Interessante é que tanto o Bela Vista como o Rancho Alegre nasceram juntos com a “Campanha das Mil Construções”, lançada pela Rádio Ibitinga quando assumimos a sua direção em 1964, visando dar um novo ímpeto na cidade, entusiasmando a população. Tivemos o apoio da Prefeitura, das casas de materiais de construção, engenheiros e arquitetos que, unidos com a emissora, participaram da promoção e efetivação do projeto.

O Parque Rancho Alegre foi ganhando novas construções. Lembremos do Evaristo, primeiro a acreditar no novo bairro. Foi ali fora morar e estabeleceu um bar. Curioso saber que o Parque Rancho Alegre foi o primeiro patrocinador do Jornal falado “Grande Matutuno R.I”, que este ano comemora 50 anos ininterruptamente no ar, carro-chefe na programação do Complexo Centro Paulista de Rádio (CCPR).

Tendo as avenidas Presidente Kennedy e Nações Unidas como ruas de maior destaque, o bairro divisa com a Perimetral Leste e hoje já está formado. Aos fundos, ainda existe a chácara da família Silvestre Custódio, que tinha tradição na criação de aves, nos bons tempos em que o município era o segundo maior produtor de ovos do Estado, só perdendo para Bastos.

O Parque Rancho Alegre nasceu de uma pastaria típica da zona rural e se tornou um local com uma população muito grande. Entre os destaques, está a igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério do Belém, logo na esquina com a Avenida Perimetral, na Zona Leste. O que era um bairro afastado hoje está cercado pela cidade e pelo Jardim Três Irmãos, Núcleo São Benedito e outros bairros que nasceram mais tarde.

Até a próxima edição!

Matutino Express - Edição 146 - 08/03/2014

 

A HISTÓRIA DOS BAIRROS LOCALIZADOS NA ZONA LESTE DA CIDADE

Os leitores do Matutino Express manifestaram apoio e se mostraram favoráveis às publicações que visam explorar a história dos bairros de Ibitinga. Afinal, quem não gosta de saber como surgiu seu bairro ou como ele era antes?

Estamos na Zona Leste. Já falamos da Vila Maria, Paineiras I, Rancho Alegre, Bela Vista Sul e Pacola. Vale lembrar que o Paineiras II, ‘irmão’ do Paineiras I, só foi lançado mais tarde e num declive muito forte, o que contribuiu para a implantação de poucos comércios no local. Os proprietários não fizeram galerias e as erosões eram enormes. Mas com a implantação das galerias na gestão passada, o Jardim Paineiras II é hoje um excelente bairro e quase sem lotes vazios.

Sobre os bairros vizinhos Rancho Alegre e Três Irmãos, ambos foram lançados por iniciativa da Família Burihan, que loteou acima da Perimetral, deixando a parte que fica abaixo para implantar a sede da chácara, incólume até hoje, embora o Sr. Miguel Burihan tenha falecido algum tempo depois. O Jardim Três Irmãos ficou encravado entre o Rancho Alegre, Vila Romana e Vila Simões, cujas origens vamos contando. A Vila Simões é antiga, nasceu na década de 70, da iniciativa da Família Simões, liderada pelo saudoso Pedro Simões. De maneira simples, foi sendo vendida às famílias que adquiriram seus lotes e foram construindo devagar. Não tinha asfalto. Por isso, era injustamente apelidada de “Pé Vermelho”. Até alguns anos atrás, tinha fama de ser bairro violento. Isso atrapalhou um pouco seu crescimento, mas com a implantação de mercados e escolas, esse estereótipo mudou. Uma delas leva o nome da saudosa Professora Didi Simões. Com a vinda da luz, do asfalto e da construção da igreja de Santa Luzia, muitas casas surgiram e o bairro hoje tem bom status.

Anos depois, por iniciativa do saudoso João da Fonseca, veio o Parque Taquaral, que emendou o muro à esquerda do Cemitério, Vila Simões e o Córrego Taquara do Reino, tendo ao fundo uma bonita represa, hoje extinta. Foi destinada a pessoas mais humildes, que tinham dificuldades para comprar um novo terreno. Posto à venda, não foi fácil negociar os lotes, mas o sonho de ter a casa própria acabou vencendo os obstáculos e hoje é praticamente um bairro fechado.

A Zona Leste estava ali, limitada por esses bairros, quando veio a Vila Romana, na década de 80. Ali era um imenso cafezal da Família Longuini, que decidiu lotear tudo. O cafezal desapareceu e deu lugar ao loteamento dividido pela Avenida Perimetral. Vendida por uma imobiliária de Bariri, onde figuravam os corretores Arlindo e o saudoso Matheus Oréfice, o local teve a parte de baixo vendida rapidamente, comprometendo a parte de cima. Na planta, a praça principal do bairro fica localizada ao lado do Cemitério, de forma a distanciar as casas daquele Campo Santo. Na verdade, esse fator dificultava a venda. Meu amigo Oréfice me convidou para fazer um plano para vender a parte acima da Perimetral. Preparei uma propaganda intensiva pela Rádio e, como corretor, fui auxiliá-lo nas vendas.

A grande arma era vender lotes para as igrejas evangélicas. A Batista foi a primeira a comprar. Dali abriu espaço para continuar as vendas daquela parte da vila e, por incrível que pareça, rapidamente todo o bairro foi vendido. Hoje a Vila Romana tem muito bom padrão de residências, muito capricho ao longo da Avenida da Perimetral Leste, com inúmeros estabelecimentos comerciais, que são considerados de grande privilégio para seus habitantes, além de estar muito próxima do verdadeiro Centro da cidade.

Somente recentemente, a Zona Leste entrou no “boom” do crescimento imobiliário e surgiram, além desses bairros tradicionais, o Bairro São Domingos, o Jardim São Benedito, além do novo empreendimento localizado atrás do Cemitério. Lá no Capim Fino, os Jardins Primavera e Aurora ostentam centenas de sobradinhos e casas prontas. A Zona Leste terá ainda um loteamento entre o São Joaquim, na junção com o Capim Fino, até a Vila Maria, prestes a ser lançada pela família Salles. Essa região, por si só, é maior que muitas cidades da região e tudo indica que irá se expandir ainda mais. Os cafezais, as pastarias e chácaras foram substituídos pelos novos bairros, que fizeram Ibitinga andar para o Leste, onde nasce o sol. É onde se tem a melhor visão da cidade.

Resta completar que nesta região está o Cemitério Municipal. A partir dali, começa a Zona Sul, da qual trataremos nas próximas edições.

Matutino Express - Edição 147 - 15/03/2014

Um tempo sem mordomias, sem regalias, sem o conforto moderno de hoje, sem privilégios, mas que era uma fase de descobertas, de momentos novos, de uma busca da felicidade, que a gente encontrava nas coisas mais simples.

Bons tempos aqueles!

CONHEÇA OS BAIRROS DA ZONA SUL DE IBITINGA

Deixamos a Zona Leste e vamos agora para a Zona Sul da cidade. O primeiro bairro da Zona Sul foi a Vila Maísa, que se formou naturalmente, acima da Antiga Estrada de Ferro, onde antigamente o ponto de referência do local era o Bar do Tofizão (Tofi Kalil Jacob), grande jogador de futebol dos velhos tempos e pai da atual vice-prefeita Cristina. A Vila Maísa é simples, com poucas ruas e uma das mais tranquilas da cidade. Nos tempos do trem, era a primeira vila da cidade, muito próxima ao centro.

MARIA LUIZA I

Antes de ser loteado, o terreno era criatório de gado de leite da Família “De Baptista” e tinha um pouco de café plantado numa parte do terreno, adquirido pelo grupo “José Augusto Cancio de Toledo Piza”, que foi loteado, mas como o local era ao lado do cemitério municipal, houve muita rejeição de compras, principalmente dos terrenos mais próximos do Campo Santo. Ainda assim, rapidamente tudo foi vendido e construído com êxito. Ali está o grande Barracão de Nossa Senhora da Paz, Padroeira do bairro, onde se pretende erguer uma igreja.

Antes de atravessar o São Joaquim, vamos acompanhar a linha do Maria Luiza II, lembrando que antes existia no sul daquele bairro o Lixão Municipal, ocupando espaço de uma pedreira, que foi anteriormente explorada. Aqui atravessamos o Córrego Taquara do Reino, entramos pela antiga estrada de Bariri e encontramos o bairro pioneiro além daquele arroio, chamado de Núcleo Residencial Ângelo de Rosa, com 400 casas construídas no fim do século passado. O mesmo nasceu nos tempos do Prefeito Roosevelt Antônio de Rosa. Hoje ele está totalmente ocupado e tem como padroeiro Santo Expedito. Ali está a igreja dedicada ao Santo, muito visitada por gente daqui e de fora. Com o Ângelo de Rosa completo, nasceu o Jardim Flamboyant e, em seguida, o Filadélfia, vindo a tornar-se um núcleo de bairros a Sudeste da cidade, isolado pelo Rio Taquara do Reino. Promete-se uma ponte, sem data certa, para ligar o setor com os bairros além do Maria Luiza.

Aqui terminamos o setor à esquerda do São Joaquim. Vamos atravessá-lo e dar sequência à Zona Sul, onde a primeira vila é o Jardim Rafaela. Ali era praticamente um semipântano, mas a engenharia do Doutor Alaôr Pinheiro Machado Júnior (filho do fundador do Rancho Alegre) o transformou num bairro residencial, limitando a Estrada Sétimio Montanari, com as proximidades da margem do córrego. Quem achava que o Jardim Rafaela teria dificuldades de crescer se enganou. Rapidamente tornou-se um novo bairro na Zona Sul, com o privilégio de estar muito próximo ao Centro da cidade.

Continuemos com os bairros abaixo da linha da Avenida Engenheiro Ivanil Francischini (Perimetral Sul) e seguindo após o Rafaela, para encontrarmos o primeiro condomínio da cidade, o Village Vale Verde, muito bem estruturado, com belíssimas residências e muita segurança, que proporciona tranquilidade aos seus moradores. Depois das cercas de proteção do mesmo, vem o Jardim do Bosque, que nasceu de iniciativa de um grupo de Leme, cidade daqui do interior. O nome foi dado porque ali existia um bosque natural, com várias cabreúvas e outras árvores. E foi o primeiro bairro nascido do território da Família “Francisco dos Santos” e onde era antigamente uma rica pastaria de gado leiteiro.

Ligada ao Centro de Ibitinga, é um privilégio morar ali. Após o Bosque, vem o Santa Helena, de iniciativa do Sr. Antônio Francisco dos Santos (Kikão), que, com a abertura da Avenida Carolina Gereto Dall’Acqua, ganhou fôlego, auxiliado por grandes firmas que se implantaram naquela via, como o Supermercado Jaú Serve, a R. Castiglio Pneus e o Posto do Pilson, que fecharam rapidamente o trecho.

Vamos, por enquanto, parar por aqui. Terminamos a parte baixa da Avenida Perimetral na Zona Sul e, na próxima edição, vamos percorrer os inúmeros bairros acima da Avenida, que faz da Zona Sul umas das áreas mais habitadas da cidade. Até lá!

Matutino Express - Edição 148 - 22/03/2014

 

OS BAIRROS – ZONA SUL

Dando sequência ao nosso trabalho, elaborando um relatório rápido sobre a história de cada bairro de Ibitinga, continuamos, hoje, a mostrar a Zona Sul, considerada “outra cidade” dentro de Ibitinga. Fomos até o Jardim Maria Helena, abrangendo todos os bairros abaixo da Avenida Engenheiro Ivanil Francischini (Perimetral Sul). Hoje vamos contar histórias acima da Perimetral. Ultrapassando o Córrego São Joaquim, está a Avenida Setímio Montanari, que mais tarde será a interligação Sul de Ibitinga com a Rodovia para Araraquara. Dali para cima surgem os bairros. O Jardim São Paulo é relativamente jovem e une o misto, ou seja, o residencial e o comercial. Ele nasceu da iniciativa do saudoso David de Biazi. Ali era uma chácara com vacas de leite, d’onde saía o leite já ensacado e vendido na cidade.

O Jardim Ibirapuera nasceu do mesmo ambiente, de proprietário que tinha esse pedaço de terra naquele setor, encostando-se à Perimetral Sul. Experiente em urbanismo, lançou o Ibirapuera, com extraordinário sucesso. Acima vamos encontrar o Jardim Verona, nascido da iniciativa do saudoso Fuad, um ibitinguense que morava em São Paulo e acreditou na sua terra natal. Provou isso quando implantou o Jardim Verona e construiu um prédio residencial de cinco andares naquele local, garantindo o impulso do bairro. Infelizmente faleceu anos depois, antes que o Verona fosse o que é hoje: um bairro praticamente todo construído, com raros lotes vazios. Quando o Jardim Verona surgiu, já existia o Bairro Paulo de Biazi, um conjunto de casas financiadas, que nasceu no Governo do Prefeito Yashieo Sato, e só foi concluído depois do seu mandato, pelo Prefeito Nicola Lucínio. O Paulo de Biazi é um bairro mesclado de residências e muitas firmas comerciais e é sede da quarta Paróquia, a de São Paulo Apóstolo.

O nome Paulo de Biazi é uma homenagem ao antigo dono das terras e pessoa que gozava da mais alta estima dos conterrâneos. Dono da famosa Padaria São Paulo dos áureos tempos, Paulo Biazi era considerado o maior torcedor do São Paulo Futebol Clube em Ibitinga. Homenagem justíssima. Acima do Paulo de Biazzi, está o Jardim América. Esse bairro rapidamente cresceu e hoje se mistura aos demais vizinhos; difícil saber onde é a divisa. Ele faz divisas com o Jardim Eldorado I e Eldorado II, este um bairro recentemente lançado, com muito sucesso, chegando aos limites das torres da Rádio Ibitinga e da Rádio Meteorologia Paulista.

Voltando à região do Paulo de Biazi, vamos encontrar o único conjunto de mais de duzentas casas construídas no sistema mutirão. É o Bairro Santo Antônio, dividindo a região para os bairros populares do Sul, não sem antes passar pelo Maria Luiza II, da iniciativa do mesmo fundador do Maria Luiza I, José Augusto de Arruda Botelho, que adotou Ibitinga de vez, diante do sucesso dos seus lançamentos aqui. O Maria Luiza II e o Paulo de Biazi eram todos cafezais imensos, transformados depois em algumas pastarias e, posteriormente, loteados. Tudo isso acima da Avenida Setímio Montanari, que está ainda incompleta.

Depois do Santo Antônio, vieram os bairros populares construídos no tempo do prefeito Roosevelt de Rosa (entre 1997 e 2000). São eles: Santa Clara, Nova Ibitinga e Jardim Felicidade, onde mais de mil famílias residem e melhoram suas casas, transformando-os em bons bairros. Mas a cidade não termina aí. O mesmo idealizador do Maria Luiza I, Maria Luiza II, Filadélfia e Flamboyant já faz nascer mais bairros, que avançam em direção à Rodovia Victor Maida, pelo Sul da cidade. Os bairros Ypê I e Ypê IV já possuem centenas de casas e estão em fase de lançamento. Todos esses bairros possuem estrutura completa de luz, água, esgoto, guias, sarjetas e asfalto, antes de serem colocados á venda. Sabemos que o mesmo Sr. José Augusto e sua organização acabam de adquirir os terrenos que seguem aos quatro bairros Ypês e vamos chegar à Rodovia Ibitinga-Araraquara muito em breve. Aqui é o chamado Bairro Maribondo, onde está a capela histórica. Ali foi morto, numa emboscada, o saudoso Guido Izidoro Dall’Acqua. Há uma grande capela no local, onde a família, antiga dona do terreno, faz questão de manter para a posteridade.

Vamos voltar um pouco nesta Zona Sul e ultrapassar o Correguinho, na baixada do Parque da Polícia Florestal. Ali está o Jardim dos Bordados, o mais antigo da Zona Sul, e parte da propriedade do Sr. Francisco dos Santos, o Kikão. Lá em cima, depois da Rua dos Jasmins, nasceu o Residencial Terra Branca, conjunto de prédios com dois pavimentos, que tiveram as facilidades de financiamentos, tudo por ordem e graça do Engenheiro Civil Lahir Vergaças Filho, que mantém ali uma indústria de artefatos de concreto. Para atingir o acesso à rotatória, tem o bloco de grandes salões do Sr. Gilberto Scarpim, que abriga dezenas de indústrias ligadas ao ramo do bordado.

Há novos bairros surgindo nessa vasta região, que é a maior da cidade e onde está o famoso Pavilhão Permanente de Exposição, onde acontecem diversos eventos e o maior e mais renomado, a Feira do Bordado, que em julho recebe de 120 a 150 mil visitantes, para tornar-se o maior evento da região. Para se ter uma ideia da importância da Zona Sul de Ibitinga, basta dizer que três gigantes supermercados estão naquela área: Jaú Serve, Salina e São Bento II.

Na próxima edição, vamos entrar na Zona Oeste, onde foi instalada recentemente a Quinta Paróquia de Ibitinga, a Paróquia de São Pedro e São Cristovão, atestando que o crescimento vertiginoso de Ibitinga é uma verdade incontestável. Até a próxima edição!

Matutino Express - Edição 149 - 29/03/2014

 

CONHEÇA SEU BAIRRO - ZONA OESTE

De forma rápida e sem rodeios, continuamos a historiar os bairros de Ibitinga. Zona Leste e Sul já foram publicadas em edições anteriores. Agora vamos para o Oeste da cidade, que compreende do Cristo Redentor ao trevinho da Avenida Japão com a Avenida Alberto Alves Casemiro. Está localizada nessa região a quinta paróquia de Ibitinga, recentemente criada pela Diocese de São Carlos. Ali começa a Vila Izolina, que até 1968 era o pasto da Dona Izolina, uma tradicional família da agropecuária de Ibitinga, que abrangia também o Bosque e a antiga Torre de Rádio Ibitinga (hoje Estância São Roque).

Até 1972, as terras da Dona Izolina tinham só a torre e uma velha casa, que mais tarde foi transferida para o lado de baixo da pista do acesso, devido ao crescimento da vila. Foi Walfrido Robert, o Kiko, quem loteou o bairro. Devagarinho, o setor cresceu e ali se implantaram muitas casas comerciais e indústrias variadas, prevalecendo ainda o bordado, até que a Perimetral cortou o ponto mais alto do bairro. Além da Perimetral, surgiu o Parque Morumbi, de iniciativa do Dr. Victor Maida com um grupo de Campinas. O objetivo era criar um bairro classe “A”, comparado ao Centenário, já crescendo e aparecendo. Vendido quase que somente para pessoas de maior posse e sem pressa de construir, o Morumbi foi o bairro mais lento no crescimento de Ibitinga.

Acima dele já crescia rapidamente o Nações Unidas, de iniciativa do saudoso Dr. Victor Maida, destinado a classes trabalhadoras. Em frente ao Morumbi, Kiko lançou o Jardim Paraíso. Ruas e praças com nome de pássaros (era mania de Kiko) apenas para lembrar que no Jardim dos Bordados tem a Avenida das Bordadeiras, que também tem nome de flores. O Paraíso vendeu e cresceu de forma rápida. Lá está o Clube dos Professores de Ibitinga e Região. Atrás do Jardim Nações Unidas nasceu o Distrito Industrial, cuja área o município finalmente adquiriu para atender à Lei das Indústrias, que existe desde os anos 80. Repleto de Indústrias, tem no outro lado da Avenida Maria Siriani Maida as grandes tecelagens de tecido, entre elas o Andreza, que é atualmente a maior da região.

A Avenida Perimetral, cortando a parte superior e lateral da Vila Izolina, teve um loteamento de pequenas chácaras, que foi batizada como Altos da Vila Izolina. Além de ser altamente comercial, existe também um condomínio residencial não concluído e o Centro de Concentrações da Igreja da Obra e Restauração, hoje pronto, que permite reunir e hospedar mais de mil pessoas. Após os Altos da Vila Izolina, vem o Jardim Bela Vista Sul, uma vila bonita, bem traçada, mas que nasceu com o nome errado. Pela localização, deveria ser chamada de Bela Vista do Oeste – não sei a quem atribuir o fato. Ali está a Avenida João Farah, que avança cada vez mais para o Oeste. Acima da linha dessa Avenida está o Alto dos Pinheiros, um dos bairros mais altos de Ibitinga e de onde se avista grande parte da cidade, a mesma visão do Jardim Paraíso.

Mais a frente começa o Jardim Natália que, de início, teve mais de cem casas populares construídas por seu idealizador, o popular “Titico”, de cuja iniciativa nasceram muitos outros bairros em Ibitinga. O Natália ganhou expansão e até um CIEI de grande porte, para atender a área educacional da Zona Oeste. Terminado o limite do Natália vem o Santa Catarina, de iniciativa do Senhor João Cosin, que deixou o comércio de bordados, montou uma indústria de embalagens (Lufrapel) e fundou também o Santa Catarina, cujo bairro cresceu muito e é sede da Igreja da Santa do mesmo nome. Um bairro acima de tudo bonito. Por enquanto ali termina o Oeste, local onde começa a nascer o Córrego Saltinho.

Ultrapassando ele, vêm as vilas altas, como Santa Teresa, Jardim Paulista e Santo André, até a Avenida Perimetral. São bairros que nasceram na década de 60. Além da Perimetral, vamos encontrar a Vila do Josias, sequência da 13 de Maio, Parque São Judas, Parque São Jorge, Jardim Ternura e Aeroporto. Padroeiro da Zona Oeste – São Pedro, mas a Matriz é dedicada também a São Cristóvão, que é padroeiro dos caminhoneiros e que tem uma festa anual tradicional no mês de agosto. A Matriz de Santa Tereza comanda o lado esquerdo do Saltinho. Quando chegamos ao trevinho que liga a Avenida Japão, Avenida Alberto Alves Casemiro e cruza com a Avenida Perimetral, já é o fim da Zona Oeste.

Na próxima edição, vamos partir para a Zona Norte, que vai desse ponto até o trevo do CBI, onde começamos nosso giro.

Matutino Express - Edição 150 - 05/04/2014

 

A HISTÓRIA DO SEU BAIRRO – ZONA NORTE, PARTE I

Começamos lá na Zona Leste, pela Vila Maria, onde já pode ser acrescentado um novo bairro, o Jardim São Joaquim, vizinho do CBI. Já falamos da Zona Leste, Zona Sul, Zona Oeste e agora vamos para a Zona Norte da cidade, que compreende a Avenida Dr. Ivanil Francisquini (Perimetral Norte) entre o Trevinhno da Japão com a Perimetral e Alberto Alves Casemiro até o trevinho do CBI. Nesse espaço está a Zona Norte, quem vem no sentido Oeste/Norte. Iniciamos pelo Jardim Planalto, onde está o Clube Planalto, que nasceu de iniciativa de Cleto Stocco.

O bairro de boas casas já tem um novo vizinho ao fundo, o Jardim Dona Almira. Ali era uma granja, do saudoso Álvaro Silva, contabilista em Ibitinga, já falecido há muitos anos. Casado com Dona Almira Racy, ele homenageou a esposa, dando o nome à chácara, que acabou se tornando o Jardim Dona Almira. Contíguo ao Jardim Planalto está o Bairro Jardim Idalina. Ali era um pomar de laranjas, mas entre o Planalto e o Idalina nasceu o London Park, de iniciativa da família do Dr. Carlito Russi, já falecido. Destaca-se pela área verde, transformada num bosque de um alqueire mais ou menos, infelizmente mal tratado, e uma vasta praça, cercada de casas modernas e verdadeiras mansões. O London Park dá lateral para o Parque Industrial, que vem até a Avenida do Parque, onde se encontram residências e indústrias. A Avenida do Parque cruza com a Salem Saad, que vem desde o Planalto até ali, com projeto de continuar, já que muitas vilas surgem na região.

O Parque Industrial já tem uma história interessante. Como a Lei da Indústria estava “empacada” na Prefeitura e não nascia o Distrito Industrial, Walfrido Robert nos convidou para denominar o bairro. Trocamos ideias e chegamos à conclusão de que Ibitinga não tinha um local para indústria até então. Optamos ele e eu a denominar o bairro de Parque Industrial – na verdade, erramos – o bairro se tornou mais residencial do que industrial, mas é ponto forte de referência para a Zona Norte.

Aquém da Perimetral Norte, está o Jardim Centenário, rei dos bairros de Ibitinga, embora quando lançado, em 1966, poucos acreditavam no sucesso e no seu futuro. O Centenário nasceu de um concurso pela Rádio Ibitinga, onde os ouvintes sugeriam um nome para o investimento. O sorteado ganharia um lote quitado lá onde é a Escola Lucy Salina Fernandes Gayon. Milhares de cartas chegaram. Entre elas, mais ou menos cem sugeriam Jardim Centenário, em homenagem ao centenário da fundação de Ibitinga, que coincidia com aquele ano. Separadas as cartas, só essas concorreram ao prêmio. Coube à senhora Ana Barbosa, senhora pobre e que tinha um filho paralisado por problemas mentais, o prêmio.

O Centenário começa na Av. Capitão Felício Racy e vai até o Campo do Rio Branco. Ela tinha o nome de Centenarinho. Depois, Jardim Centenário. No dia em que a Prefeitura e o loteador resolveram doar a área verde da Praça Roque Raineiri, já se estabeleceu que na sua frente seria construída a Escola Técnica do Comércio. Ali mesmo na Prefeitura, este que vos escreve, diretor da Rádio Ibitinga AM, escolheu no mesmo momento o único terreno vago na Rua Capitão João Marques, pretendendo levar para lá a emissora. Tudo aconteceu como previsto. Durante muitos anos ali onde está o Estádio Municipal foi o recinto das Feiras de Bordado, Carnaval Popular e Via Sacra ao Vivo, entre outros saudosos eventos. Com o Centenário embalado, veio o Jardim Margarida, de iniciativa do Dr. Victor Maida. Sem sugestão para o nome do novo bairro, decidiram então o Novo Centenário. Coube a mim apadrinhar mais um bairro.

- Dr. Victor Maida, o senhor possui uma esposa distinta e maravilhosa. Por conseguinte`, tem o nome de flor. Não seria justo homenageá-la com o nome de Jardim Margarida?

Então Doutor Victor chamou o projetista Dejanir Storniolo, de saudosa memória, e foi decidido Jardim Margarida. “Muda tudo aí. É Jardim Margarida e ponto”. O Margarida fica na Avenida Guido Izidoro Dall’Acqua, do lado direito após o Estádio Municipal. Daquele trecho aquém da Perimetral, muitos dizem Jardim Centenário. Errado! É Jardim Margarida, que continua do lado de lá, além da Perimetral, onde está a Elma e outros pontos de referência.

Paro por hoje nesse ponto. Na próxima edição, se Deus quiser, vamos completar esta série sobre os bairros de Ibitinga, fechando a Zona Norte.

Matutino Express - Edição 151 - 12/04/2014

 

A HISTÓRIA DO SEU BAIRRO – ZONA NORTE, PARTE II

Nessa sequência de relatos sobre os bairros de Ibitinga, estamos na Zona Norte da cidade, de uma amplitude muito grande e até certo ponto complicada. Paramos na última edição no Jardim Margarida. Do outro lado da Avenida Perimetral, ele faz divisas com o Jardim do Sol, denominação que nasceu depois que o saudoso Clóvis Cicotti construiu ali várias casas, utilizando um novo sistema de coberturas, onde uma laje substituía o telhado e, em cima dela, colocavam as telhas, praticamente sem uso de madeira. Nesse espaço, há um bairro chamado São Salvador. E logo em seguida, o Jardim Alvorada, todos de pequenas dimensões. Lá embaixo, na Avenida do Parque, há um pequeno bairro nascido da iniciativa de Gilberto Scarpim, onde está a Rua Luiz Spósito e que acabou sendo incorporado ao Jardim do Sol.

Bem recente, saindo da Avenida do Parque por baixo, está a entrada do moderníssimo Jardim Tropical, nascido da iniciativa de Roberto Manoel Alves Lopes, o Manelão, que está praticamente anexo a maior indústria de bordados da cidade e região, o Andreza Enxovais. Esse bairro, já com modernas construções, tem saída ao norte para a Avenida Perimetral, via Margarida e para a Estrada da Roseira, via Clube Andreza, uma referência em espaços para eventos da cidade e região. Ultrapassando a Estrada da Roseira, está nascendo o Jardim Roseira, também de iniciativa do mesmo grupo que fundou o Jardim Tropical. Vamos agora para a parte mais antiga da Zona Norte, praticamente o prolongamento do Centro da cidade. Acompanhando a Perimetral, vamos encontrar o Parque Manzoni, de iniciativa de Gildo Minzoni. Dali, a cidade se expande até o trevo do CBI. Lá no outro lado do Córrego Água Quente está a polêmica Cidade dos Bancários. Nasceu para ser uma vila dos Bancários, mas se tornou muito popular e só ganhou expansão na década de 90, no governo do então Prefeito Roosevelt Antonio de Rosa, que levou infraestrutura para o bairro. Com água, luz, esgoto, asfalto, escola e a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o Bancários devagar vai ganhando cara nova, mas já está lá longe, onde era o eucaliptal do saudoso Albino Quaresma e onde estão as últimas casas do bairro. Em frente, o novo e moderno cemitério Parque dos Colibris, em estilo moderno, sem túmulos, que ainda não está em pleno funcionamento.

Vamos agora voltar para os bairros da Zona Norte, que estão entre o Estádio Municipal, Avenida Guido Izidoro Dall’Acqua e Centro da cidade. O Jardim São José nasceu na década de 70, por iniciativa de Antônio Scarpim, o Toninho. É hoje um dos bairros mais completos da cidade, onde está a Praça da Bíblia, a Igreja de São José e a Praça Antoninho Scarpim, limitando-se entre a Avenida Perimetral Norte e a Avenida Dom Pedro II. Acima está o Jardim São João, que todos pensam ser o mesmo São José. Na verdade, o loteamento pequeno foi de iniciativa de Walfrido Robert, o Kiko. A Vila Guarany antigamente era conhecida como Tiririca e ali estava a Zona de Tolerância da cidade. Por volta de 1970, foi transformada em bairro residencial. A Zona de Tolerância foi para as bandas do Aeroporto. A Vila Guarany, hoje, é um bairro respeitável de boas residências e divisa com o Jardim Metrópole, encravado entre a Vila Guarany, Perimetral Norte e os recentes Jardim Petrópolis e Jardim Vitória I, Vitória II e Vitória III, atingindo a Avenida Guido Dall’Acqua com lindas mansões e edifícios comerciais. Completa, na verdade, com o Jardim Centenário.

No extremo norte da cidade, saída atual para Itápolis, o acesso ganhou nome de avenida: Avenida Alberto Alves Casemiro, homenagem ao saudoso Prefeito Municipal. Essa avenida dá saída para o mais bonito e prático de todos os bairros, o “Cidade Jardim Canaã”, que já tem o belo prédio do Colégio Caracol/Flapi, lindas residências, muito ajardinamento nas ruas planas e calmas, numa paisagem simplesmente maravilhosa, capricho do seu fundador Naim Além Neto, que transformou uma antiga fazenda produtora de leite naquele belíssimo pedaço de Ibitinga. Além do Canaã, tem partes de um bairro que emenda com a Rodovia Ibitinga/Itápolis. A cidade de Ibitinga cresce em todas as direções: Norte, Sul, Leste e Oeste. Ganhou um formato quase redondo a partir de seu tradicional centro comercial, transformado em belos edifícios, lindas lojas, bancos e praças. A Avenida Perimetral ou Engenheiro Ivanil Francischini, sem dúvida, ajudou muito.

CURIOSIDADES

O Jardim Centenário, considerado até o trevinho da Japão, tem ali uma ponta que pertence ao Jardim Paulista. Onde está a sede do Colégio Flapi, a Pizzaria Affamato etc., não é Centenário. É Jardim Paulista, cortado que foi pela Avenida Japão. Mas o domínio público do nome vale e ficou como Jardim Centenário. Lá pelos lados do Aeroporto, por conseguinte, hoje integrado à zona urbana de Ibitinga, estão o Clube de Rodeio, a Hípica, a Indústria Juma, uma escola de futebol, uma grande oficina de aviões, que vão formando redutos sem nome, mas simplesmente chamado “Setor do Aeroporto”.

Enfim, Ibitinga é isso! A última notícia que temos, passada pelo próprio Prefeito Florisvaldo A. Fiorentino, é que vários projetos de novos loteamentos estão prestes a serem liberados, em diferentes pontos da cidade. Somente um grupo vai implantar 1800 lotes na Zona Sul, ou seja, vai levar a cidade a se encontrar com a Rodovia Victor Maida (Rodovia Ibitinga/Araraquara). Daí, não se tem ideia até onde vamos! É tempo de relembrar um velho filme de sucesso, de Cecil B. de Mile, “Quo vadis Ibitinga?”. E a resposta será: “Quem viver verá”.

Matutino Express - Edição 152 - 19/04/2014

 

INCÊNDIO DESTRÓI ANTIGO PRÉDIO DA CASA DA CRIANÇA

A Casa da Criança de Ibitinga sempre foi uma referência no campo de assistência social. Há muitos anos, funcionou juntamente com o Asilo São Vicente de Paula. Na década de 80, o saudoso Padre Eutímio Ticianelli, que também era Presidente da Associação Bom Jesus, construiu a “Creche Imaculada Conceição”, que até hoje funciona. Esta creche foi a primeira do município. Atualmente a Casa da Criança não existe mais. Eu nem pretendo entrar no assunto sobre e por que ela foi fechada, e por que as poucas crianças foram encaminhadas ao Orfanato Criança Feliz. Essa é outra história.

Na década de 90, numa madrugada, o prédio da Casa da Criança foi totalmente destruído pelo fogo. Um incêndio, que não se sabe de onde veio, consumiu todo o prédio. As ações rápidas dos zeladores auxiliados por vizinhos retiraram as crianças e não houve prejuízo humano. Porém, o prédio ficou reduzido a um monte de cinzas. Quando a notícia chegou à população, através do Jornal falado Grande Matutino R.I., a cidade se comoveu com o acidente.

Naquela mesma edição, lançamos uma campanha procurando obter doações para reconstruir o prédio destruído. Nunca se viu tanta solidariedade: empresas, comerciantes, indústrias e gente do povo imediatamente reagiram ao pedido e, em poucos dias, as obras eram iniciadas com um prédio maior, como mostra ainda aquele edifício, hoje com as portas fechadas e em desuso. Quantas gerações passaram pela Casa da Criança de Ibitinga! Quantos adultos lá cresceram e foram encaminhados pela vida afora, através da educação que recebiam ali! A entidade era uma referência para as doações de produtores rurais, que se preocupavam com a alimentação saudável das crianças.

É uma pena! Provavelmente hoje seu modelo não seria mais autorizado a funcionar, devido às condições de segurança, que atualmente se exige em todo edifício onde há concentração de gente. Hoje há muitas normas e exigências, no sentido de garantir a segurança de quem habita sob esses tetos. De qualquer forma, estamos aqui contando historias de nossa Ibitinga. Hoje a antiga Casa da Criança foi o destaque. No seu contexto, ela foi destruída e reconstruída com a solidariedade de nossa gente.

Matutino Express - Edição 153 - 26/04/2014

 

AQUELE TEMPORAL

Em frente ao prédio da Rodoviária, existe uma pequena praça triangular que, com certeza, fazia parte do projeto de fundação do Bairro Santa Tereza. Aquela pracinha sempre foi ponto de encontro de pessoas idosas, que passavam suas horas matando o tempo, pitando um cigarrinho e observando o movimento da cidade. Até a década de 80, existia, no centro da mesma, uma árvore comumente chamada de “Chapéu do Sol”, que é “Rainha das Sombras” em dias de sol quente e disputada pelos carros quando encontram uma delas pelo caminho. Aquela árvore cresceu e dominou a pracinha tamanha sua envergadura. A árvore se destaca por seus galhos e folhas largas. Embaixo sempre tinham alguns bancos.

Lá no “Trevão Rodoviário”, havia outra árvore, que se tornou parte de um cenário de quem entrava em Ibitinga. Era o “engana criança” ou “farinha seca”, muito comum em nossa região. Aquela árvore de bom porte era a saudação natural de quem entrava em nosso município e via o letreiro de concreto indicando a cidade. Na Rua João Marques, bem em frente à Rádio, havia uma cobertura metálica de bom tamanho, que servia para apresentações, shows e prática de esportes. Não existia ainda a Escola Benedito Teixeira de Macedo, somente o prédio da FAIBI. Aliás, foi nessa cobertura que se realizou o primeiro show da primeira Feira do Bordado, com apresentação de José Américo, cantando a música “O fio da véia”.

Observem que estou destacando três pontos diferentes da cidade para chegar onde pretendo: era uma tarde de calor muito intenso e lá pelos lados de Jaú, percebia-se o céu escuro, repleto de nuvens, anunciando um forte temporal. Não demorou muito para que a tempestade atingisse Ibitinga, mesmo porque era procedido de fortíssimos ventos. E foi esse vento o centro de tudo. No mesmo instante, o “Chapéu de Sol da Rodoviária” foi lançado a uma distância considerável, deixando a pracinha vazia e mudando a paisagem do local.

A árvore do “Trevão” foi retorcida, arrancada e lançada na pista da Rodoviária, de quem sai para Bauru. Tatá e eu estávamos na porta de entrada da Rádio, assistindo ao poder do vento forte com um pouco de granizo que caía, quando uma lufada mais forte derrubou a cobertura daquela quadra que foi arrancada totalmente e levada lá para a Chácara do Dr. Alberto Alves Casemiro, hoje Jardim Vitória. Em minutos, os estragos foram terríveis. Nossa memória ficou marcada com os acontecimentos daquele dia. Atualmente os tornados americanos têm destruído cidades inteiras. Muitos prejuízos materiais, além de vítimas. E aqui, a 10 mil quilômetros de distância, a gente fica imaginando... “Como é bom ser brasileiro... um Brasil cheio de problemas, mas sem vulcões, sem terremotos, sem furacões, sem tornados e sem tsunamis”.

Granizo, vento como o que narramos aqui, chuvas excessivas ou secas fazem parte de nossa vida. Tudo isso, entretanto, é mínimo em comparação ao que ocorre por esse mundão de meu Deus!!! 

Matutino Express - Edição 154 - 03/05/2014

 

O BARRAQUEIRO QUE FICOU

Até a década de 80, as festas do Padroeiro Bom Jesus eram realizadas na Avenida Dom Pedro II, na quadra em frente à Igreja Matriz. Um enorme barracão com divisões foi construído e ali acontecia a festa. Desfiles e shows musicais faziam parte do evento. O cardápio da festa contava com o tradicional frango assado e muitas famílias vinham prestigiar o evento religioso.

Nos fins de semana, o movimento aumentava. Por esse motivo, diversos barraqueiros vinham a Ibitinga vender todo tipo de produto, desde calçados, roupas, ferramentas, bugigangas até guloseimas. O que também não poderia faltar era maçã do amor, pipoca, sorvete, refrigerantes, além dos impecáveis doces de coco. Entre todos os “barraqueiros”, um se destacava. Era o Seu Chico, que ficava todos os anos na lateral da Praça Ruy Barbosa com uma caminhonete com placas de Rio Claro, que estendia sua lona, vendendo tudo o que não se encontra facilmente por ali, desde puxador de gaveta, capas plásticas, pés de cadeira ou mesa, parafusos, pequenas ferramentas e demais produtos. Fiquei amigo do Seu Chico. Todos os anos a gente batia um papo ali na sua barraca. E sempre eu insistia com ele:

- Chico, venha de uma vez para Ibitinga. Essa cidade vai ter muito futuro. Pode confiar!

Para a minha surpresa, um ano daqueles, fui cumprimentar meu amigo Chico e ele me disse:

- Vou vir para cá de vez. Decidi!

Caramba! Não é que o Chico acreditou em mim?

Dias depois, ele alugou uma portinha em frente ao Posto Texaco e ali surgiu a “TEND QUASE TUDO”, a primeira com artigos de R$ 1,99 em Ibitinga. O tempo passou e o espaço ficou pequeno. Chico alugou a esquina de cima e sua loja triplicou. Mais um tempinho, alugou o salão vizinho e emendou tudo. A loja dobrou de tamanho. Atualmente ela se localiza na Rua Treze de Maio, uma quadra antes do Bradesco. Lá está a “TEND QUASE TUDO” do Chico, ocupando enorme espaço, com milhares de mercadorias, longos corredores e equipe pronta para atender os clientes.

Seu Chico e Dona Raimunda comandam e administram tudo. Aos sábados, a loja não funciona por motivos religiosos. Porém, no domingo, ela abre até o meio dia. E seja qualquer hora do dia, a loja sempre está repleta de clientes buscando produtos inimagináveis, crendo que lá “tem quase tudo mesmo”. Fico feliz por Seu Chico ter acreditado nas minhas palavras de incentivo e, claro, ter acreditado no potencial de Ibitinga, nossa cidade esplêndida e progressista.

Matutino Express - Edição 155 - 10/05/2014

 

IBITINGA NA ROTA VIÁRIA E DO GÁS

O traçado inicial da Rodovia Victor Maida, que liga Araraquara a Ibitinga, sofreu várias alterações. O traçado já aberto, inclusive ao se aproximar de Ibitinga, juntava-se à Estrada Laranja Azeda, que constituía uma linha reta até Bauru. Mas a decisão da Usina de Ibitinga levou o DER a mudar o traçado. A estrada, na altura da Fazenda Maribondo, seguia reta e se encontrava hoje com a Rodovia do Laranja Azeda, passando sobre a ponte de concreto, naquele local que ia direto a Bauru. Não havia, portanto, o trecho que inclui o trevão rodoviário. Como a ponte seria coberta pelas aguas do Rio Tietê, o DER fez uma reta ao trevão, dali seguindo pela rodovia para Novo Horizonte, mas fazendo o roteiro no chamado Trevo da Fazenda Voltinha, onde se segue para Novo Horizonte e Bauru, passando sobre a Usina Hidrelétrica de Ibitinga.

O resto que sobrou voltou à “estaca zero”, mas quem quiser ver o traçado abandonado, ele está até hoje naqueles sítios. O tempo passou. Atualmente, o trevão de Ibitinga endereça para caminhos de Bauru, Novo Horizonte, Catanduva, Itápolis, Ribeirão Preto, Tabatinga, Araraquara e Jaú, além da estrada antiga da Laranja Azeda. Esta foi asfaltada por volta de 1990 e virou a “estrada da gota”, pois termina na Fazenda Laranja Azeda fazendo uma grande gota de retorno. Atravessar para o lado de Iacanga, só com barca. A ponte de concreto, ainda muito nova, com quase 300 metros, ficou sepultada nas águas do Tietê e está submersa a 6 metros do nível d’água.

Ibitinga tem hoje uma das principais malhas viárias do Centro Paulista, demandando e trazendo em todas as direções. O gás da Bolívia fez o mesmo, vem de Santa Cruz de La Sierra até Ibitinga, onde é distribuído a várias direções, inclusive à Capital. Em suma, um fato curioso.

Matutino Express - Edição 157 - 24/05/2014

 

NOSSO GRANIZO FOI MAIOR

Na semana passada, uma chuva de granizo atingiu São Paulo e deixou um bairro inteiro com cara de Nova York. Era gelo para todos os lados. Foram necessárias máquinas poderosas para retirarem o gelo das ruas e o trânsito foi restaurado. As crianças brincavam até de esquiar tamanha a quantidade caída. Foram estragos consideráveis, que assustam qualquer cidadão que vive neste país tropical. O fato me levou a 1975, quando, numa madrugada fria de junho, uma chuva de granizo caiu em Ibitinga. Tanto é que chuvas assim nunca ocupam grandes espaços, pois acontecem geralmente em sentido longitudinal e concentrada. Essa caiu fora da cidade e foi atingir o “Trevão Rodoviário”, que já existia.

Duas e meia da madrugada e o telefone toca na minha casa:

- Alô... Seu Roque, aqui é o Antônio Geraldo. Levanta e vem ver o que aconteceu. Caiu uma chuva de granizo tremenda no trevo rodoviário, eu nunca vi igual. São mais de 70 centímetros de altura e atingiu essa área da cidade.

Atendi o telefone e entendi que o Antônio Geraldo, na época gerente do Cine Rio Branco e integrante da equipe da Rádio Ibitinga, estava com gozação.

- Pô, Geraldo. Com um frio desse você me tira da cama para falar besteiras? O que é isso, oras?

- Estou te falando! Nunca vi isso por esses lados. É um volume de granizo muito grande. Levante e venha ver!

- Quer saber? Eu vou é dormir.

Madrugo. Um frio intenso, tanto é que o ano de 75 foi o mais frio dos últimos 50 anos registrados no sul do Brasil e Estado de São Paulo. De manhã, fui preparar o jornal Matutino e procurei saber, ligando na Polícia.

- Tem chuva de granizo registrada na madrugada aqui em Ibitinga?

- Ainda bem que foi de madrugada e onde não mora ninguém. Caso contrário, não sobrava nada! – disse o policial de plantão.

Era verdade.

O Antônio Geraldo, após revelar a foto no Seino, trouxe para que eu pudesse ver. A parte mais alta do monte tinha 75 centímetros de altura. Impressionante! O Antônio Geraldo falou a verdade, mas não deu para acreditar. Concluindo, o acesso ao local não era asfaltado. No trecho onde hoje está a passarela do Cristo, uma quinzena depois se encontravam blocos de gelo de 30 ou 40 quilos conservados pela terra. Era gelo levado pelas enxurradas na intensa chuva que ocorreu depois. Poucas pessoas registraram esse fato, devido ao horário e local, mas em várias reportagens chamamos a atenção do público para o acontecido.

Muitos dias depois, o gelo mantinha-se escondido nas barrancas lá, onde hoje é o Jardim dos Bordados. Acredito que alguém ainda deve ter essa foto em Ibitinga. Caso tenha, traga-nos, pois é um documento de um fato acorrido em Ibitinga. O ano de 1975 teve o pior frio no sul e sudeste brasileiro. O famoso Estado do Paraná, quase que totalmente de café, ou seja, o mais produtivo café do mundo, não sobrou um pé com folha. Tudo foi torrado pela forte geada. Os prejuízos também atingiram forte a Alta Sorocabana, Alta Paulista e Noroeste. Por incrível que pareça, acima do Tietê não ocorreram geadas expressivas, inclusive Ibitinga. O granizo foi extensão e apenas num curto trecho do município. Se atingisse a parte central da cidade, pouco teria sobrado de pé.

Matutino Express - Edoção 158 - 31/05/2014

 

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

Muitos desconhecem que a importação de gás da Bolívia vem desde Santa Cruz de La Sierra até Corumbá e dali cruza todo o Mato Grosso do Sul, incluindo o Pantanal, passa pelo Rio Paraná e vem cortando caminho pelo nordeste do Estado até chegar a Ibitinga, tudo isso por tubos subterrâneos, que se distribuem diretamente nas estações e estas redistribuem o produto, sem falar das próprias empresas que consomem o gás.

Pouquíssimos sabem que aqui está a principal distribuidora do interior, de onde sobem ramificações para Ribeirão Preto via Itápolis e futuramente para Jaú, e continua seguindo via Rio Claro a Paulínia, próximo a Campinas, e dali para outros estados. Um fato interessante na história da construção deste imenso gasoduto, que provavelmente é o maior da América Latina, são os documentos e a travessia sob as águas do Tietê, represado em Ibitinga, por baixo do rio, uma história à parte desse empreendimento.

                A maior travessia de rios ocorreu de Ibitinga a Iacanga, acima do local onde era o famoso Canal de Vamicanga. Esse lago represado do Tietê tinha uma largura e, para isso, foi necessário implantar um canteiro de obras especialmente para tal finalidade. Imagine o leitor, implantar quase três mil quilômetros de tubos com 80 centímetros de diâmetro, submersos e ainda dentro de uma canaleta aberta por máquinas no fundo do rio...

Máquinas especiais fizeram a “cama da tubulação”. Lá, os tubos teriam que se assentar, já devidamente emendados um no outro. Uma boia imensa de quase três quilômetros se estendeu sobre o rio no nível da água, num trabalho de engenharia perfeita, meses de serviço no canteiro instalado aqui em Ibitinga na propriedade dos Flóis. A tubulação foi sendo instalada praticamente pendurada na linha de boias.

Quando tudo estava pronto e os engenheiros tinham certeza que desceriam certinho na cama aberta no fundo do rio, finalmente foi desativado o sistema de segurança que amarrava os tubos nas boias. A imensa tubulação desceu rapidamente com o peso e incrivelmente foi se assentar dentro da vala nas profundezas do rio. Com a certeza de que tudo deu certo, outras máquinas avançavam nas embarcações, aterrando a tubulação no fundo do Tietê. Quase três quilômetros.

Feito esse serviço, chega a hora do teste. Alguém teria que cruzar por dentro da tubulação de Ibitinga a Iacanga, ou seja, de ponta a ponta. Era uma difícil missão. Mas, em clínicas especiais de psicologia, havia gente treinando para a missão. Afinal, se a pessoa sofresse de claustrofobia, não teria saída. Era preciso muito treino. Em poucos metros adentro da tubulação, a escuridão era total. Se desse um desespero na pessoa, era morte na certa e tirá-lo dali com ou sem vida era missão quase impossível.

O escolhido veio, já estava bem treinado e se familiarizou com o serviço. Chegou o dia “D”. Agora era rezar para dar certo. E lá se foi o jovem treinado para atravessar o grande túnel. Horas depois, a comunicação vinha do lado de lá.

- CHEGOU... CHEGOU... INTACTO!

O jovem que viveu essa experiência nos disse numa ocasião que ficou muito tempo na escuridão plena, só com a luz do farolete, verificando se não havia vazamento etc., só muito depois “viu a luz no fim do túnel”. Foi a maior alegria da sua vida. Cumprira com uma missão quase impossível, mas deu tudo certo.

Naquele dia, as turmas se juntaram de lá para cá, para festejarem com um belo churrasco de serviço. Afinal, todos mereciam, pois foi um trabalho de engenharia grandioso e perfeito, de alta tecnologia e coragem humana. Outro rio que sofreu o mesmo trabalho foi o Jacaré Guaçu, mas 60 metros foram suficientes para a travessia. Foi apenas uma brincadeira para aquela gloriosa equipe.

Matutino Express - Edição 159 - 07/06/2014

 

NO TEMPO DOS ALGODOAIS

Quem vê aquele prédio antigo junto ao conjunto da antiga estação de Douradense não imagina o que ele representou para o desenvolvimento de Ibitinga. Lá funcionava a Coopertietê. No prédio paralelo, na Avenida Anchieta, eram as “deslintadeiras de algodão”. Todo algodão que chegava era armazenado e as máquinas separavam os grãos da pluma. Funcionavam dia e noite, mas, na época da safra, a paisagem mudava por aquelas bandas.

Os depósitos não suportavam o volume e os carregamentos ficavam expostos ao tempo com coberturas plásticas. A quantidade era enorme e chegava quase às margens do Córrego São Joaquim. Os plantadores de algodão de Ibitinga e região concentravam toda a carga ali. Para vencer o volume, as turmas e as máquinas trabalhavam constantemente. No dia a dia, viam-se cargas de caminhões de algodão em pluma ou carroças com sementes, que seriam sementes destinadas ao Posto de Sementes do Governo em Ibitinga, atual CATI.

Nessa época, a cidade ainda dependia da energia elétrica que vinha da pequena usina de Gavião Peixoto, tanto é que a mesma continua ativa, próxima ao Rio Jacaré Guaçu. Quando se ligavam as máquinas, o efeito já era sentido em Ibitinga, pois havia uma queda brutal de energia elétrica. Imaginem o potencial daquelas máquinas que trabalhavam dia e noite... quando chegavam os meses que prevaleciam os ventos, o cenário era de gritaria entre as mulheres. O pó gerado pelas máquinas e as fagulhas de algodão deixavam totalmente brancos os telhados das cercanias. E isso gerava descontentamento. De um lado, a bronca pelas consequências geradas. De outro, o orgulho de uma cidade que mostrava a pujança de sua agricultura. Assim eram os algodoais, os milharais, as plantações de amendoim e do café. Tanto é que Ibitinga já teve milhões de pés produzidos.

Ressalto duas figuras daquela época: o senhor Sato, pai do ex-prefeito Yashieo Sato, e Albino de Baptista, que, ao lado dos companheiros de produção, faziam Ibitinga manter seu poder de produtividade. Tudo isso desapareceu. Os pomares de laranja foram substituídos, depois veio a laranja, que enriqueceu muitos. Depois a hecatombe dos citrus, que levaram ao desaparecimento de centenas de pomares produtivos. Agora a paisagem se alterou. Os canaviais substituíram tudo.

A diversificação da agricultura local, de café, de laranja, de algodão e outros cereais foi trocada pela cana de açúcar. Cana, que não tem beleza na sua paisagem e que expulsou da terra o homem da roça, que está aqui, está ali e em todo lugar. Até quando?

Matutino Express - Edição 160 - 14/06/2014

 

AQUELA INESQUECÍVEL FESTA JUNINA EM IBITINGA

Na década de 70, fundamos o “Lions Club Centenário de Ibitinga”. Na época, a cidade contava com dois Clubes de Lions. A primeira turma, antes de tudo, era formada por valentes homens e mulheres, dispostos a cumprirem um programa intenso de realizações e participações. Eu fui eleito o primeiro presidente e, dentro do meu mandato, sugeri e foi aceito por todos patrocinar e realizar uma autêntica festa junina em Ibitinga, mas um evento de verdade, com todos os elementos típicos de uma festa sertaneja, como cumpre a tradição no Brasil.

Com esforço de cada um e empenho de todos, a festa foi realizada. O Esporte Clube Rio Branco cedeu espaço; naquele lugar, fora das linhas do campo de futebol, foi armada a grande barraca e a fogueira. Além disso, também havia algumas churrasqueiras de porte grande para atender a demanda. Ganhamos os animais, que foram abatidos para servir a churrascada. Um tablado dava lugar à dança da quadrilha completa e tinha ambiente para dançar. Contratamos os melhores sanfoneiros e formamos um conjunto musical típico para tocar quadrilha e dançar à vontade.

Acertamos um carro de boi autêntico, que foi emprestado pelo saudoso Milton Fernandes. O carro rasgou a cidade com as rodas cantando e trazendo a bordo o casal de noivos, o padre, os padrinhos e os sanfoneiros. O percurso que ele realizou seguiu desde o Largo São Benedito até o centro, dali até o Campo do Rio Branco. No rastro do boi cantador, a multidão aumentava. Quando chegou ao local da festa, centenas de pessoas caracterizadas lutavam para conseguir o ingresso a preços bem baratinhos. Era uma festa popular. No outro lado do cercado, além das barracas, o espaço era reservado para o “pega-porco”, onde leitoas eram ensebadas e soltas. Quem conseguisse apanhá-las, levava embora como prêmio.

O pau de sebo não podia faltar, tanto que era caprichosamente escolhido pelo Felício Trevisan, que o extraía verde de um eucaliptal e o descascava, ensebava e ficava de cabeça para baixo, tendo na ponta uma nota de dinheiro de valor alto. Quem chegasse lá em cima e arrematasse a nota ficaria com o dinheiro. Imaginem a luta, que durou bom tempo. Só com uma pirâmide humana foi atingida a ponta do pau de sebo. O fogueteiro escolhido para a missão mandava fogo para o céu, pipocando a noite adentro e intercalando com fogos de estrelinhas, que enfeitavam o mês de junho. E por mais que os guardas tomassem conta das cercas do local, muitos moleques conseguiam entrar. Aliás, era parte da festa, diga-se de passagem! Afinal, quem nunca foi moleque em festas juninas?

Outras atrações eram o correio elegante, que funcionava a todo vapor e a cadeia sempre cheia, mas na brincadeira. Batata assada, amendoim, paçoca... não faltava nada, porque os carrinhos tinham licença para vender lá dentro apenas coisas típicas de festa junina. Poucas vezes o Campo do Rio Branco viu tanta gente. Ao som da música junina, a festa foi lá pelas tantas da madrugada e a renda foi destinada à APAE. Ibitinga reviveu naquele dia uma verdadeira e autêntica festa junina e, que me lembre, outra igual nunca mais foi feita.

Matutino Express - Edição 161 - 21/06/2014

 

Era um tempo colorido sim!

NOS TEMPOS DA HERÉDIA

Antes do bordado, principal produto de Ibitinga e de renome mundial, um dos produtos da cidade era a Herédia, produzido pela Indústria Herédita, de propriedade do Sr. Maziero. Por muitos anos, dominou o mercado de creme de barbear e loção pós-barba. Era utilizado pelos salões de barbeiro de todos os rincões de nosso território. O creme de barbear Herédia tinha uma fragrância especial, que agradava a todos e era envazada em potes grandes, que duravam muito tempo no uso diário pelos barbeiros. A água de pepino e a loção pós-barba tinham a mesma referência, devido à qualidade de seu perfume, que invadia os salões onde era utilizada. Em tempo algum se fabricou um talco tão profundamente perfumado, que deixava o recinto da fábrica e as vizinhanças impregnadas daquela fragrância embriagadora. Esse produto era feito em grandes embalagens e ficavam expostos à freguesia. Nos rótulos, lia-se:

PRODUTOS HERÉDIA

FÁBRICA EM IBITINGA – LINHA DOURADENSE – ESTADO DE SÃO PAULO

RUA 13 DE MAIO, 1.119

Estou narrando tais fatos por uma razão: quando criança, meu pai me levava para cortar o cabelo no salão do Sr. Altino, lá em Osvaldo Cruz. Para cortar cabelo de criança, era necessário colocar uma tábua, para facilitar o nível e o corte. Mesmo estando com oito ou dez anos, minha distração era ler o que estava ali na minha frente. Jamais esqueci o que li naquelas embalagens. Nunca me passou pela cabeça que um dia viria morar em Ibitinga e conhecer a indústria, então em plena produção, e conhecer o Sr. Maziero pessoalmente. Acreditem se quiser, como corretor de imóveis na época, fui eu quem vendeu o prédio para a senhora Maria Braga Ocon, que mais tarde deu lugar ao tradicional Restaurante “O Portal”. Ali era a Herédia. Por anos seguidos, em qualquer cidade que a gente estivesse, um barbeiro perguntava:

- O Senhor é de onde?

- De Ibitinga.

- IBITINGA ... A TERRA DA HERÉDIA!!!

Os mais velhos se lembram com saudade dos tempos da Herédia, que levava o perfume de Ibitinga para todos os rincões.

Matutino Express - Edição 162 - 28/06/2014

 

O HOMEM PASSA E AS ÁRVORES PERMANECEM 

Aqui no Jardim Centenário, fomos um dos primeiros moradores no que tange às instalações do Complexo Centro Paulista de Rádio. Lá pelos idos de 1970, morava na esquina da Avenida Guizo Izidoro Dall´Acqua com a João Marques o Sr. Narciso Pinheiro com sua esposa, que eram excelentes vizinhos e, às vezes, éramos surpreendidos com visitas importantes na emissora. E era da casa de seu Narciso que vinha o cafezinho quente para a recepção, inclusive de governadores.

Seu Narciso teve ao longo da vida diversos cargos importantes. Era uma pessoa respeitável e amiga dos amigos. Amava a natureza e, para provar tal fato, plantou na calçada de sua casa algumas árvores que futuramente floresceriam. Eram algumas mudas da “Pata de Vaca”. Lembro-me bem dos cuidados do Narciso em ficar vigilante para que ninguém destruísse ou prejudicasse aquelas mudas em fila de frente para a Avenida. Vimos as árvores crescendo, até que um dia as primeiras flores rosas ou brancas apareceram na paisagem, em frente do Ginásio de Esportes.

A “Pata de Vaca” tem o poder de se manter aflorada por longo tempo e, assim, quando chega o inverno, as flores surgem e enfeitam esse pedaço importante do Centenário. A Feira do Bordado, iniciada em 1974, aconteceu por longos anos no prédio onde funciona a atual FAIBI. Depois, cresceu e passou para o Ginásio de Esportes “Paulo Rodrigues Teixeira” e, por muito tempo, esse lugar foi palco do evento que mais tarde passou a ocupar o outro ginásio. Assim, os dois pavilhões acabaram ficando pequenos para a grandiosidade das Feiras. Então, o Prefeito Dr. Florisvaldo A. Fiorentino construiu naquele mandato o recinto definitivo da Feira do Bordado.

Mas voltemos ao assunto que deu origem a esta história. O tempo passou, seu Narciso faleceu e muitos ocuparam aquela casa. Porém, o respeito pelas árvores permanece até hoje. A “Pata de Vaca” se desenvolveu e está com grande porte, mostrando anualmente uma florada sensacional, que dura um bom tempo. Justamente em julho, na época da Feira do Bordado, elas florescem e mostram sua grande beleza.

A Feira foi lá para a Zona Sul, mas na esquina da Guido Izidoro Dall´Acqua com a João Marques, as árvores mostram sua florada monumental todos os anos. Ali está a alma e o coração do homem que as plantou. Neste momento que escrevo a crônica, elas estão bem aqui perto de onde moramos e trabalhamos. Há milhares de flores mostrando sua beleza em pleno inverno. Narciso se foi, mas as árvores que plantou continuam fiéis à missão de embelezar o ambiente.

Dedico este texto ao Dr. Luiz Flávio, ex-Juiz de Direito, hoje já aposentado, filho do saudoso Narciso.

Matutino Express - Edição 163 - 05/06/2014

 

O CASO DO DR. GENÉSIO – O GINECOLOGISTA

Lá pelos idos de 1970, Ibitinga sofria a carência de mais médicos. Eram poucos para muito atendimento e cada vez que surgia a possibilidade de um novo médico vir atuar na cidade, a noticia era muito bem vinda. E foi assim que apareceu em Ibitinga o Dr. Genésio. Dizia-se médico ginecologista, que já tinha completado residência num hospital de São Paulo, portanto, com larga experiência no ramo. Óbvio que foi bem recebido, o que, aliás, é normal em Ibitinga, uma cidade altamente hospitaleira e o Dr. Genésio dizia que “veio pra ficar”.

Assim, tratou de manter contato com a Santa Casa e iniciou a montagem de seu consultório. Comprou móveis nas Casas Saad, alugou o prédio sem precisar de fiador e começou a consultar na cidade, já ganhando rapidamente clientela, não só de Ibitinga, mas de toda a região. Além disso, assistia as operações cirúrgicas no hospital. Mas foi quando começou a dar trabalho para receber que os irmãos Saad desconfiaram. Fizeram uma consulta, mesmo com as dificuldades da época, e tiveram as piores informações conquanto à idoneidade financeira do cidadão. Conseguiram receber, a duras penas, o que lhes havia sido vendido. Todavia, os médicos também desconfiaram, pois esse Dr. Genésio nunca havia mostrado qualquer documento que garantisse a profissão, sempre arranjando desculpas.

E foi na agência Chevrolet, quando tirava um Opala zero quilômetro, que descobriram tudo. Já com o carro faturado, a confirmação chegou. O homem não era médico coisa alguma. Tratava-se de um charlatão de primeira grandeza, com passagens pela Polícia de diversas cidades e que já dera prejuízo a muita gente. Foi nessa hora que a “casa caiu”.

Levado o fato ao conhecimento da Polícia, não houve tempo. Desconfiado que uma “bucha” o esperava, o Dr. Genésio apanhou o primeiro táxi que encontrou, com o motorista Angelucci, mais conhecido por “Miserinha”, e se mandou para Bauru. Naquele tempo, a estrada para Bauru era ainda através da Laranja Azeda, sem asfalto e enfrentava-se um poeirão pesado.

Foi assim, com a roupa que fora branca, agora amarela da poeira de terra roxa de Ibitinga, que o Dr. Genésio ganhou rumo ignorado, nunca mais dele se tendo notícias. O vigarista, entretanto, jamais foi esquecido.

Matutino Express - Edição 164 - 12/04/2014

 

PARADA PARA UM CAFEZINHO

Naquele tempo, idos de 60, 70, a então Estrada de Ferro Douradense vivia seus últimos dias de glória, antes de seus trilhos serem arrancados. Nesse contexto, ela continuava a servir Borborema e Novo Horizonte. Havia outra linha que saía de Tabatinga e seguia até Itápolis. A Maria Fumaça trilhava as curvas e retas sempre procurando acompanhar o leito de algum córrego, nos muitos vales que a região possuía. Quando entrava em Ibitinga e deixava a cidade a caminho de Novo Horizonte, contornava a cidade por fora de leste para norte, passando ali pelo hoje “Trevo do CBI”, avançando numa grande curva, onde hoje é o Clube Andreza, e seguia em frente.

Um imenso laranjal tomava conta daquele território e dominava lá onde hoje é o Jardim Tropical, Parque Industrial, parte do hoje Jardim Centenário. Lá embaixo, na beira da Linha Férrea, morava o administrador do pomar, numa casinha de tijolos, coberto de telhas, bem ao estilo, a poucos metros da linha. Era o Sr. Emílio Paçan e sua esposa Adélia. Gente boa, simples, da roça, tornou-se amigos dos maquinistas e foguistas que conduziam o trem. Naquele trecho, a Maria Fumaça era lenta, vagarosa e um bom corredor pegaria uma carona com facilidade. Quando passavam, saudavam o casal, nascendo ali uma amizade de fato. Um dia, na hora exata da passagem, acabava de ser passado um cafezinho quente. Era um dia de julho, frio, ainda mais ali que era uma baixada. Nessa baixada, Seu Emílio corria, erguendo uma caneca ágata e oferecia gritando:

- Vamos tomar café! Feito agora...

E qual não foi a surpresa quando o trem parou, desceram foguistas e maquinista, deixando a máquina bufando e soltando rolos de fumaça branca, e foram aceitar a oferta do Paçan. Bateram um rápido papo, tomou cada qualquer uma chávena de café quente e forte, comeram alguns pedaços de bolo de milho, agradeceram e reassumiram o poderoso veículo, que arrastava vários vagões de carga rumo a Borborema e Novo Horizonte.

 Surgiu uma grande amizade entre o casal, Emílio e Adélia, e o pessoal da Douradense. Nos dias em que os dois ferroviários calhavam a vir juntos, era normal a paradinha para tomar o café do casal.

O FIM DA DOURADENSE

Uma noite, um trecho lastro chegou devagarinho à cidade de Itápolis. Juntos, dezenas de trabalhadores começaram a arrancar tudo o que pertencia à Estação da Douradense, que rapidamente eram colocados nos vagões. Quando amanheceu o sábado, Itápolis havia perdido seu ramal. Ibitinga e Itápolis viviam sempre às turras; eram cidades rivais. No domingo, às 10 horas, entrei no ar pela Rádio Ibitinga e disse aos ouvintes:

- Itápolis, na calada da noite, covardemente perdeu seu ramal ferroviário. Amigos de Ibitinga, rivalidade à parte, vamos lamentar o ocorrido. Itápolis, na calada da noite, perdeu seu trem. Esperem para ver. Muito em breve, eles tiram também a Ferrovia de Ibitinga.

Dias depois, foi a vez de Novo Horizonte e Borborema, mas antes de chegar a Ibitinga, em pleno regime militar, ergui a bandeira em defesa da manutenção da estrada.

- O arranchamento de trilhos para em Ibitinga. Aqui não. Porque o povo se levanta e impede, tenham certeza que lutaremos pela ferrovia.

Um acordo entre o município e a direção Douradense, com o aval da Secretaria de Viação de São Paulo, que tinha à frente o Dr. Caio Martins Pereira de Souza, filho de Washington Luís, foi assinado. A estrada continuaria normalmente funcionando entre Ibitinga e São Carlos, até que a estrada oficial para Araraquara, hoje Rodovia Deputado Victor Maida, fosse asfaltada. Dois anos depois, no fim da década de 60, a rodovia asfaltada chegava ao trevo de Ibitinga. A estrada de Ferro Douradense paralisava suas atividades e os trilhos foram retirados a partir de Ibitinga. Fim da era Douradense, que deu nome, naquela época, a toda nossa região. E fim do cafezinho também…

Matutino Express - Edição 165 - 19/07/2014

 

O CASO DO DISCO VOADOR

Em Julho de 1969, o Zé Marçal tinha um bar e empório na velha estrada de Ibitinga a Bariri, próximo ao Bairro dos Coqueiros. Lá se juntava muita gente, principalmente à tarde, depois do serviço. Eram todos moradores do bairro. Aliás, o Bairro dos Coqueiros sempre foi um local rural muito habitado. Entre aqueles que estavam ali na boca da noite, tinha um garoto de uns 12 anos, que trabalhava e morava com o Sr. João Inocente, num sítio do bairro, em frente ao Sítio do Mota, já pendendo para o Bairro do Bugio.

Eram sete horas da noite quando o jovem deixou o local. Como já estava muito escuro, desceu para a casa onde morava. Foi no sentido Ibitinga-Bariri, esgueirou à esquerda, em frente ao Sítio do Mota, entrou pela estradinha de terra, que ligava a Estrada Municipal de Ibitinga a Bariri, pois não havia ainda rodovia asfaltada naquela época e a pé se caminhava tranquilamente.

                De repente, segundo ele, observou algo esquisito, com luzes acesas, que vinha no sentido oeste a leste, foi descendo até aterrissar no meio de um pasto, exatamente onde ele passava a caminho de casa. Pasmado, ouviu abrir uma portinhola e uma escada automática, de onde desceram dois estranhos seres de pequeno porte, de cor verde, que partiram para cima do garoto, tentando agarrá-lo. Lá dentro, uma luz verde iluminava o ambiente e um terceiro ser idêntico continuou lá a observar e não desceu.

A luta foi dura. Por mais que os ET´s lutassem, não conseguiram dominar o menino, já acostumado à luta dura da roça. Lá na casa do João Inocente, onde morava, cachorros latiram, galinhas cocorejavam, enquanto a luta no meio do colonião continuava, na terra seca da área. Subindo no sentido Bariri-Ibitinga, vinha um caminhão pesado e com faróis altos, cuja claridade chegava até o local da refrega. De repente, os ET´s desistiram, largando o garoto no chão, sem êxito na empreitada de levá-lo a bordo à força, retornando rapidamente para dentro da estranha máquina. A escada subiu, a porta se fechou e o disco, em rápidos instantes, ganhou o espaço e desapareceu na direção do Rio Tietê, de onde aparecera.

A notícia chegou cedo à Rádio Ibitinga. Fui pessoalmente constatar o caso. Na casa do saudoso João Inocente, estava o garoto deitado, que não conseguia falar, pois estava com a linguagem enrolada, produto do susto que vivera. Foi no meu Aerowillys que o trouxe à cidade e foi o Sr. Flávio Pinheiro, ilustre médico, que o atendeu. Durante dois dias, ele ficou internado, até se recuperar do trauma e falar corretamente, pois estava com dificuldades.

Em gravação, ele contou sua aventura em detalhes. Interessante é que no local do entrevero citado pelo menino havia pelo menos duas marcas de uma pegada que ali se assentou (era um tripé). O capim colonião estava todo amassado pela luta e pelo próprio movimento da nave, comprovando o fato. O Sr. João Inocente relatou ter ouvido gritos de socorro, mas nem tinha ideia de onde vinha. O fato ocorreu a uns 200 metros da sua casa, à margem da estradinha de terra que ligava sua propriedade aos Coqueiros.

O fato de o garoto ser encontrado praticamente sem fala, todo sujo de terra vermelha e ficar internado na Santa Casa por dois dias comprovou todos os fatos. E aparelho de tevê era algo raro na época. Conclusão: Dias depois, o Globo Repórter exibia algo parecido e poucas pessoas que tinham tevê assistiram. Porém, a reportagem era de uma estrada de Goiás. A única diferença é que lá o sujeito foi levado e reapareceu tempos depois, numa cidade da Venezuela, e não soube explicar como aquilo aconteceu.

Coincidência ou não, não há como duvidar. Hoje não sei onde está esse “garoto”. Acredito que já deve ter filhos e pode estar ainda aqui em Ibitinga. Quem mora lá pelos lados dos Coqueiros e ainda está vivo pode confirmar o que acabamos de escrever.

Cada um tire suas próprias conclusões!

Matutino Express - Edição 166 - 26/07/2014

 

PENSO, LOGO ESCREVO...
ROQUE DE ROSA LANÇA SUA 23ª OBRA “E PARECE QUE FOI ONTEM 2”

O jornalista, empresário e escritor Roque de Rosa, 78 anos, parece que não se incomoda com o tempo e o espaço. Percebe-se apenas que, o que mais o preocupa é a necessidade de transferir para o papel, através de sua companheira e insubstituível máquina de escrever, seus feitos, histórias e acontecimentos que, de forma detalhada, minuciosa, aplica na narrativa de seus 23 livros já publicados.

Nesta semana, a cidade de Osvaldo Cruz ganhou mais uma obra do escritor, que viveu naquelas terras e hoje traduz seus tempos nas páginas do segundo livro sobre a cidade, intitulado “E parece que foi ontem 2”. “Ao lançar esse 23º trabalho, nem eu próprio acreditei que poderia chegar a esse tanto. Um dia, vários poetas da cidade se juntaram para lançar a ‘Antologia da Poesia de Ibitinga’ - era o primeiro trabalho coletivo da cidade, para mostrar os valores que tínhamos. Inclusive eu estava lá. Depois, motivado pelas belezas do Pantanal Paulista, decidi escrever o ‘Homem e o Rio’, retratando até então o que já conhecia de rios pelo Brasil afora”. De Rosa afirmou que a princípio, o primeiro livro foi um fracasso. Depois veio o sucesso. Quem tiver o volume do “Homem e o Rio” até hoje, se desejar vendê-lo, vai pedir caro. “Livro é como automóvel. Quanto mais velho, mais caro é, pois vira relíquia”, cravou Roque.

PRAZER X COMÉRCIO

Roque de Rosa nunca escreveu para ganhar dinheiro. Mas, como não consegue ficar nas suas horas de folga “coçando”, então escreve, escreve e escreve. “Não me considero escritor, mas um curioso das letras, que gosta de criar e trabalhar com as palavras. Viagens, aventuras, experiências, sorrisos, sofrimentos, alegrias e tristezas, tudo isso é motivo para a gente escrever”.

CRIATIVIDADE EM ALTA

Uma das maiores dificuldades entre as pessoas é construir obras literárias que envolvam o leitor, aflorando emoções, na sua maioria positivas. Roque de Rosa demonstra que não tem nenhuma dificuldade em criar. “Sempre tive facilidade para criar. Digo sempre que, de uma vírgula, faço uma nova história com tamanha facilidade. Nem escrevo com ‘palavrórios’, mas sempre com simplicidade, para que todos entendam o que quero passar”.

SEGUNDO E ÚLTIMO LIVRO DE OSVALDO CRUZ

Este último lançamento é a sequência do “E parece que foi ontem”, baseado na antiga obra que De Rosa escreveu para o Jornal de Oswaldo Cruz, através de uma coluna semanal. O primeiro livro teve a reserva de 500 exemplares para a cidade e tudo foi vendido em menos de quatro dias, num recorde absoluto, enquanto aqui, em Ibitinga, foram mais 500 exemplares na promoção feita em parceria com as Organizações Paulinha.

O livro “E parece que foi ontem 2” já nasceu totalmente vendido. Segundo Roque, serão 500 livros para Osvaldo Cruz, cuja loja tinha até quarta-feira última, 30, uma lista com mais de 200 encomendas. O lançamento será dia 04 de agosto e, com certeza, assim como o anterior, vai faltar muito livro para atender os leitores. “Quem ler perceberá que encerro o livro me despedindo da gente de Osvaldo Cruz, pois não pretendo continuar escrevendo sobre esse tema, que já gerou duas edições”.

Matutino Express - Edição 167 - 02/08/2014

 

PRÓXIMO TEMA: IBITINGA

                Com vigor e uma saúde de dar inveja, o escritor fala sobre seu próximo livro, agora voltado para Ibitinga, com aquelas histórias que são publicadas semanalmente aqui no “Matutino Express”, que deverá ter o título “O outro lado de Ibitinga”. Até lá, ficamos nós, leitores, acompanhando o quadro “Histórias de Ibitinga” pelas páginas do ME. “Enfim, escrever é bom. Basta ter vontade e criatividade”, finaliza Roque de Rosa. 

 

100 ANOS DE PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Na semana que findou, o mundo “comemorou” 100 anos da Primeira Guerra Mundial, que aconteceu entre 1914 a 1918. Embora utilizando ainda armamentos longe do que temos hoje, em poder dos países chamados fortemente armados, o conflito foi devastador. Aquela guerra, que mudou o mapa da Europa e da Ásia, deixou o mundo com menos de 18 milhões de habitantes, pois foi aproximadamente este o número de mortos.

Já se utilizavam tanques arcaicos, mas de alto poder de fogo e de avanço. Fuzis e metralhadoras já eram armas principais. Mas por incrível que pareça, navios a vapor eram utilizados na guerra com certa eficiência, foguetes de bom alcance e, acreditem: aviões se digladiavam no ar. O que sobrou dessa guerra para o Brasil? E para nossa região? Os imigrantes. Com o cheiro da guerra no ar, italianos, japoneses, espanhóis, alemães e outros abandonaram tudo e vieram para o Brasil, um país rico, com tudo por fazer e com promessas de futuro, longe da guerra.

Hoje são milhares de descendentes que estão aí, prestando serviços a nosso país. Interessante foi ver, num documentário recente, aviões da época guerreando no ar. Santos Dumont, pai legítimo da aviação, não gostou do que viu. O avião que ele fez visava encurtar distâncias e servir ao povo de forma pacífica, não para guerra. Nunca!

Daí veio a Revolução de 32. São Paulo, contra o resto do Brasil, exigia uma Constituição. Outra vez surgiam os aviões “vermelhinhos e amarelinhos”, servindo os dois lados e bombardeando cidades, matando gente inocente. Num hotel de três andares, num pequeno morro do Guarujá, onde hoje é um shopping, bem às margens do mar, nosso herói brasileiro morreu. Santos Dumont suicidou-se no banheiro do hotel e ali foi encontrado morto por enforcamento. Lá no Guarujá, numa das principais avenidas, está o carro fúnebre que levou seus restos mortais para o Campo Santo de Guarujá. A cidade tem Dumont como seu herói. Morreu por quê? Talvez porque se arrependeu de ter construído algo mais pesado que o ar. Assim acreditavam os pesquisadores.

E para Ibitinga? O que sobrou daquela grande guerra? Os imigrantes. Eles vieram para as lavouras de café desta região. Os Briguelli, Mádaro, Ambrizzi, Novelli, Inocennti, Granela e outros de origem italiana, que se multiplicaram e hoje são centenas de milhares. Os japoneses seguiram o mesmo rumo, como Sato, Itao, Nakamura, Kubota, Takakura e outros. Os espanhóis também se multiplicaram, como os Zapatta, os Camas, Sanches, Ruiz e os alemães, como os Flóis, entre outras gerações. Os velhos, todos falecidos, viveram, lutaram, cresceram com suas famílias e agora descansam em paz no Campo Santo de Ibitinga.

Eu sou um descendente. Meus quatro avós, todos italianos que vieram na mesma leva dos ibitinguenses, foram se espalhando pelo interior, como Ibitinga, Matão, Ribeirão Preto, Uchôa, Catanduva e depois os novos descendentes foram para o Paraná, regiões novas de São Paulo, como Alta Paulista, Sorocabana, Noroeste, Mogiana, onde encontraram outro tipo de gente: o migrante nordestino, que fugia das secas e procurava São Paulo para sobreviver.

Essa mistura é o brasileiro de hoje, que carrega nas costas o “gigante que dormia em berço esplêndido” e agora acorda para buscar sua posição no primeiro mundo.

Matutino Express - Edição 168 - 09/08/2014

 

KAY JENSON, NOSSO HERÓI NACIONAL

Quando cheguei a Ibitinga, em 1964, a cidade era pequena, assentada no tradicionalismo e deixava o mundo girar. Ao longo do tempo, conheci Kay Jenson, um cidadão que foi um dos centenas de pracinhas brasileiros que lutaram nos campos da Segunda Guerra Mundial contra soldados alemães.

A guerra fraticida durou mais de quatro anos e milhões morreram em diversos pontos da Europa, Ásia e Oceania. Cada país tinha sua posição, mas não obrigatoriamente participava da refrega. O Brasil teve alguns navios afundados por submarinos alemães. Pelo menos é o que teria motivado a participação militar brasileira nos campos inimigos. Ficamos entre os “aliados”, junto com os EUA, Rússia, Inglaterra e França. No “Eixo”, a liderança da Alemanha de Hitler, o Japão de Hiroito, a Itália de Mussolini e inúmeros países desses continentes buscavam se fortalecer.

Foi uma guerra terrível. A diferença da Segunda Guerra Mundial é que nesta tudo tinha evoluído e era bem mais rápida a ação terrível de destruição por vias aéreas, terrestres, marítimas e a famigerada bomba atômica, que viria a ser utilizada para colocar fim definitivo aos embates. Duas delas caíram sobre o Japão, especificamente nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, matando milhares e ferindo outros milhares pela radioatividade, isso sem falar do massacre ocorrido no holocausto nazista, que matou mais de seis milhões de judeus inocentes.

O Brasil limitava-se aos campos da Itália, até então inimiga, ao lado da Alemanha. E foi nesse território ondulado de montanhas alpinas e enfrentando gelo terrível e calor insuportável que os soldados brasileiros enfrentaram a guerra. Foram vários escalões. Entre eles, o ibitinguense Kay Jenson, que teve participação ativa na luta frente a frente com os inimigos. Quando o conheci em Ibitinga, sua situação era periclitante. As sequelas da guerra atingiram seu ânimo. Aqui deixava a família, mulher e filhos para atender à convocação e lá permaneceu em luta por um longo período.

Ao retornar, não houve nenhum mérito pelos seus feitos e Kay ficou desempregado. Consequentemente, sua família empobreceu e lhe restou apenas o álcool como companheiro. Foi assim que o encontrei, mas consciente de tudo. Na primeira conversa, contou-me trechos de sua vida no “front” e os momentos cruciais:

- Na guerra, a lei é matar ou morrer. Eu estou vivo nem sei como e não quero nem recordar daqueles momentos. No escuro todo gato é pardo! Fiz o que me mandaram e não o que eu desejava. Eu queria paz e retornar o mais urgente possível. Contava horas e minutos e o que me consolava é que os italianos que haviam perdido o Mussolini, primeiro mandatário responsável por ter “enfiado” a Itália na guerra, gostavam de saber que ali estavam brasileiros, pois, na verdade, aquelas cidades acabaram defendidas por nós e quando passavam em marcha pelas ruas, nos aplaudiam. Dá para acreditar?

Convidei Kay para uma entrevista na Rádio Ibitinga. E ele veio no dia marcado para contar como participou da guerra. Tinha uma mágoa: no retorno, não houve nenhuma homenagem, nenhum agradecimento em especial, nada que o permitisse retomar a vida, pelo menos. Os filhos cresceram e estavam sofrendo com a falta de um pai. Na verdade, tinha mágoa de tudo. Nós o incentivamos, destacamos seu pai, sua coragem, seu heroísmo, seu espírito de luta defendendo o país, procuramos levantar sua moral e acredito que conseguimos parcialmente.

A partir de então, ele virara exemplo de coragem e referência em nossos noticiários e assim saiu do ostracismo. Faleceu pouco tempo depois, mas com as honras de herói, que lutou nas longas frentes de combate. Kay viu amigos levados à morte pelas balas inimigas, atirou e ficou na mira das metralhadoras, mas, com a ajuda de Deus, conseguiu voltar a sua pátria e a Ibitinga.

Kay Jenson hoje é o nome de uma das principais ruas da Vila Maria. Isso retrata que Ibitinga reconheceu seu drama e lhe prestou uma justa homenagem, mesmo depois de sua morte. Procurando nos meus velhos e mal organizados arquivos, devo encontrar ainda material de guerra que ele me deixou, inclusive publicações incentivando a guerra, ainda com a mancha de sangue dos inimigos. O ilustre Kay Jenson será inesquecível na história local.

Matutino Express - Edição 169 - 16/08/2014

 

UM PAPAI NOEL GIGANTESCO 

Eu já residia aqui há 3 anos quando comecei uma campanha para ativar a Associação Comercial e Industrial de Ibitinga, que também já funcionava há muito tempo, porém estava em frangalhos. Pelo rádio, convidei os comerciantes e industriais e expus a situação. Era preciso reviver a ACII. Na mesma noite, foi convocada uma reunião, onde meteram o dedo no meu nariz e disseram:

- É você?! Por unanimidade, está eleito. Forme agora o restante da diretoria!

Não era essa a minha intenção. Jamais. Porém, diante do inusitado, tornei-me Presidente da entidade e comecei um trabalho com os colegas de diretoria, no sentido de ampliar o quadro, buscar renda, reformar o prédio e comprar um telefone automático. Logo adquirimos uma copiadora e a Associação passou a ser entidade viva na cidade. Foram feitas muitas campanhas, inclusive a da criação de um Distrito Industrial, com doação de terras a quem viesse construir comércio no local. Naquele tempo, nem se falava em Bordado. As empresas que se manifestaram foram o Frigorífico Periól, atual Glutão, e uma indústria de gesso. Depois de 25 anos, surgiria o primeiro Distrito Industrial.

Mas, entre tantos fatos que ocorreram na época, Ibitinga se destacou nas festas de Natal. Estava na cidade um artista de Ribeirão Preto, chamado Gastão Miranda. Ele era meu amigo de longa data e tinha um talento incrível. Combinamos de construir um grande Papai Noel no centro da cidade. E lá, Gastão ficou dias e mais dias desenhando e recortando as peças, num amontoado que só ele entendia. Foram precisos cordas e cabos de aço para mantê-lo de pé. Onde? Exatamente na entrada da Praça Rui Barbosa, como quem sai do HSBC.

A prefeitura me ajudou na montagem e lá foi implantado o gigantesco Papai Noel, com mais de 30 metros de altura. Quem passava embaixo dos seus sapatos notava que sua cabeça ficava com a sola bem abaixo. O Papai Noel, com o saco vermelho e branco nas costas, se via de longe e virou atração da garotada. Paralelamente, Gastão fez duas passagens de madeira com enfeites natalinos na Rua José Custódio e Prudente de Moraes, ambas nas esquinas da Avenida Dom Pedro II. Formou-se um lindo conjunto. Pela primeira vez na cidade, tinha algo de diferente no Natal. Certa noite não consegui dormir. Estava chovendo forte e o simpático Noel tinha tudo para estragar e ser mandado para o chão.

Amanheceu e logo de madrugada fui ver o estado da montagem. Fiquei feliz ao vê-lo de pé e preso aos seus cabos esticados, com as cordas, mais ainda devido à intensidade da chuva. E assim passou-se o ano de 1970. Foi no meu tempo que criamos o SPC, que depois se tornaria a “alma do comércio e indústria de bordados”. E era um dos melhores do Estado. O que fizemos naqueles três ou quatro anos na presidência da ACII deve estar registrado nas atas da época.

Agora, o que não esqueço é do Papai Noel gigante. Uma pena, mas não tenho nenhuma foto da obra. Todavia, acredito que muitos fotografaram. Eu gostaria de ter uma cópia dessas fotos para mostrar à atual geração. Aquilo foi feito no peito, na raça. Quem é daquele tempo há de se lembrar. O Papai Noel fez tremendo sucesso! Inesquecível.

Matutino Express - Edição 170 - 23/08/2014

 

NOS TEMPOS DO TELEFONE À MANIVELA

Quando cheguei a Ibitinga, em 1964, acreditem se quiserem, o telefone ainda era à manivela ou magneto. Você virava a manivela, a telefonista atendia, pedia um número, ela ligava e completava a ligação, igual nos tempos do faroeste. Do lugar que eu vinha, o telefone já era semiautomático há muito tempo. Por isso, estranhei. Falar na distância era um suplício, horas e horas para esperar completar uma ligação.

Na Prefeitura, o então prefeito Doutor Olderige Dall’Acqua sofria com uma Câmara de Vereadores sem apoio. Naqueles tempos, vereador não ganhava nada. O Prefeito, então, mandou para a Câmara um projeto que autorizava o executivo a fechar contrato com a Companhia Telefônica Brasileira (CTB) para a implantação do telefone automático em Ibitinga. A Câmara simplesmente refugou e não aprovou o documento. O prefeito me chamou na prefeitura e disse:

- Roque, esse projeto foi rejeitado. Impossível, mas foi. Vou esperar certo tempo, daí remeto outro e tentarei a aprovação, pois não é possível que nossa cidade permaneça com telefone à manivela. O problema é a reação da Câmara, que será dura. Por isso, preciso do apoio da Rádio. Os vereadores têm que entender que temos de crescer, melhorar, atualizarmo-nos, enfim, darmos um passo grande para o progresso da telefonia. Vê se você pode me ajudar nessa!

Quando o projeto voltou à Câmara, já tínhamos feito um trabalho intensivo de justificar a necessidade da aprovação. Na verdade, pressionávamos o Legislativo a aprovar o documento. Naquele tempo, o Legislativo funcionava ali no Centro, ao lado do saudoso “Restaurante Bambu”. E chega o dia da votação. Fiquei do lado de fora ouvindo vereadores se manifestando. Nunca vou me esquecer de um deles, da oposição, quando, entre outras coisas, disse, referindo-se a mim:

- Esse projeto de telefone eu não aprovo. Só porque um forasteiro e aventureiro que vem dos ‘quintos dos infernos’ enche a cabeça do povo para mudar o sistema. O que temos não está bom? O telefone por acaso não fala? É só virar a manivela e pronto. Para que esse tal de automático? Tenha a santa paciência! Eu não aprovo! Não aprovo mesmo!

Mas a opinião de outros vereadores da oposição já tinha se modificado e culminaram em aprovar o projeto, que também foi autorizado pela Prefeitura, que assinou o convênio. Foi uma grande conquista! Não preciso dizer qual foi minha resposta pelo Rádio no dia seguinte. Lógico que dei o troco. Vou omitir nomes, isso pouco importa se o fato ocorreu há mais de 40 anos atrás.

Assinado o contrato, a CTB o enviou à TELESP e começaram a implantar os telefones automáticos na cidade. Assim passamos a ter seis algarismos, começando pelo prefixo “4-2”. Logo depois, foram inauguradas as torres para a futura implantação do DDI e do DDD, inaugurado em 1978. A briga pelo telefone teve mais prolongamentos, mas valeu a pena. Ibitinga foi a PRIMEIRA CIDADE a ter a telefonia semiautomática. Antes mesmo de Araraquara, ela já usava seis algarismos. Hoje são oito e o celular, nove.

As demais cidades continuaram na manivela por muitos e muitos anos. Ganhamos a dianteira. Atualmente quem tem um telefone à manivela deve saber que a peça é uma preciosidade para o museu e para colecionadores. Vale muito! Essa é mais uma história de Ibitinga, que precisava ser contada. E ponto.

Em tempo: a Câmara da época, que nos deu o título de “forasteiro, aventureiro e sapo de fora” em 1978, trocou o título pelo de “Cidadão Ibitinguense”, fato que muito nos orgulha.

Edição 171 - Matutino Express - 06/09/2014

 

PRAÇA JORGE TIBIRIÇÁ - A RENASCIDA

Depois do mandato do Dr. Olderige Dall’Acqua, o Dr. Victor Maida assumiu seu último mandato como prefeito de Ibitinga. Quem o conheceu, lembra que ele tinha um forte gênio político, poucas vezes igualado por esses rincões. Não é à toa que chegou a elevados cargos, como Deputado, Presidente da Assembleia Legislativa e, algumas vezes, substituto do Governador por alguns períodos, além de ser prefeito em Ibitinga por vários mandatos. Também era dono de um carisma espetacular e, quando ocupava cargos de comando, tomava decisões inesperadas.

Na década de 70, a Praça Jorge Tibiriçá não passava de um amontoado de árvores, restos de uma piscina infantil e uma escola, tudo cercado por fios de arame farpado. Ela estava nas piores condições possíveis. Ao assumir a gestão municipal, o Dr. Victor Maida me chamou em seu gabinete e disse:

- Roque, você precisa me ajudar a substituir essa “coisa” aí na frente da Prefeitura e implantar uma praça de verdade.

O que ele queria é que a praça velha fosse vista como algo que deixasse a região central da cidade mais feia e causasse má impressão aos visitantes. Ele queria que eu fizesse a cabeça do povo. De imediato, atendi ao pedido e passei a defender a ideia nos jornais falados da Rádio Ibitinga. Divulgava que a cidade precisava de uma praça nova. Dias depois, tratores entravam na velha praça e limpavam o terreno. Tudo foi para o chão. Surgiu, então, um novo projeto para o local, idealizado por um paisagista de Jaboticabal. Da velha praça, só restou o nome de Jorge Tibiriçá. Foi uma mudança radical.

É lógico que a celeuma ganhou espaço e seguiu por vários dias nas rodinhas da cidade. Uns se posicionavam contra, outros a favor. O bom é que a oposição não teve grande reação. As obras caminharam depressa e a expectativa do povo também. O paisagista era um homem forte, de pouca prosa, mas muito competente. Num curto prazo, tudo estava pronto e o local passou a receber mudas de árvore e adrede selecionadas.

No centro da praça, havia um espelho d’água arredondado, cercado por muitas flores, onde se movimentavam peixes ornamentais. Já era tempo de se preocupar com o mosquito Aedes aegypti, que provocava a temida dengue. E aquele tanque era ideal como criadouro de larvas. Alguns anos mais tarde, esse espelho gerou alguns problemas. Na gestão do Prefeito Roosevelt, o espelho desapareceu e deu lugar à Concha Acústica, que existe até hoje.

O tempo passou e a praça passou a gerar resultados: suas árvores cresceram e floresceram, mostrando sua real beleza. Até os dias atuais, o local continua preservado e despertando olhares curiosos para o seu palco, onde ocorrem apresentações artísticas, culturais, shows musicais, além de exposição de veículos antigos etc. A troca valeu a pena. Da velha praça, só restou saudade dos que frequentaram a escolinha ou a “Piscina Infantil Dr. Ferraro”, provavelmente a primeira piscina surgida na história de Ibitinga.

Mas o fato é que não havia conserto para a antiga praça e o melhor foi substituí-la. Quem aprovou foi o Prefeito Dr. Victor Maida, na década de 70. Anos mais tarde, o Prefeito Dr. Licínio H. Oliveira Arantes implantou o busto da Dona Dioguina Sampaio no local, historicamente a fundadora do bordado de Ibitinga. Assim, a praça passou a ser completa. Essa era mais uma história que precisava ser contada.

Edição 172 - Matutino Express - 13/09/2014

 

A VILA IZOLINA ERA LONGE DEMAIS! 

Nos idos de 70, Ibitinga continuava sonhando com casas populares. Um dia, a Prefeitura Municipal resolveu enviar para o legislativo um projeto para a construção de 200 casas, que seriam financiadas pelos programas de habitações em longo prazo. A cidade precisava dessas moradias. No projeto, o município indicava um terreno na Vila Izolina, ainda então um esboço de loteamento, pronto para ser lançado pelo saudoso Walfrido Roberto, o popular Kiko.

Na Câmara, a discussão foi longa e cansativa. Importante salientar que nessa época os vereadores não recebiam salário e os prefeitos tinham de enfrentar uma forte oposição contra seus projetos. Com as casas populares não foi diferente. A oposição caiu de pau em cima das pretensões do então prefeito Dr. Victor Maida. Um dos argumentos usados era de que o terreno destinado para aquelas moradias ficava muito distante e a cidade não tinha sequer ônibus circular para transportar a população.

A briga se estendeu e nada foi acordado. Colocado em primeira votação, o projeto foi rejeitado. O prefeito voltou a insistir. O documento voltou para a Câmara, com algumas alterações. E mais uma vez foi derrotado.

- Onde já se viu morar naquela distância? A Vila Izolina é um local muito longe...

Não preciso dizer que, no jornalismo da Rádio Ibitinga, ficamos ao lado do projeto e acompanhamos com entusiasmo todo o assunto. Infelizmente Ibitinga continuou sem casas populares. Esse quadro somente se alterou quando o Dr. Licínio Arantes assumiu a Prefeitura, enfrentou o problema e implantou a Vila Maria, Nosso Teto I e II e “sessenta casas” que, somadas, totalizavam 1000 moradias. Os projetos populares da zona leste acabaram recebendo o nome popular de “Vila Maria”.

Já a Vila Izolina cresceu naturalmente para a zona oeste. Além disso, o bairro se cercou de lojas, indústrias de bordados e oficinas. Na praça, o saudoso padre Eutímio construía a Igreja de São Pedro e São Cristóvão. Atualmente, o local é sede da 5ª Paróquia de Ibitinga. O tempo se encarregou que futuros prefeitos viessem a criar novos blocos. Hoje, sabe-se que a Vila Izolina fica muito perto da região central. Naquele tempo, o local era considerado muito longe. Por isso, não foi aprovado.

Tais fatos são coisas de um passado não muito distante, mas eles precisavam ser contados. 

Edição 173 - Matutino Express - 20/09/2014

 

NO TEMPO DAS APURAÇÕES MANUAIS

Que moleza essas eleições de hoje. As urnas eletrônicas de hoje permitem que, em poucas horas, todo o Brasil, um país continental, apure os resultados num tempo recorde e impressionante. Isso me leva a recordar como era nos tempos da velha apuração. Ao longo de minha carreira no rádio, muitas vezes, as apurações manuais tornaram-se uma tortura para quem tinha a responsabilidade da apuração final. Aqui em Ibitinga, elas aconteciam no próprio Fórum da Comarca e depois seguia para o Ginásio de Esportes “Paulo Rodrigues Teixeira”.

As bancas apuradoras eram instaladas e geralmente o Juiz Eleitoral escolhia o pessoal mais prático da cidade para atuar, como bancários, professores, contadores e gente acostumada a lidar com números. Mesmo assim, apurar uma eleição, principalmente de âmbito municipal na Comarca de Ibitinga, não era moleza para ninguém. Lembro que, terminada a votação, também manual, havia um descanso rápido e logo se iniciava a apuração. As arquibancadas do Ginásio ficavam lotadas. A Rádio acompanhava os resultados. O primeiro voto era solenemente divulgado. A audiência era máxima após a contagem se iniciar. Era um frenesi, desde a correria de mesa em mesa até a contagem feita na máquina de somar. Tudo tinha que bater, de acordo com o mapa, e só então era computado o resultado parcial.

Além da apuração em Ibitinga, também trabalhávamos com Iacanga, Tabatinga e os distritos de Curupá e Cambaratiba, ou seja, a única Comarca do Estado de São Paulo que atravessava o Tietê. As apurações eram cansativas e demoradas. Viravam madrugada afora, emendavam com outro dia, avançavam horas a fio e, às vezes, alcançavam a outra noite para ter a sua conclusão final.

Todos sofriam: o Juiz Eleitoral, os mesários na contagem dos votos, os candidatos, com a expectativa dos votos, os profissionais da imprensa, que não podiam abandonar o local desde o início até o fim das apurações. Tudo isso sem contar com as impugnações e outros fatores que faziam parte do sistema. Francamente, não dá nem saudades! Agora a votação e a apuração estão fáceis, graças à velocidade permitida pela internet e pela tecnologia.

E embora pouca gente saiba, o sistema de votação por urnas eletrônicas foi inventado por um brasileiro e adotado por vários países, mas ainda há países importantes que utilizam o velho sistema. Não é o nosso caso. E viva a tecnologia! Ufa...

Edição 174 - Matutino Express - 27/09/2014

 

UMA ESTRADA RETA DE IBITINGA A BAURU 

Você pode imaginar, prezado leitor, uma estrada reta ligando Ibitinga a Bauru? Pois acredite: ela existiu! Na década de 50, finalmente se concretizou um velho sonho: estava aberta a “oficial” Ibitinga-Bauru numa linha reta de pouco mais de 70 km. A Rodovia, entretanto, precisava de uma ponte sobre o caudaloso Tietê. Então, com a engenharia, à época sendo uma das mais modernas, foi construída uma ponte de concreto sobre o rio, pelo governo daquele período. Ficava próxima da Fazenda Laranja Azeda.

Uma ponte de quase 300 metros, cujo custo, sem dúvidas, não foi barato. Construída a obra, o trânsito passou a utilizar a estrada inteiramente de terra, ao lado da fazenda. Os anos passaram. A ponte era o local preferido dos pescadores, já que a corredeira que passava sob ela era o “ponto” para se pescar Dourados, Pacus, Piracanjuba e demais peixes. Podia-se passar a qualquer hora, que se via gente ali pescando. Bem próximo à ponte, havia um boteco, que também servia de empório e era conhecido como o “Buteco do Dito Pé Sujo”.

Ao passar dos anos, implantou-se um trecho de asfalto entre os municípios de Bauru e Arealva, mas o resto era terra batida. O poeirão dominava todo o trecho. O único local onde a estrada fazia uma pequena “barriga” era no Ouro Branco, porque ali havia um córrego, onde nunca foi construída uma ponte, obrigando aquele desvio até hoje.

Um dia, os engenheiros chegaram para localizar as hidrelétricas no Tietê. Abaixo do famoso e histórico canal do Wamicanga, foi estabelecida a Usina de Ibitinga. Vale lembrar que o local se chamava “Ilha do Tambaú”. Foram anos de trabalho para concluí-la. Em 1968, teve início o represamento do rio, que foi parando, represando e enchendo. Muitas vezes, a jusante do rio se mostrava totalmente seca, como se fosse uma estrada de pedras, com as locas no meio do leito do famoso caminho dos Bandeirantes.

Em pouco tempo, as águas subiram e cobriram duas belíssimas ilhas que existiam na cabeceira do canal. Nessas alturas, o levantamento das águas era mais lento e era preciso um grande volume para inundar a represa de Ibitinga. Mas chegou o dia em que a ponte, praticamente nova e valendo milhões de cruzeiros, com quase 300 metros de comprimento, começou a ter seu piso tomado pelas águas. De repente, ficavam à vista somente os palanques de concreto, já que os ferros entre eles haviam sido retirados.

Quando o represamento chegou ao final, a ponte ficou submersa, com sua estrutura totalmente perdida, enquanto a reta para Bauru ficava interrompida. Quem fosse ou voltasse de lá tinha que utilizar a estrada Ibitinga-CESP, passar por cima da usina e seguir pela nova estrada. Ela teve que ser desviada na altura da estrada de Quilombo, a caminho da Hidrelétrica de Ibitinga, aumentando mais ou menos 20 quilômetros de extensão até Bauru.

A parte de Ibitinga o governo do Prefeito Sato conseguiu asfaltar a estrada no trecho de Ibitinga, que hoje cumpre o papel de ligação da cidade com os diversos loteamentos e ranchos ao longo do Rio Jacaré Guaçu. No fim da estrada Laranja Azeda, existe um retorno chamado de “Pingo” ou “Gota”, tanto que ele é até hoje o ponto de referência de quem trafegava até a Fazenda Laranja Azeda. Assim, se alguém já sonhou com uma reta entre Ibitinga a Bauru, saiba que ela já existiu e essa é sua história.

Há pouco tempo, uns mergulhadores desceram no local, onde está a famosa ponte e, segundo disseram, hoje o local é repouso de pintados, jaús e outros peixes que ainda habitam o nosso Tietê.

Edição 175 - Matutino Express - 04/10/2014

 

AS INDÚSTRIAS QUE NUNCA VIERAM!

Início dos anos 70. Eu ocupava o cargo de Presidente da Associação Comercial e Industrial de Ibitinga (ACII) já há algum tempo. Entre outras, a grande meta era conseguir indústrias para a nossa cidade. O sonho de conseguir ao menos uma grande corporação pairava sobre minha e outras cabeças. O município precisava buscar o caminho do progresso. Foi naquele tempo que nasceu a “Lei das Indústrias”, que encaminhamos à Administração pelo vereador e ex-presidente da ACII, Antônio Viviani. Justificava a lei que cabia ao município adquirir uma grande área de terras e doar a algum interessado.

Ela foi aprovada e finalmente surgiu o Frigorífico Periol, formado por criadores de Ibitinga: Pedro Dametto, Olgo Francischini e Rigueira, de Bauru. As iniciativas dos três nomes deu o nome de PERIOL. O terreno doado ficava às margens do Rio São João, entre a Rodovia Ibitinga-Araraquara. Dava-se o primeiro passo. Alguma coisa finalmente acontecia. Concretizado o frigorífico, partimos para a busca de mais indústrias. Descobrimos que a Companhia União Fabril de Portugal (CUF) desejava montar uma indústria de alimentos no Brasil. Caímos em cima deles. Várias cidades disputavam-na, entre elas, Araçatuba, Itápolis, Novo Horizonte, Presidente Prudente e Bariri.

Em Ibitinga, prometemos doar terreno e outras compensações, que permitiram que a decisão viesse favorável a Ibitinga. No Diário Oficial do Estado, no Palácio dos Bandeirantes, governo de Laudo Natel, surgiram as primeiras páginas daquela edição. A manchete era: “CUF será implantada em Ibitinga”. A decisão ocorreu com a presença do Governador, publicada na primeira página do Diário Oficial. Não tínhamos nada a duvidar. A notícia chegou a nosso município com uma queima de fogos de artificio que durou um bom tempo. “A CUF é nossa”!

Tudo ia muito bem até que Salazar morre e Portugal muda seu sistema de governo. E tudo foi por terra. Perdemos a CUF. Não faltaram as farpas da oposição política local, como esta: “a CUF pluft”! Mas a ordem era prosseguir. Chegou ao nosso conhecimento que a China de Formosa ou Taiwan queria investir alto no Brasil. A Associação Comercial e Industrial de Ibitinga fez contato. Fomos ao encontro dos chineses. O Prefeito Nicola Lucínio e eu estivemos no encontro com 21 empreendedores de Taiwan e decidiram enviar um cônsul daquele país até Ibitinga.

Mister Tay veio com a família para localizar uma área de terras, o que o município doaria a fim de ser implantada o Núcleo Industrial de Taiwan, com indústrias das mais variadas. Ibitinga recebeu o cônsul com churrasco e muita festa. Não tínhamos dúvidas. Desta vez, a cidade ganharia a parada. Por incrível que pareça, chegou a notícia do rompimento de relações do Brasil com Taiwan (antiga Formosa) e reatamento de relações com a China comunista. Lá se foi o nosso sonho...

Mas como disse o famoso médico Dr. Oswaldo Cruz, “não esmorecer para não desmerecer”. Lá íamos nós atrás de outra indústria. Surge a formação de uma indústria de barcos fluviais num imenso prédio à beira do Rio Jacaré Guaçu; especificamente na Fazenda São Luís, instalou-se a “MACNAV Construções Navais”. O capital misto era de Ibitinga e grupos de São Paulo. Tudo ia bem. Começou a funcionar e chegou a fabricar um iate, quando o grupo da capital rompeu entre eles e lá se foi a MACNAV.

Era fracasso em cima de fracasso. Soubemos que a Cervejaria Kaiser pretendia montar sua indústria no centro do Estado. Tenho até hoje a cópia da carta que enviamos à diretoria da Kaiser. Eles vieram aqui e queriam uma área de pelo menos oito alqueires na margem do rio, pois pretendiam mais tarde usar a navegação fluvial. Escolhido o terreno, o Prefeito Nicola Lucínio determinou o fechamento do negócio, baseado na lei da indústria. Quando tudo está certo, Araraquara nos “passa a perna”.

A Kaiser deixa Ibitinga de lado e se implanta nas margens da Rodovia Washington Luís. Atualmente ela é conhecida como Cervejaria Heineken. Foi um duro golpe para a cidade, que já contava com a decisão da indústria. Em 1973, disseram, na reunião da ACII: “Não conseguimos trazer grandes indústrias, então vamos começar de baixo para cima. Quem sabe dá certo”?

Em setembro de 1974, surgia a 1ª Feira do Bordado de Ibitinga. De lá para cá, já contei muito bem essa história. Hoje, Ibitinga está com aproximadamente sessenta mil habitantes e é a cidade líder na região. Nosso bordado, confecções e produtos de cama, mesa, banho e decoração dominaram o país e o mundo. As pequenas bordadeiras que trabalhavam em suas casas abriram o caminho e o sonho foi atingido. É hoje a verdadeira e única Capital Nacional do Bordado e Confecções! Finalmente...

Edição 176 - Matutino Express - 11/10/2014

 

CASTELO EM RUÍNAS

Quem lê esse título pensa que a história se passa lá pelos lados da Europa, principalmente nos castelos que conheci na Alemanha, Itália e Suíça. Mas não, esse castelo era em Ibitinga. Muitos irão lembrar como era a saudosa “Pousada da CESP”. Hoje o local é um amontoado de ruínas e foi tomado nesta semana por um grupo que se denomina “sem terras”.

Quando a Usina Hidrelétrica de Ibitinga foi construída, na década de 60, ela optou pela construção de casas mais populares para o operariado que trabalhava nas obras do local. Ibitinga tornou-se sede da melhor pousada de todas as usinas do sistema. Eram quase 50 casas de excelente padrão, com todo conforto e infraestrutura invejável, ruas arborizadas e asfaltadas. Posteriormente foi construído um hotel e um restaurante. Sem exageros, era padrão cinco estrelas e digno de receber governadores, ministros e autoridades. Além disso, foi construído um conjunto esportivo com piscinas, pistas de atletismo, ciclovias, um belíssimo pesqueiro e até um heliponto para os helicópteros pousarem.

Desde que as obras foram iniciadas, muitas autoridades visitaram o local. Diziam que a pousada era muito confortável e cheia de mordomias. Foi plantada uma floresta artificial ao seu redor. Havia muitos alqueires de matas com pássaros e animais na proximidade. Também foi construída uma sede para convenções, onde foram realizadas dezenas de encontros estaduais de engenheiros e profissionais da área de eletricidade. Foram geradas centenas de empregos, tanto que era um privilégio trabalhar por lá. Havia até um ônibus que fazia a linha Pousada-Ibitinga o dia todo para atender a população. Tudo era bem moderno e prático. A pousada abria suas portas aos fins de semana para os turistas que vinham a Ibitinga e colaboravam na compra de nossos produtos.

Artistas famosos vieram para cá, como o rei Roberto Carlos, que por duas vezes foi hóspede quando realizou shows em Ibitinga. Como jornalista, fiz muitas entrevistas com gente famosa, entre eles Abreu Sodré e Franco Montoro (Ministro de Estado), gente do governo e da federação. Enfim, o local era ponto de encontro dos grandes nomes da política e da arte na região. Tudo foi feito com projetos e engenharia. Depois da obra concluída, ela foi utilizada para os turistas da CESP e CPFL. Um público de quase trezentas pessoas visitava a pousada aos fins de semana.

Depois disso, a CESP foi vendida para a AES Tietê. As coisas mudaram. A pousada já tinha passado para as mãos de empresas desejosas de transformar o lugar num clube. Fracassaram! De repente, vimos que a Pousada ficou mais vazia. Aos poucos, ficou abandonada. Subitamente, ficou na seca. Há dois anos, um incêndio tomou conta de suas dependências e atingiu prédios inteiros, como o hotel e as casas, que foram destruídos. O lamento da população foi geral. Afinal de contas, a pousada era a “menina dos olhos” da Estância e agora estava reduzida a um monte de escombros. 

Ao longo do tempo, os vândalos foram chegando e arrancando portas, contribuindo para uma desgraça maior do nosso “castelo”. Nesta semana, o MST ocupou o local. Sua situação deve ser decepcionante. Basta ver as fotos publicadas no Portal Ternura FM ou assistir ao vídeo do Duílio Galli. Ela está praticamente irrecuperável em curto ou médio prazo. A piscina se encontra em pandarecos. Além disso, quando chove, serve como criadouro de mosquitos, mas, com a falta de chuvas, está seca.

Enfim, nosso “castelo” desmoronou! A Pousada da CESP hoje é realmente um monte de ruínas. Seu destino ninguém sabe... enquanto lamentamos, vamos ter fé e aguardar. Quem sabe ela consegue dar a volta por cima?

Edição 177 - Matutino Express - 18/10/2014

 

O HOMEM DA CAMISA BRANCA

Lá pelos anos 90, a agência do Banco do Brasil de Ibitinga recebia um novo gerente. Um homem já maduro, altivo, fácil de fazer amizades e com dedicação plena na função, engajando-se rapidamente na comunidade. Na época, o Banco do Brasil inaugurava a nova agência, num prédio moderno construído na Rua José Custódio. O arrojo e a inteligência do novo gerente levavam a instituição à fase de maior glória em Ibitinga.

A agência tornou-se referência para o comércio, a indústria, a agricultura e para o povo, que percebia o novo dinamismo imposto pelo estabelecimento. Raul Huss de Almeida, o novo gerente, exemplo de chefe de família, fixou residência na esquina da Rua Salim Sahão com a Avenida José Zapatta, no Jardim Centenário, mostrando que tinha amor pela cidade e que nela confiava. O calor de Ibitinga exigia dele o uso de camisas brancas de malha, uma de suas características. Era o jeito de suportar os dez meses de calor da cidade.

Participando ativamente de entidades e clubes de serviço, tinha uma disposição extraordinária em tudo que fazia. Ganhou respeito de toda a comunidade e por anos a fio era um autêntico líder. Longe da política, era amigo de todos, até que um dia chegou a notícia de que seria transferido para a agência da cidade de Bebedouro, onde completou seu tempo, aposentando-se naquela cidade, que também sentia a presença de um homem cheio de virtudes.

Raul foi um dos pioneiros na organização da Coopercitrus. Diretor, ele ocupou outros cargos e chegou à Presidência da cooperativa, que hoje é a maior do setor agrícola da América Latina, ampliando seus serviços de agronegócios para uma vasta região. Dentro da cooperativa, nasceu a Credicitrus, um banco voltado para a agricultura. Tudo o que Raul coloca a mão, ele muda para melhor.

Atualmente, o ex-gerente do BB em Ibitinga, que aprendemos a admirar e a respeitar, para nosso orgulho, sem pensar na idade que avança, é o Diretor da Coopercitrus e do Credicitrus também. Ibitinga jamais se esquecerá de Raul Huss de Almeida e de sua belíssima família, assim como eles nunca se esquecerão de Ibitinga. A Coopercitrus e a Credicitrus há muito tempo estão presentes em Ibitinga, melhorando a vida de muita gente.

Edição 178 - Matutino Express - 25/10/2014

 

AQUELE FRIO INESQUECÍVEL

O ano corria normalmente. As chuvas foram normais e a agricultura seguia seu ritmo. No Paraná, milhões de cafeeiros prometiam uma grande safra. Na alta paulista, também. Aqui em Ibitinga, o café estava entre os muitos produzidos por um município diversificado. Produzia-se de tudo, inclusive café. Era 1975.

A temporada de frio começou. Em julho, o frio se intensificou e veio a primeira geada. Era dia 08. Foi de assustar, mas não era nem sombra do que viria dias depois. Nos dias 18, 19, 20 e 21 de julho de 1975, dificilmente Ibitinga registrou na sua história tão intenso frio. Às cinco horas da tarde, os termômetros da Rádio Ibitinga, nos altos do Jardim Centenário, marcaram dois graus negativos. Não me recordo do frio da madrugada, mas foi violento, nunca antes registrado.

Chegavam notícias do Paraná. Não sobrou uma folha de café em todo o Estado, tal e intensa geada que congelava canos de água e os moradores dos sítios não tinham sequer condições de ter água corrente nas casas. Em São Paulo, a intensidade do frio liquidou com os cafezais da Alta Paulista e, até no Tietê, a devastação pelo frio foi intensa. Cafezais, pastarias, pomares, tudo requeimado pela geada intensa, que se repetiu por quatro dias consecutivos, mas houve uma coisa interessante: as barragens do Rio Tietê formaram um bolsão de proteção e o frio não conseguiu fazer grandes estragos do lado direito do rio, no caso, de Ibitinga. Com todo aquele frio, praticamente não houve grandes estragos. Já do lado de lá, até os confins do Paraná, não sobrou nada.

Em 1986, fui conhecer o Paraná. Atravessei aquele Estado até Foz do Iguaçu. Acredite se quiser, prezado leitor: não sobrou um pé de café sequer para fazer um chá. O Paraná deixava de ser o grande estado cafeeiro, virou produtor de soja e de trigo. Até hoje, pouco café se replantou naquele Estado. Aqui em São Paulo, em 1986, iniciamos uma campanha para voltar os cafezais da região. Kiko Robert tinha um gigantesco viveiro de mudas e implantou um novo tipo de café, o “catuaí”.

Alguns milhões de cafeeiros foram plantados, não somente em Ibitinga, mas também em Itápolis e região. Anos depois, quando já estava em franca produção, as pragas, incluindo o bicho mineiro, atacaram forte as plantações. O preço deste artigo tão desejado passou a dar prejuízo. Vieram os pomares, uma história à parte da nossa agricultura, que todos conhecem. Teve sua áurea, mas depois, os monopólios contribuíram para acabar com os pomares.

Os cafezais desapareceram e reapareceram na região de Franca, Sul de Minas e Centro Sul da Bahia. Hoje não há mais cafezais na capital nacional do bordado. No Bairro Coqueiros, o cafezal do saudoso José Barroquélo era o cartão de visitas da nossa agricultura. Também arrancado, adeus aos cafezais.

As geadas de 75 se repetiram fortemente em 1981 e essas sim ocasionaram grandes estragos em Ibitinga. O ano de 1994 foi a última geada forte, nada parecida, entretanto, com a de 1975, quando as temperaturas negativas foram intensas demais e o prejuízo foi de bilhões para os estados atingidos, inclusive São Paulo. 

Edição 179 - Matutino Express - 01/11/2014

 

SENTA E COME

Não sou espírita, mas admiro o trabalho que os membros do “Centro Espírita Francisco de Assis” praticam em Ibitinga. Lá pelas décadas de 70, tínhamos entre nós o Sr. Albino de Baptista, agricultor, que foi colocado na história de Ibitinga como um dos maiores produtores rurais do município.

Nesse tempo, a cidade tinha produção variada e produzia algodão, amendoim, milho, mamona, café, entre outros. Também se criava gado, porcos e aves poedeiras. Seu Albino era um grande produtor regional, tanto que chegou a ter um entreposto no Ceasa para vender seus produtos em São Paulo. Ele contratava centenas de pessoas para o trabalho rural. Além disso, era campeão de problemas trabalhistas e era comum vê-lo vestido de terno para enfrentar as seções no Fórum local.

- Vai onde, seu Albino?

- No Fórum...

- Fazer o quê?

- Cumprir minha missão. Ou estou na roça ou estou enfrentando as reclamações trabalhistas.

Era mau patrão? Que nada! Dava muito serviço a muita gente e quem não trabalhava certo, era despedido. E daí? Foram milhares que passaram pelos seus setores produtivos. Era um homem bom e prestigiava quem trabalhava e dava exemplos. Foi cofundador da Coopertietê, da Cooperativa Avícola Mista de Ibitinga e foi pioneiro na fabricação de derivados de leite com o saudoso “Laticínio Dalva”. Ali, naquele terreno sem construção entre a Rua Domingos Robert e a Coronel Gereto, existia um bebedouro para animais, que vinham de todas as direções, trazendo leite para fabricar a famosa Manteiga Aviação. Até pouco tempo, esse bebedouro ainda estava lá. Onde é a “Academia L’Equipe”, era uma indústria, ao lado das oficinas de máquinas do produtor Albino de Baptista. Ele construiu aquela bela casa de dois pavimentos, bem em frente, onde nunca se mudou.

                Com o passar do tempo, cansado de enfrentar problemas com os trabalhadores, foi parando tudo, mas teve tempo de fundar o “Refeitório Maria Raineri de Baptista”, ali na Rua Pereira Landim, onde os grandes panelões cozinhavam alimentos nutritivos diariamente no “sopão”, que era distribuído a quem quisesse comer. Antes de deixar esta terra, ele me pediu pessoalmente para que eu não deixasse o refeitório fechar. Ele me deu um presente!

Albino faleceu. Tempos depois, o refeitório encerrou suas atividades. Por alguns anos, não tinha mais onde os andarilhos comerem. Então parti para a luta, visando cumprir minha palavra. Procurei a Profª Valdereis Lopes Teixeira de Godoy e propus que ela retomasse os trabalhos. Ela, com a Profª Carolina e outros da comunidade espírita, fundaram a “Casa da Sopa”, onde é feito um almoço diário a quem quiser. É o famoso “senta e come”.

O desejo do Seu Albino está sendo mantido. Há muitos anos, o trabalho tem sido feito e já passou pelas mãos de muitos com boa vontade. A caridade é feita. Os panelões funcionam e, na hora do almoço, chegam a passar pessoas de todas as idades e de todos os lados. Ninguém pergunta quem é ou de onde veio. Simplesmente acha um lugarzinho, senta e come.

O espírito da caridade se faz presente. A “Casa da Sopa” ainda faz cursos para gestantes, bazares beneficentes e outras iniciativas para a manutenção da entidade. Mas uma coisa é certa: a “Casa da Sopa” é uma realidade e ainda será por muito tempo, se Deus quiser. Entidades como essa não existem em outras cidades, mas em Ibitinga, venha de onde vier, doente ou não, menor ou maior, homem ou mulher, é só chegar, “sentar e comer”. 

Edição 180 - Matutino Express - 08/11/2014

 

O GALO DO SEU BENVINDO 

A Cidacar, revendedora Volkswagen para Ibitinga, foi fundada meses antes de minha chegada, em 1964. Com a programação da emissora renovada e audiência altíssima, a empresa Cidacar foi uma das primeiras patrocinadoras da Nova Rádio Ibitinga – ZYR-24. Acertamos o programa “Revista Volkswagen”, das 18h15min às 18h30min, veiculada antes da “Rotativa no Ar”.

Durante o dia, havia um noticiário de hora em hora por ela também patrocinado. O título era “De hora em hora, em cima da hora, Cidacar informa”. Mas antes do locutor anunciar as notícias, um galo cantava assim: “Cocoricóóóóóóóóóó! Notícia! Cidacar informa!” Em seguida, encerrava com o locutor falando: “Dentro de uma hora, Cidacar voltará a informar”.

Sugeri ao seu Benvindo. Ele aprovou a ideia. Todavia, naquele tempo, onde acertaria um efeito de galo cantando? Tinha que gravar algum aqui da cidade. E foi no Bar do Gijotte, localizado na Rua 13 de Maio, atual Mercado Roncada, que a informação chegou.

Gijotte: Tem um galo cantador aqui nessa quadra que canta bonito, do jeito que vocês querem.

Benvindo: Então, Roque, traga um gravador e vamos gravar o seu galo.

Meu Deus! Que ginástica! Eu com o gravador Bell-Howel americano quase novo, pesado, em companhia do Gijotte e do Seu Benvindo, localizando o galo que cantava no quintal. Esperamos até que o galo cantasse e aí nos aproximamos. Ficamos duas horas nessa ginástica para gravar bem de perto o tal galo. Finalmente uma gravação saiu e ficou excelente. A cena para quem via o Seu Benvindo, o Gijotte e eu de gravador em punho, num “esconde aqui, pula ali”, foi simplesmente hilária!

Quem conheceu o seu Benvindo lembra-se bem. Era um homem que nasceu para o comércio. Honesto, sério, ganhava rapidamente a confiança de qualquer pessoa e era “duro na queda”. Seu Gijotte, do bar que levava seu nome, esse era um italiano gordo, gozador, aprontava brincadeiras e fazia todo mundo rir. Seu bar tinha uma frequência seleta, pelo capricho com que servia aperitivos, salgados e tira-gostos. De repente, nós três estávamos procurando um galo para gravar. Foi uma cena engraçada e até hoje inesquecível. Quem é daquele tempo lembra o famoso galinho:

- “Cocoricóóóóóóóóóó! Notícia! Cidacar informa!”

Seu Benvindo vendia qualquer coisa. Nunca se vendeu tanto Fusca e Kombi na vida como naquela época. Seus consórcios funcionaram sempre perfeitamente bem. Homem corretíssimo. Mas o galinho... ah... o galinho... era o seu xodó! E o foi até sua morte.

Gijotte também morreu. O Galinho parou de cantar. Veio a FM (Rádio Ternura), veio a Onda Curta (Rádio Meteorologia) e veio a TV (TV Cidade, canal 19). Mas há uns três anos, o galinho voltou, tanto que, na atual programação da Ternura FM 99,3, de quando em quando, ouve-se:

- “Cocoricóóóóóóóóóó! Notícia! Cred Já informa!”

E no final:

- Quando o galo cantar, a Cred Já voltará a informar!

O Galo agora é da Conceição. E vá perguntar se ela troca por alguma outra coisa?! Em tempo, o galo é prenúncio de notícia para os caboclos do nosso interior, principalmente quando canta na porta da casa ou fora de hora. É, pois, sinônimo de notícia. 

Edição 181 - Matutino Express - 15/11/2014

 

TIJOLOS DE OSSOS: VOCÊ CONHECE?

O incêndio do Fórum de Ibitinga em 1980 entrou para a história da cidade. O prédio todo foi queimado num domingo quando nada funcionava. Um ex-funcionário, que havia perdido o cargo devido a alguma irregularidade, se sentiu injustiçado e resolveu agir. Após deixar a prisão, inconformado com a situação, encontrou um jeito de alguém abrir o Fórum em pleno domingo para verificar um suposto documento e ateou fogo em tudo, deixando se alastrar. Ele nada fez para conter as chamas. As razões de tamanha vingança são totalmente desconhecidas e não interessa a mim. Fica para quem conheceu de fato a história.

O que aconteceu depois foi em função do socorro do prédio. Teve até tiroteio entre policiais e o incendiário, que morreu sentado na cadeira do juiz, com a arma na mesa. Isso deu muito que falar. Porém, o âmago da história deixemos de lado. Tudo, afinal, tinha acontecido antes que eu chegasse a Ibitinga. Logo, era coisa velha. Queimado o Fórum, o prejuízo foi imenso. Os títulos eleitorais tiveram de ser refeitos, bem como os óbitos, os registros de imóveis etc. Todos tiveram de ser recadastrados e a coisa foi longe.

Se não fosse a atuação da Rádio Ibitinga AM, no sentido de ajudar a Justiça local a se recompor, não teria sido executada essa gigantesca obra. Que o diga o grande Dr. Luiz Gonzaga Parahiba Martins Filho, titular da Comarca da época. Nessas alturas, muitos deixaram de ser nascidos ou registrados, muitos voltaram a ser solteiros, outros não tinham imóveis registrados, muitos não morreram e por aí vai. Imagine, leitor, o prejuízo.

Veio a reconstrução do edifício, cuja restauração eu transmiti nos tempos do governador Carvalho Pinto. Vi agora a reconstrução na parte sul, onde estavam os cartórios embaixo e em cima, nos dois pavimentos. Mas, para reconstruir, eram necessários tijolos bem leves. Naquela época, a tecnologia não estava adiantada. Dessa forma, a empresa construtora descobriu um tijolo fabricado de pó de ossos, tão leve que mais parecia uma pena. Além disso, era altamente resistente. Assim, resolveu trabalhar com esses tijolos.

Eu assisti à reconstrução do Fórum, anos depois de assistir sua construção original. O fato interessante era a resistência do prédio, que permanecia firme mesmo depois de queimado. Uma das alas mais atingidas era aquela em frente à Rua Tiradentes, onde estavam dois pavimentos com os cartórios derretidos pelo fogo. A firma vencedora da concorrência procurava um jeito de erguer as paredes, mas tinha receio da resistência dos alicerces. Ela demorou, mas encontrou a solução. Descobriu, então, os tijolos de farinha de ossos, superleves e altamente resistentes. E levou adiante a reforma.

Ficou perfeito. Ali, milhares de pessoas passam durante todo o ano, entre funcionários e quem comparece nas audiências. Entretanto, ninguém imagina que está entre paredes de tijolos nunca vistas em qualquer ocasião aqui e na região, paredes que, mesmo depois de passados 34 anos, nunca apresentou uma trinca sequer, levando na sua matéria-prima principal... ossos!

Edição 182 - Matutino Express - 22/11/2014

 

O “OUTRO” MANELÃO 

O ibitinguense fala com orgulho de possuir entre seus filhos o Roberto Manoel Alves Lopes, popularmente conhecido como “Manelão”. Do bancário exemplar, de carreira bonita no antigo Banespa, ao Rei das Confecções da Capital Nacional do Bordado. E todo mundo sabe que o Manelão subiu na raça. Deixou o banco para associar-se a seu pai e dali não parou mais. O pai do Manelão transferiu esse codinome aumentativo de Manoel ao filho, que, apesar de se chamar primeiro Roberto, sempre foi conhecido por Manelão também.

O outro Manelão, já falecido há tempo, era sui generis. Tinha uma venda no Cambará nos tempos dos empórios, bem antes dos supermercados. Vendeu tudo e veio para Ibitinga. Entrou na área do bordado e a família cuidava de produzir e vender tecidos. Tecidos Sabrina é uma das primeiras lojas do nosso atual Manelão. Tudo isso que escrevi foi para identificar o “OUTRO MANELÃO”.

O Manelão era um homem forte, um pouco gordo e não perdeu os costumes de um cidadão de vida simples, de pitar o palheiro. Nunca trocou o mesmo por cigarros de papel. Era político nato. Aliás, é aí que eu queria chegar. O Manelão pai era chegado na política. Fazia parte do grupo Francisquini, a princípio e graças a ele, as turras nunca chegaram a consequências graves. Quando o tempo esquentava, num tempo em que a política era fervente em Ibitinga, lá ia o Manelão buscar a pacificação. Pisava em todos os territórios, amigos e inimigos, e era sempre recebido com respeito profundo. Ibitinga lhe deve muito por isso.

- Vamos parar com isso, que vai acabar mal. Eu estou do lado de lá, mas venho do lado de cá, pois sei que vocês vão me ouvir.

E derramava em cima da pendenga uma pá de cal, mas sempre com a interferência do Manelão pai. Ele foi vendedor, autor de muitas propostas dignas; dentro da Câmara, quando o tempo esquentava, pedia a palavra e “esculhambava” os dois lados. Era outra pá de cal na briga. O velho cigarro de palha era companheiro. Não havia Manelão sem palheiro e nem palheiro sem Manelão. Além disso, tinha acesso a todos os setores do município e, às vezes, quando a Prefeitura pretendia fazer alguma coisa, sabendo da oposição que ia ser contra, era chamado pelo próprio Prefeito, antes, para contornar a situação do outro lado. E conseguia. Não teve outro político com suas qualidades na cidade. Seu território era Ibitinga, tivesse quantos partidos tivesse. O respeito pelo seu nome e sua pessoa falava mais alto.

Exemplo de honestidade, trabalho e gozando da forte amizade de todos, o Manelão fez parte da história política de Ibitinga por muitos anos, sempre mantendo o mesmo padrão de respeito em todos os setores. Quando o bordado já crescia, a firma crescia junto e o Manelão filho assumiu devagarinho o controle das coisas. Tempos depois, o Manelão pai faleceu e seu desaparecimento traduziu um pesar profundo em Ibitinga e Cambaratiba.

Manelão se foi. O Manelão filho ficou... graças ao tino transferido de pai para filho. Ibitinga, hoje, conta com 60 mil habitantes e Manelão é o homem mais forte das indústrias de bordado, confecções, cama, mesa, banho e tecidos, participando da produção agrícola sem mudar nada. É o homem simples de sempre, estimado por todos, empregador de milhares de trabalhadores e apontado como o industrial que fez um clube para funcionários, lazer que não tem nem em cidade do porte de Araraquara, Bauru ou Ribeirão Preto.

Exemplar chefe de família, fez toda a sua vida de maneira simples, como cidadão comum, preocupado, lógico, em manter esse imenso patrimônio, feito no peito e na raça. Amigo de amigos de hoje e de sempre. De onde o velho Manelão estiver e se é verdade que de lá pode ver o que está acontecendo por aqui, o que dirá o Manelão pai?

- Eita, filho! Assim eu queria lhe ver. Eu ensinei, você aprendeu tudo. E mesmo aliado com o cheiro de fuminho Jorginho e Tietê, graças a Deus não aprendeu a fumar. Valeu, filhão!

Em tempo: O artigo não tem fundamentalmente o intuito de “puxa-saquismo”. Foi escrito para mostrar aos que desconheciam a história de que, quando um pai sabe ensinar seus filhos, um dia se orgulha de seus progressos e virtudes.

Edição 183 - Matutino Express - 29/12/2014

 

UM TEMPORAL QUE FICOU NA HISTÓRIA

Aconteceu num dia qualquer da década de 70 quando a Vila Isolina era apenas um esboço de loteamento. Onde está hoje a JOLUBE, era um grande viveiro de mudas de café de propriedade de Kiko Robert. À tarde, o tempo foi fechando. Fortescumulus-nimbus sobre a cidade anunciavam a presença de um temporal. O calor era forte demais, portanto, esperando-se pelo pior.

Quatro garotos caminhavam em direção à cidade quando foram surpreendidos pela chuva forte que começou a cair no oeste de Ibitinga. A Avenida Perimetral estava apenas aberta como uma grande picada e exatamente ali, onde a avenida faz a curva, em frente ao Posto Doquinha, uma velha casa abandonada serviu de refugio aos meninos. Um deles tinha uma bicicleta e todos entraram na varanda da casa abandonada para se protegerem do temporal.

A chuva apertava e os quatro juntos procuravam a proteção contra o vento e a chuva forte. Raios cortavam os céus da cidade e assustava a todos.  De repente, um raio caiu exatamente sobre a casa. Foi um desastre total. Atingiram as quatro crianças matando-as instantaneamente. Somente depois de passado o temporal as crianças foram encontradas mortas, amontoadas num canto da área.  Era um quadro triste e terrível. Eram crianças pobres que vinham do trabalho na roça naquela tarde quando tudo aconteceu. Quatro corpos foram velados juntos e no dia seguinte, um enterro único sepultava as vítimas fatais. Ibitinga era então bem menor que hoje e sentiu profundamente o acidente. Foi sem sombra de dúvidas, um dos dias mais tristes vividos pela cidade de Ibitinga. 

Edição 184 - Matutino Express - 06/12/2014

 

QUEM TEM SAUDADE DA “RÁDIO MALUCA”?

Quem tem saudade da “Rádio Maluca”? Mas que pergunta esquisita! “Rádio Maluca” era o nome de um programa de auditório humorístico lançado em 1964 em Ibitinga, quando assumimos a Rádio Ibitinga AM, que andava em condição de falência. Lá na Rua Tiradentes, a Rádio Ibitinga estava instalada no antigo Cine Paratodos e o auditório contava com cerca de 400 poltronas. Lançamos a nova programação. Entre os programas, destacavam-se o “Grande Matutino R.I.”, o “Rotativa no Ar”, o “Ao telefone com você”, a “Revista Volkswagen” e, às sextas-feiras à noite, a “Rádio Maluca”, um programa de auditório.

O programa emplacou de tal forma que houve ocasiões em que foi preciso impedir a entrada de mais gente, tamanha a lotação. Era um programa de entretenimento, brincadeiras, sorteios, brindes e o ponto alto era o “Humorístico Rádio Maluca”. Na verdade, eu já tinha esse programa nas rádios que atuei anteriormente, como a Difusora, de Prudente, lá na chamada Rádio Mania. Depois, também o fiz na Rádio Clube, de Oswaldo Cruz, e na Rádio Junqueirópolis, sempre com sucesso.

Naquele tempo, não tínhamos ainda os efeitos da televisão. Então, os programas de auditório sempre tinham sucesso. O público queria diversão. Em Ibitinga, foi surpreendente. Pagava-se um cruzeiro o ingresso. Numa época difícil, de renovações e reformas da emissora, o dinheiro era precioso. Muitas vezes, paguei na segunda-feira o papagaio que ia vencer na terça nos bancos locais. Quem é daquele tempo há de se lembrar.

Sexta-feira era dia de “Rádio Maluca” e muita gente tomava a direção da emissora para assistir ao programa ao vivo. Mas o que era a “Rádio Maluca”? Era, na verdade, o avesso de nossa própria programação, com personagens invertidos e inserindo o humor mais profundo, com inúmeros personagens. São os mesmos personagens que faço no programa “Pio do Jurupoca”. Cinco anos durou esse programa. Por um bom tempo, o famoso Cine Rio Branco, um dos melhores cinemas da região, decidiu não dar função às sextas-feiras, por falta de público.

A “Rádio Maluca” trazia o público para o nosso auditório. Nela, a “Rotativa no Ar” virava “Rotativa no Chão”. O “Ao Telefone Com Você” se transformava em “O Telefone do Angu”, com muitos personagens. Passava “Na Beira do Jacaré”, com Zé Bitélo, o japonês Nakaiama Boronakama, Zé Gaguinho, Zé Fanhoso, Kutuca, Maneli da Porta Baixa, Bepo e Genaro (os dois italianos), Juju das Flores Mimosas (o gay), além de outros, que estavam todas as semanas contando suas histórias e inventando coisas novas. Era um programa difícil. Tão difícil quanto o atual “Pio do Jurupoca”, que só mesmo a coragem, o arrojo e quem veste a camisa da Rádio tem coragem de enfrentar.

Ali se revelaram nomes que hoje são famosos. Lino do Acordeão, exímio acordeonista, é hoje o famoso Jeca Tatu, de tantos LPs e CDs gravados, atuando na TV e no cinema. José Rico hoje faz dupla com Milionário e forma uma das duplas mais famosas do Brasil. Zé Rico, na época, cantava com o nome de Cambaí. Tijuca e Cajuki, Marinho Pinheiro, Coitelo e Goianito da Viola, além de outros mais, que a gente já não se lembra. Como âncora dos meus personagens, tinha o Aylton Tonizza, grande locutor, o Antônio Carlos Pedrosa, o Tatá, o Jabuca, o Teófilo Lourenço, que fazia os papéis de turco, o Valentim Zaneti, o técnico mais enrolado do mundo.

Enfim, era uma festa de humor e alegria. A “Rádio Maluca” era dona da audiência e do público do auditório. Faz tempo, mas marcou mais uma etapa do rádio ibitinguense na década de 60, um motivo de orgulho para a nossa carreira no Rádio do interior. 

Edição 185 - Matutino Express - 13/12/2014

 

IBITINGA... 2050

Não tenho pretensões de profeta, mas dificilmente erro quando se trata de assuntos relativos ao futuro de Ibitinga. Em 1968, escrevi um artigo para um jornal local, analisando como seria Ibitinga na virada do século. Não tenho o jornal comigo nem a cópia do artigo, mas tenho absoluta certeza que não errei 10% do que previ para a cidade. Não deu outra! O ano 2000 chegou e tudo o que estava previsto, com poucas exceções, se concretizou. Em 1993, durante o governo Sato, escrevi o livreto “Por que acreditar em Ibitinga?” e deixei claro que investir no município não suscita correr nenhum risco. Justifiquei o que sempre me fez acreditar no futuro dessa cidade, que amo de coração.

Deixei claro vários quesitos. Entre eles, sua localização privilegiada, bem no coração do Estado de São Paulo, um país dentro do Brasil, hoje com 44 milhões de habitantes, a malha viária que demanda em todas as direções. Além de tudo isso, a distância de Ibitinga em relação às grandes cidades, como Araraquara, São Carlos, Bauru, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto etc., leva o município a condições de líder de uma microrregião.

As terras ubérrimas de grande parte de Ibitinga, consideradas das mais férteis do mundo; os rios de médio porte que desaguam na imensa represa do Tietê, com a presença de dois pantanais únicos no Estado de São Paulo; a concentração de gás que vem da Bolívia e deixa em Ibitinga seu centro de distribuição para os principais setores do Estado, alimentando a própria cidade do precioso material de uso da geração das máquinas nas grandes indústrias do município. Sua opção industrial, que gera empregos permanentemente; sua usina hidrelétrica no Tietê; sua paisagem exuberante e única no centro do Estado e outros fatores mais, que nos levam a acreditar num futuro grandioso.

Analiso o futuro de Ibitinga. Já vivemos 14 anos do novo século e a expansão da cidade nesse período, levando a uma população de 60 a 65 mil habitantes, falam mais alto sobre a velocidade com a qual nossa Estancia Turística caminha.

Em 2050, prevejo que a cidade terá 100.000 habitantes ou mais. Além disso, consolidará seu sistema industrial e acrescentará outros ramos de atuação no seu território. A expansão urbana estará alcançando o projetado “Anel Rodoviário” que, segundo projeto, será construído na média de quatro quilômetros da atual Perimetral, incluindo trechos da Rodovia Victor Maida e da Rodovia para Itápolis, abrindo-se a partir do Rio São João, um imaginário caminho pelo Taquaral, Taquara do Reino, altura dos Vilella, contornando o Bairro Santana, pouco aquém da Barra Mariana, saindo novamente na Rodovia para Itápolis. Esse anel viário de 18 quilômetros de extensão será alcançado rapidamente pelo desenvolvimento urbanístico da cidade.

Em 2050, o “Shopping do Bordado” já terá várias ampliações e outros shoppings deverão ser implantados. A cidade terá condomínios luxuosos bem fechados, com infraestrutura colossal e terá diversos edifícios de média altura, considerando o fator “segurança” que, queira ou não, continuará sendo problema para o Brasil e, logicamente, para Ibitinga também.

Campanhas serão realizadas constantemente, visando preservar o seu meio ambiente, portanto, é de se esperar que o interior do município se transforme finalmente em santuário intocável, para restabelecer o que se perdeu ao longo do tempo.

O aeroporto local deverá ser cada vez mais importante nos transportes de curta e média distância. Além disso, pelo menos uma linha aérea deverá atender a cidade regularmente. Nas ruas de Ibitinga, se verão, no lugar dos atuais veículos movidos a gasolina, etanol e diesel, muitos veículos movidos a eletricidade ou a energia solar, caminho normal para quem precisa urgentemente salvar o nosso planeta. Ibitinga não ficará de fora.

A Diocese de São Carlos poderá sediar uma segunda diocese em Ibitinga ou criar pelo menos mais quatro paróquias (atualmente são cinco). Na área de educação, até 2050, Ibitinga despertará para a realidade. Precisa de mais faculdades, inclusive na área da Saúde. Sua localização geográfica, centro de inúmeras cidades ao redor, obrigará a implantação de uma regional de Segurança Pública. A 5ª Cia de Polícia Militar deverá ser ampla e forte, para dar cobertura a toda a nossa cidade e à região.

Os canaviais serão meras plantações num município que tem tudo para voltar à diversificação agrícola, com muita gente voltando a residir nos campos, com mais conforto e segurança. Campanhas de reflorestamento serão pelo menos cinco vezes maior. Já se cogitou uma vez trazer a sede do governo da capital paulista para o centro geográfico do Estado, como forma de reduzir a intensa movimentação da capital. Até 2050, a ideia pode voltar a crescer nos futuros políticos, caso os gestores da cidade entendam que esse será um promissor negócio, não tenha dúvidas. E Ibitinga será uma séria candidata.

A comarca terá pelo menos três Varas, para atender a demanda do movimento judicial. A cidade brigará sempre contra a instalação de penitenciárias ou coisas parecidas, repudiando essas instalações, como já o fez e conseguiu. Ibitinga deve continuar sem penitenciárias. Vai mandar sempre os presos para as já existentes na região.

Quem nascer em 2015 terá 35 anos de idade em 2050. Serão novas gerações até lá. Não estarei aqui para confirmar, mas peço que guardem esse trabalho modesto, de quem sonha muito e escreve o que sonha, para conferirem no limiar do ano 2050, se eu estava certo ou não.

E viva 2015!!!

Edição 186 - Matutino Express - 20/12/2014

 

Edição 189 - Matutino Express - 31/01/2015

                                 CADÊ NOSSO CARNAVAL?

 Ibitinga já teve grandes carnavais. Antes de me tornar cidadão desta amada terra, as notícias confirmaram históricos carnavais dos tempos antigos.Quando aqui cheguei, o CRI (Clube Recreativo Ibitinguense) dominava e reunia as principais figuras da cidade. Tantoem bailes de maior gala quanto no Carnaval, o CRI falava mais alto. Seu prédio foi construído na década de 50 e dotou a cidade do que poderia ter de melhor para concentrar a sociedade ibitinguense.Grandes orquestras e grandes nomes da música contemporânea abrilhantaram noitadas sensacionais.Ser sócio do CRI abria caminho para qualquer setor social.

   Eu, que aqui cheguei em 1964, ainda pude assistir, ao longo do tempo, os bons tempos do CRI. O clube vivia movimentado, dia e noite.Sua construção para a épocaera considerada moderna e bem distribuída.Os carnavais do CRI eram intensos. Conseguir uma reserva era difícil. De qualquer forma, era o melhor carnaval da região.Havia também o CRO (Clube Recreativo Operário), instalado na Rua Treze de Maio, pouco abaixo da Tiradentes. Este clube era popular. Quem desejava participar,bastava pegar o ingresso. Durou alguns anos. Na década de 70, também parou e nunca mais voltou.

UM CBI NA VIDA DO CRI

    O CBI (Clube dos Bancários de Ibitinga) nasceu para ser um clube de bancários.Já existia uma boa parte de sua infraestrutura quando foi adquirido do saudoso Kiko Robert e transformado em Clube dos Bancários. Ao longo do tempo, seus membros chegaram à conclusão de que o clube era grande para pouca gentee poderiam transformá-lo num local que congregasse as famílias da cidade, que já crescia bem mais.

   Em 1977, Nelson Pinheiro Marchado e eu tínhamos a “RN Publicidade”. Nós fomos contratados pelo CBI para a expansão dos associados e elevamos o clube para mais de mil sócios. A partir de então, nova movimentação foi registrada. A sua sede social, construída arquitetonicamente redonda com dois pavimentos, foi projeto ousado do saudoso Dr. IvanilFrancischini. Com isso, o CBI passou a ser um centro social que congregava muita gente, partindo para o Carnaval, o Baile do Havaí, entre outros eventos.

    Foi aí que CRI e CBI se tornaram concorrentes. O carnaval inicial do CBI, pequeno e frágil, foi de ano para ano ganhando crescimento e uma guerra fria percebia-se entre os dois clubes.Enquanto o carnaval do CBI crescia, na sua frequência e animação, o CRI perdia a cada ano um pouco de frequentadores. Até que chegou a época em que o CBI dominou a situação e, ano a ano, registrava melhores carnavais. Lázaro Carlos de Arruda Prado, o Machadô, foi sem dúvida o grande comandante do CBI durante muitos anos. Enquanto esteve na presidência do clube, cresceu em todos os pontos, inclusive seus eventos.

    O CRI, por sua vez, sem ter nada a acrescentar, acabou definhando, até se tornar apenas um nome saudoso. Enquanto o também saudoso Dr. Abdala Haddad e outros companheiros estavam à frente do CRI, o mesmo caminhou. Mas o tempo passa e desgasta tudo. Desgastou o CRI,cujo prédio tornou-se mais tarde a Secretaria Municipal de Educação. Atualmente é um prédio fechado ali na Tiradentes, sem nada no seu interior, a não ser a saudade dos bons tempos em que liderava o movimento social da cidade. Seu prédio virou um elefante branco e seu futuro, uma interrogação.

    O CBI, com a saída do Machadô da presidência, sofreu uma queda acentuada e temia-se pelo seu futuro. Até que uma nova diretoria, tendo o “Machadô” como Presidente de Honra, levantou novamente o clube, que lamentavelmente suspendeu seus eventos, como o carnaval e o baile do Havaí, traduzindo tal ato em grandes prejuízos nos últimos tempos. A partir daí, voltou-se para a prática de esportes, com um belo ginásio, moderníssima academia e prepara a reforma de seu salão social.

  Quanto aos carnavais, ficaram no passado. Hoje é a Prefeitura que faz o possível, através de sua Secretaria de Cultura, promovendo corsos com antigas marchinhas e os bailes da terceira idade, que continuam lá no Recinto de Exposições e em outros salões da cidade, que, por incrível que pareça, mostram-se cada vez mais entusiasmados.De forma geral no Brasil, os carnavais perderam muito de sua beleza e alegria, quando infiltraram certos padrões musicais que não coadunam com a origem dessa festa.

  O Carnaval de hoje, não só aqui, mas no Brasil inteiro, é para turista ver. E o que sobrou são “cinzas”, nada mais!

Edição 190 - Matutino Express - 07/02/2015

NINHO DE COBRAS E CAPIVARAS

   Mais do que você acredita, o fato de Ibitinga ser sede única de dois pântanos no Estado de São Paulo tornou nossa cidade o local preferido para procriar cobras e capivaras. Nunca se observou tanta presença de sucuris como agora. Essas cobras enormes ficaram em liberdade para procriarem à vontade, depois que entrou em regime de proteção no Brasil, sendo proibida a sua matança. Outro fator que ajudou a aumentar a quantidade desse animal (quando adulto, pode chegar a mais de 8 metros e pesar até 200 quilos) é a preservação da mata ciliar dos rios, deixando o ambiente livre do único predador da sucuri: o homem.

  A NationalGeographictem em seu arquivo a filmagem daquele gigante bicho regurgitando uma enorme capivara nas margens do Jacaré Guaçu, bem perto da Rodovia com destino a Jaú, há alguns anos. O filme foi tão impressionante (filmagem do Duílio Galli) que, ao ser publicado na internet, a famosa Natio veio para adquiri-la e hoje a exibe no mundo inteiro. Aquela imensa sucuri que espantou telespectadores pelo tamanho e ação nas águas do rio é suspeita de ter matado e engolido um pescador há alguns anos atrás, naquele mesmo local. Quase ninguém duvida disso. O homem nunca foi encontrado. Isso aconteceu depois que ela virou o barco num dia em que o rio estava repontado, devido às chuvas. Apesar disso, essa cobra continua solta, livre e preservada pela lei e, com certeza, mora ainda por ali.

   Há pouco tempo, “almoçou” um cachorro que acompanhava um casal de pescadores naquelas bandas. Esse é apenas um exemplo. Com o grande número de ranchos às margens de nossos vários rios, elas encontram mais facilidade para se abastecerem nos seveiros, que são muitos espalhados pelas margens dos rios. Sucuri só come bicho vivo e principalmente muito peixe e animais ribeirinhos. Tem-se como certo que o número delas triplicou desde o fechamento da barragem e a implantação da lei de proteção ambiental.

  Além da sucuri - que não é venenosa, mas perigosa, pela agilidade e forma de matar um ser vivente - outras cobras também aumentaram em quantidade, principalmente a jaracuçu, o jararacão (jararaca do brejo), urutu, cascavel, todas venenosas, além de outras.Por outro lado, a capivara está protegida pelalei, tanto que virou “praga” por toda a região e em todo o Estado, pode-se dizer. Com facilidade de procriação e um enorme campo de resgate, além de um ambiente aquático muito positivo como Ibitinga com seus rios, córregos e a enorme represa da AES Tietê, elas criaram um enorme campo favorável para sua procriação.

   A capivara anda em grupo e é o maior roedor do mundo. Tem facilidade de procriar, muito parecida com os porcos. Por isso, existem muitas. Éa comida preferida das sucuris. Além disso, é muito perseguida pelo homem. Mesmo assim, procriam demais. De vez em quando, são encontradas atropeladas nas nossas rodovias.Tudo isso representa uma pequena parcela do que temos de especial em nossa “Ibitinga dos pantanais, rios e lagos”, atuando naquele monte pantaneiro.

   E tudo isso no centro de um Estado de 44 milhões de habitantes. É perigoso? É.É esquisito? É. É exótico? É. Mas que é coisa nossa e só nossa também... É! Pois é...

Edição 191 - Matutino Express - 28/02/2015

O CÔNEGO

Há muito tempo, lá pelos anos 60, veio assumir a Paróquia do Bom Jesus o Cônego Fernando. Por uns dois anos, dirigiu e muito bem a Igreja local, herdando o mandato do saudoso Padre Jose Archimedes Gallo, que havia sido promovido e transferido para a Igreja da Consolação, na Capital Paulista.

O Cônego ganhou respeito do povo católico e, em pouco tempo, teve umagestão muito boa. Quando aqui chegou, trouxe uma jovem senhora, que afirmava ser a sua irmã, cujo nome não me lembro. Esta cuidava da Casa Paroquial e,consequentemente, do próprio pároco. Certo dia, foi embora para assumir outra paróquia, deixando Ibitinga novamente com a Igreja esperando por um novo Padre.Mas vamos falar do Cônego. Amigo de todos, cuidava bem do rebanho e nada a falar contra ele e sua gestão. Foi embora, deixou Ibitinga.

Em 1969, Ibitinga foi escolhida para participar do programa “Cidade contra Cidade”, que era a atração máxima da televisão, ainda nos tempos da TV Tupi, no programacomandado por Sílvio Santos. Audiências altíssimas.Imbatível, o programa levava duas cidades, que se digladiavam nas suas mais variadas atrações. Coube a Ibitinga enfrentar Guararapes, próspera cidade próxima a Araçatuba.

Foi como se preparasse uma guerra: todo mundo participando e se preparando para o embate. Ônibus lotados de Ibitinga edez ônibus lotados de Guararapes para a torcida. O programa em si foi considerado um dos melhores da história, com 61% de audiência medida em esfera nacional.Ibitinga venceu em quase todos os quesitos e ambas as cidades trouxeram números sensacionais. Ibitinga levou a famosa “Dança do Bambu”, que ficou conhecida em todo o Brasil e teve dezenas de apresentações em muitas cidades.

AGUARDANDO A HORA

Eu era da comissão organizadora, ao lado do Dr. Carlos Habib, Julinha Teixeira Pereira, Professor Romualdo Sampel, Dr. Carlos Russi e outros. Era eu também o locutor que representava Ibitinga. Portanto, cheguei cedo ao Teatro Tupi, onde era trasmitido ao vivo o programa de Luciano Calegari, que era o produtor do Programa, com carta branca de Silvio Santos. Este me deu os ingressos para distribuir aos conterrâneos e torcer por Ibitinga. Difícil responsabilidade!

Eram dezenas de ingressos, mas receava que fosse faltar, já que os Ibitinguenses que moravam na capital também foram assistir e torcer pela cidade.Era tarde ali e eu nervoso, na expectativa do programa, logo mais à noite. Começavaa chegar o nosso pessoal e todo mundo querendo ingresso. Imaginem quando começaram chegar ônibus lotados?! Haja ingresso! Mas conto isso por uma razão: de repente,vejam quem aparece por lá:oCônego! Abraços, saudações e aquela velha amizade.

- Roque, arranja-me, por favor, dois ingressos?

- Dois? Por que dois, Cônego?

- Porque um é para mim e o outro é para a minha esposa.

- Epa!? Mas o senhor, como Padre, não tem esposa...

- Tenho, sim. Estou casado e continuo Padre. E vou lhe contar: aquela mulher que levei comigo a Ibitinga, lembra? Cuidou da Casa Paroquial e hoje estamos casados!

- Todo aquele tempo?

- Não era, na verdade, minha irmã. Foi quando vim embora que resolvi casar de fato e para valer. Hoje sou Padree casado. Surpresa, não?

- De fato, Cônego. Osenhor me surpreendeu. Não me escondeu nada.

- E nem escondo de ninguém. É uma “briga” velha com a Igreja, pois muitos Padres querem se casar e mantém a exigência que proíbe o casamento de Padres.Eu sabia das consequências e hoje sou presidente da “Associação dos Padres Casados do Brasil”, uma entidade que congregou muitos Padres casados, lutando para legalizar essa situação. E continuamos na luta: um dia, a gente consegue. Você vai ver!

                Passaram-se quase 50 anos que esse fato foi registrado. Ibitinga nunca esqueceu a sua vitória naquele programa“Cidade Contra Cidade”.E o episódio do Cônego? Fui eu que nunca esqueci. Interessante: recentemente, o assunto voltou à tona no Vaticano. A luta dos Padres casados ou que querem casar continua muito grande. Já correram algumas concessões, mas até hoje,fevereiro de 2015, os Padres obrigatoriamente têm que se mantersolteiros ou sozinhos.E a luta continua. Até quando? Não sei.

Edição 192 - Matutino Express - 21/03/2015

DE JOSÉ RICO A INEZITA

Em poucos dias, o Brasil perde dois nomes famosos da música sertaneja. Primeiro foi José Rico. Na semana seguinte, Inezita Barroso. Seria para todos duas notícias simplesmente surpreendentes, como ídolos que foram para todos os brasileiros. Mas para Ibitinga, não. E por quê?

José Rico começou sua carreira em Ibitinga em 1965, quando assumimos a Rádio Ibitinga e criamos um programa de auditório chamado “Rádio Maluca”, que marcou 5 anos de sucesso e se tornou inesquecível. Foi nesse programa que dois participantes se sobressaíram e ganha notoriedade no mundo artístico: Jeca Tatu e José Rico.

José Rico usava o nome de Cambay e cantava em dupla com Carapó. Ambos faziam um tremendo sucesso nos microfones da Radio Ibitinga AM, já então liderando o Radio na região. José Rico tinha uma vida difícil, trabalhou como boia fria (trabalhador rural) e na colheita de algodão. Um ramo da planta feriu profundamente uma de suas vistas e marcou sua figura para toda a vida, pois perdeu parcialmente a visão. Foi servente de pedreiro, tocava e cantava nos botequins e auxiliava nos shows do Palhaço Tarraca, que ele considerava seu melhor amigo.

Aqui perdeu uma filha ainda muito criança. Aqui perdeu sua esposa. Aqui perdeu a visão. Cansado da luta difícil onde nada sobrava, cedeu o titulo de Cambay para outro intérprete sertanejo, com belíssima voz, e ganhou caminho. Foi no Paraná que se juntou ao Milionário, surgindo a famosa dupla “Milionário e José Rico”, que ganhou notoriedade nacional. Com centenas de sucesso ao longo de 45 anos de carreira, transformou a dupla numa das maiores da história da musica regionalista sertaneja do Brasil.

A morte prematura de José Rico, aos 68 anos, pegou o Brasil de surpresa. Em Americana, onde morava, o cemitério nunca viu tanta gente. Calcula-se que 25000 pessoas marcaram presença na despedida do famoso artista. Em Ibitinga, o show de Milionário e José Rico, em 2011, foi o de maior público já registrado em shows das Feiras do Bordado. Naquele dia, ele contrariou muita gente, dizendo que nunca existiu “mágoa de Ibitinga” em sua vida, pelas dificuldades que aqui passou. Sempre citou nos shows realizados na região, que “tinha o maior orgulho de ter começado sua carreira na Rádio Ibitinga”. José Rico tinha no coração a nossa cidade. Um detalhe: no dia em que Tarraca faleceu, ao receber a notícia, José Rico chorou. Tinha no Tarraca o amigo inesquecível. Muitas vezes, sentado na modesta mesa da casa do Tarraca, ali na Santa Tereza, almoçou, tempos de pobreza que nunca esqueceu e, quem sabe por isso mesmo, para dar uma guinada na vida pobre que viveu, José Rico preferiu esse nome ao lado do companheiro Milionário. A morte de José Rico, portanto, fez Ibitinga lamentar e chorar. Ele Jamais será esquecido. Ibitinga dirá sempre com orgulho: “Aqui José Rico começou sua carreira”.

INEZITA

Uma semana depois, chegou a triste notícia da morte de Inezita Barroso, uma das maiores lideranças da musica sertaneja do Brasil e, por muitos anos, a apresentadora do programa “Viola Minha Viola”, na TV Cultura, campeão de audiência daquela emissora estatal. O que tem Inezita com Ibitinga? Tem muito a ver! Ao longo de sua carreira, teve como carro-chefe a musica “Lampião de Gás”. Essa musica tinha uma única autora. chamada Zica Bérgami, uma Ibitinguense, que muito jovem deixou a cidade, foi morar em São Paulo e se tornou autora do maior sucesso de Inezita Barroso. Aquele refrão: “Lampião de Gás... lampião de Gás... quanta Saudade você me traz”, na voz de Inezita, teve milhares de discos vendidos por todo o Brasil. E foi ao som de “Lampião de Gás” que ela foi sepultada em São Paulo, quando seu corpo descia a sepultura aos 90 anos de idade.

Zica Bérgami faleceu há uns três anos, em São Paulo. Lamentavelmente as poderosas Globo, Bandeirantes, Record, Cultura e outras todas homenagearam Inezita Barroso ao som do “Lampião de Gás”, mas que eu pelo menos tenha ouvido, não citaram uma vez sequer a autora dessa musica. Que pena que no Brasil o compositor é sempre esquecido!

José Rico e Inezita Barroso tem muito a ver com Ibitinga!!!

Edição 193 - Matutino Express - 04/04/2015

MAZZAROPI E IBITINGA

                O grande artista brasileiro do cinema, do rádio e da TV, AmácioMazzaropi, tinha um carinho especial por Ibitinga. Em suas muitas vindas até a cidade,ele demonstrava serum homem íntegro, bondoso e de um coração magnânimo.Vinha para fazer shows em circos que aqui aportavam, o “Circo de Vitrolinha”,por exemplo, que era ligado a gente de Ibitinga, era um que infalivelmente quando aparecia por aqui, dificilmente não trazia a figura amada do artista, que ganhou notoriedade nacional e internacional.

                Seus shows, quando anunciados, na certa eram sinal de casa lotada. Muitas vezes, deixava a renda obtida no espetáculo para o dono do circo sair de suas “aperturas”!Era amigo dos circenses, pois ele, Mazzaropi, começou embaixo de uma lona, de um cirquinho mambembe qualquer, que sobrevivia com muitas dificuldades.Aqui se hospedava no saudoso Hotel Henrique. Durante o tempo que permanecia em Ibitinga, era esperado com ansiedade pelos engraxates que, ao engraxar seus sapatos, levavam uma polpuda quantia como gratificação.E assim, as arrumadeiras, lavadeiras e garçons da mesma forma eram regiamente gratificados pelo renomado humorista.

                Às vezes, saía do hotel e ia até o senadinho,onde a multidão ia se juntando para ver de perto o homem mais famoso do cinema na época.Mazzaropi tinha uma característica peculiar: sua pessoa, seu modo de andar, seu gesto de falar, pouco se diferenciava do artista. Era um artista nato. De filme em filme, na Companhia Vera Cruz, acabou montando a “PAM Filmes” – Produções AmácioMazzaropi, de sua propriedade. Ali cresceu muito, sem perder a humildade.

                Na última vinda do “Mazza” a Ibitinga, no Circo Pérola, estava em exibição o filme “Um caipira em Bariloche”, gravado entre Brasil e Argentina. Aqui, a última entrevista que concedeu a alguém foi para este modesto radialista. Ele deixou claro que pretendia iniciar um novo filme entre os dois países, mas somente depois que fizesse um tratamento, já que seria internado em São Paulo, na semana seguinte.De fato, foi internado: um câncer lhe atormentava a saúde. Dias depois, correu a notícia. Morreu a alegria. Morreu Mazzaropi.

O caipira brasileiro tinha uma identidade, de fato, com seus shows e seus filmes, que sempre foram pleno sucesso em todo o Brasil.

Edição 194 - Matutino Express - 18/04/2015

Os novos pavilhões da Santa Casa

Ibitinga 1996...

A Santa Casa de Ibitinga, tinha ainda o único pavilhão construído em 1925, que dava frente para a Av. Pedro 2. Carecia urgentemente de ampliações, e o grande problema “Onde arrumar dinheiro?”

Olderige Dallacqua, prefeito, e Dr. Vitor Maida provedor do hospital.

 A Radio Ibitinga com exelente nível de audiência. Um dia recebi o Dr. Victor, acompanhado de Onésio da Costa (Ney Pacu), um intusiasta pelos problemas de Ibitinga, e gerente da agencia do comércio industrial de São Paulo.

- Precisamos levantar dinheiro para construir mais um ou dois pavilhões da Santa Casa, e precisamos da rádio, disse o Dr. Victor.

 A sugestão era passar um livro de outro entre os mais abonados e pedir ajuda.

Já se sabia de antemão que a tarefa seria árdua. Era preciso uma dose de “sapiência”.

 Foi então, que combinamos. O livro seria aberto por alguém bem rico, e todos os dias, a Rádio Ibitinga, agraceria no AR a doação feita agradecendo. E assim foi feito. Os primeiros nomes surgiram

- Fulano de tal..... 100.000 cruzeiros – excelente contribuição que espera-se seja seguida pelos demais.”

 Assim, se transmitia todos os dias, o nome e quantidade doada por cada um.

 Ficou avidente que ninguém queria ficar por baixo, a “fogueira de vaidades” começou a esquentar. A diretoria vibrava. Resultados mais que positivos. Material adquirido. Construtor contratado. Era um dos Irmãos Pevinelli, me lembro bem, e decidido ao invés de um, vamos fazer dois pavilhões. Mãos a obra, e todo aquele quarteirão ficou repleto de obras, quadruplicando o tamanho do hospital.

 Depois ao longo do tempo, outras obras foram se completando, como o Pronto Socorro, hoje Ibimagem, pediatria.... e assim a Santa Casa de caridade e maternidade de Ibitinga, se tornou uma realidade, graças sem duvidas a beneficência de bons Ibitinguenses da época.

Edição 195 - Matutino Express - 02/05/2015

PANTANAL PAULISTA EM IBITINGA PRECISA SER UM SANTUÁRIO

Quando se fala de pantanais, a lembrança que logo vem é do grande pantanal do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bolívia,Paraguai e até do sul do Peru. A região mais alagada do mundo e também a mais rica em espécies animais e peixes e tem sido palco de turistas sequiosos a fim de conhecer essa natureza bruta e linda. Nós o conhecemos desde 1968, quando o atravessamos e fomos de trem até Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. De Bauru (SP) até Santa Cruz é muito chão,mas naquele tempo havia no Noroeste do Brasil, que saía justamente de Bauru, via Três Lagoas, Campo Grande e Corumbá, com alguns derivados para Porto Esperança, etc.

De Corumbá a gente tomava outro trem boliviano, atravessava a fronteira da Bolívia e seguia 600 quilômetros adentro até Santa Cruz de La Sierra.

Foi nos tempos que mataram Che Guevara. Exatamente nesse traçado boliviano, em Camri, onde existe uma vegetação de caatinga espessa em terras arenosas e quase improdutivas, que Guevara tentou organizar sua guerrilha e se deu mal. Em Camri foi morto por soldados americanos que seguiram seu roteiro e conheciam suas pretensões.

Mas esse foi um fato a parte. Conhecer o Pantanal foi maravilhoso naquela época, onde os fazendeiros criavam o gado junto, perdido naqueles rincões e, na época da “colheita”, juntavam tudo e separavam pelas marcas e os bezerros no pé eram o lucro do ano. Estradas? Esqueçam. Só havia a Noroeste do Brasil com seu trem levando e trazendo mercadorias e, principalmente gado. Gado bravo, pantaneiro, que nunca viu gente e exigia cuidado e cautelas especiais no seu transporte para os frigoríficos de Campo Grande ou São Paulo.

Hoje o Pantanal está diferente. Usado e abusado, já perdeu muito de suas belezas naturais, sua riqueza e seu exotismo.

Muitas vezes fui lá. Escrevi trabalhos que estão em vários livros mas, principalmente, nos livros “Pelos Confins do Brasil” E “Matula do Andejo” e há em outros trabalhos já publicados como “O Homem e o Rio”, que me iniciou nas artes literárias, em 1975.

Mas aqui o meu objetivo é outro. É dizer aos leitores que São Paulo, um estado marcante pela grandiosidade de sua produção, pela população de mais de 41 milhões, superior a da Argentina, com mais de 640 municípios, tem também um Pantanal bem ao estilo do existente no Mato Grosso.

É o Pantanal de Ibitinga, localizado bem no centro geográfico do Estado de São Paulo.

Esse pedaço de chão, com 06 X 60 quilômetros, em média, era um ilustre desconhecido até a década de 70, quando passamos a freqüenta-lo continuamente, usufruir de sua maravilhas e divulgá-lo através de nossas emissoras de rádio.

O rio Jacaré Pepira é conhecido em Ibitinga, como “Jacarezinho”, devido ao rio Jacaré Guaçu, que corre paralelo, com nascentes na região de São Carlos e desaguando pouco abaixo do Pepira, na represa de Ibitinga. Mas falemos do Pepira que, após passar por Brotas, alisa suas águas até Ibitinga, formando o famoso “pantaninho” ou Pantanal de São Paulo.

As águas espalham-se por uma vegetação bem típica do Pantanal do Mato Grosso, com variedade incrível de plantas típicas dos alagadiços e de peixes e animais próprios da Bacia do Paraná.

Seu volume de água respeitável desce serpenteando pelo meio do pântano, em águas cada vez mais calmas,até embocar na grande represa de Ibitinga, juntando com as águas do Tietê e Jacaré Guaçu mais abaixo.

Aos longos de uns sessenta quilômetros, por uma média de seis quilômetros de largura, sair da linha do rio é correr sério risco, pois o terreno é muito encharcado no tempo das chuvas e menos nos tempos mais secos.

As fazendas que estão à margem do Jacaré Pepira, seja do lado direito ou esquerdo, constituem-se num ponto de apoio para a preservação da vasta região pantaneira, impedindo o acesso de predadores.

Para andar margeando por terra seca ou mesmo pescando, é necessário muita cautela. Cobras não faltam, afinal, o ambiente é propício. Sucuri, a gigante serpente das Américas, tem ali um habitat muito especial. Há alimento em abundância, principalmente as capivaras que vivem aos bandos nesse pantanal. Às vezes, mesmo durante o dia, elas podem ser vistas percorrendo as margens do Pepira. Sucuris gigantescas já foram vistas nessa região. Já as jaracuçus, jararacas, corais, jibóias, urutus e cascavéis se escondem na proteção das matas internas ou ciliares.

É preciso muita cautela ao se movimentar nessas plagas. Pássaros existem em abundância e em grande variedade. A qualquer momento o canta da passarada quebra o silêncio desse recanto que, por incrível que pareça, está no coração do estado.

Hoje, quando o rio se aproxima da represa, corre por um canal, entrando na boca da grande represa que forma o fim do rio. Antigamente o rio continuava margeando os barrancos, até alguns quilômetros abaixo e quem navegava por ali só tinha a saída do rancho do Rui como local para ganhar a água larga do represamento pantanoso.É bom lembrar que antes do fechamento da represa em Ibitinga, em 1968, o rio já era pantanoso, aumentando esse potencial quando o rio Tietê o represou. Entre o Tietê e a boca do rio, entrando para o pântano real, são mais 20 quilômetros de imensas larguras se observam, sendo que, na boca do rio, alguns quilômetros de água levam os navegadores a pensar duas vezes em atravessar o imenso lago. Caso ocorram ventos fortes, há risco de virar a embarcação, sem socorro imediato. Às margens, depois do visual de água pura, há ainda500 a 1.000 metros para chegar a terra firme. Tudo ali é Iguape ou plantas aquáticas naturais do Pantanal.

O jacaré, que dá nome ao rio, existia em abundância, mas quase desapareceu quando a caça ao jacaré ainda era permitida. Ocorreram verdadeiros morticínios de jacarés e capivaras na região do pantaninho. Primeiro, pelo fato de ser um ermo pouquíssimo freqüentado.O conjunto formado pelo Pantanal de Ibitinga é algo deslumbrante pela beleza que oferece em qualquer época do ano. Nas cheias não existe barranco em lugar nenhum. Quando o rio entra na caixa, alguns pontos isolados permitem acampar. Mas, como já disse, com muita cautela, principalmente com as serpentes.

A entrada da represa para o rio é o único ponto de acesso para as embarcações.Mas é um local esquisito, pois é mutante. De ano para ano, quando as cheias se registram, essa boca do Jacarezinho muda de local. Juntam-se imensas moitas de taboa e é preciso descobrir por onde se atingir a correnteza dele. É preciso prestar atenção na água e quando correr por alguma correnteza, por mais fraca que seja, servirá de pista para encontrar o caminho e chegar ao rio propriamente dito. Bandos de patos selvagens conseguem aqui ambiente próprio para procriarem e, apesar da perseguição de caçadores que insistem em descumprir a lei, eles existem em boa quantidade. A garça morena é nativa da região. O urubu rei voltou, pois havia desaparecido. Milhares de canarinhos da terra, tuins, gralhas, maritacas, maracanãs, papagaios, tucanos, melros, pica-paus, joões-de-barro e sabiás.Paturis ou irerê, periquitos, pombas do ar, bem-te-vis, rolinhas caboclas, fogo-pagô, coleirinhas do brejo, tizius, papacapins, gaviões e corujões, não faltando o joão-bobo, com suas gargalhadas estridentes que ressoam pantanal afora.

Além das capivaras que abundam o pantanal, lontras, ariranhas, lobo-guará, macacos bugios, aos bandos, fazem alarido típico. Os macaquinhos prego, o bicho preguiça e não fata a suçuarama (onça parda) que, de vez em quando, visita a região sem ser solicitada. O veado campeiro, tão freqüente no interior do Pantanal, às vezes é visto margeando e pastando quando as invernadas estão próximas.

O pescador deve ser cauteloso com outro perigo: as abelhas africanas. São comuns os ataques perigosos dessas abelhas em toda a extensão do Jacaré Pepira.

Para pescar ali é preciso precaução com as mutucas e muriçocas que em dias de sol quente não dão sossego. Um repelente vai bem.Em setembro, quando chega a primavera, as margens oferecem todos os tipos de flores, de todas as cores, nativas da região.Desbravar esse pedaço de pântano é impossível. Infelizmente ele continua liberado para a pesca profissional, mas, localizado dentro de uma APA – Área de Proteção Ambiental,a proteção mais forte virá em breve, se transformar o Pantanal do Rio Jacaré Pepira em SANTUÁRIO ECOLÓGICO. Esse patrimônio natural banha os municípios de Ibitinga, Itaju, Bariri, Bocaína, Boa Esperança do Sul e só em Brotas ele têm características de rio propriamente dito.No sentido de quem desce pelas suas águas sinuosas, existe um espigão de fazendas, e do outro lado, desce o Jacaré Guaçu com as mesmas proporções em volume d´água, que forma entre Ibitinga e Tabatinga o famoso “Varjão do Guaçu”, um outro pantanal de grande extensão, porém com características diferentes, sofrendo grandes inundações na época das cheias com um berçário de peixes que alimentam o rio.

No Varjão do Jacaré Guaçu, é comum ver o jaburu que, no Mato Grosso, é conhecido por Tuiuiú. O Rio Jacaré Pepira e seu famoso “Pantanal de Ibitinga” é de águas puras e sem poluição.Se recebe algum esgoto no trajeto, são de águas já tratadas, por isso é considerado como um dos rios mais limpos do Sudeste.

São Paulo, apesar de poucos saberem, tem riqueza implantada no seu coração. O Pantanal de Ibitinga é muito rico em vegetação e para uso medicinal. Há por exemplo, muito chapéu de couro, enorme quantidade de sangra d´água. Nas áreas mais secas, margeando-o, encontra-se o barbatimão, que foi muito explorado quando as matas ali ainda estavam íntegras.

Há uma vegetação no final do rio Jacaré Pepira, antes dele chegar ao lago, que produz um tipo de semente que cai aos milhares na correnteza do rio, por ocasião de Setembro, alimentando os peixes, principalmente os pequenos. Sua safra são de dois meses, em média, mas contribui bastante para alimentar a fauna aquática.

Quando o rio corria normalmente, o Pepira era rico em dourados, jaús, pintados, mas com a pesca desenfreada esses peixes desapareceram. Sobraram as tabaranas, piaiuvas, piau de três pintas, curimbatás, pirambebas, bagres, inclusive a jurupoca, além de peixes de menor porte que continuam em grande quantidade.

Se acontecer a transformação da região em santuário, proibindo a pesca profissional, o rio terá condições de ver de novo as espécies originais desaparecidas, pois a sua corrente vai por dezenas de quilômetros e com todas as características para novamente procriar, principalmente, os dourados, os pintados, os jaús..

Ah, e uma curiosidade final: Há uma imensa quantidade de quelônios da espécie cágados que costumam vir no anzol dos pescadores.

Tudo isso, que ao longo e encerramento desta leitura, ficará ainda mais encantador se o leitor ver com os próprios olhos o nosso “PANTANAL DE IBITINGA”.

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Edição 196 - Matutino Express - 16/05/2015

O CIRCO MOTINHA E IBITINGA...

 

Talvez só os mais antigos se lembrem aqui da presença do “Circo Motinha e Nha Fia”. Ele passou por Ibitinga, lá pelos idos de 1960-1963 e o dono (Motinha) tinha o costume de, onde passava com o circo, deixar sua marca registrada: colocava um banco de concreto no jardim, para que, por muito tempo, não fosse esquecido. Como grande amigo meu, me contou que há muito tempo tinha essa sua grandiosa mania. Vim residir em Ibitinga em 1964. Passando pela Praça Cônego Eutimio Ticianeli, onde está a Praça da Matriz do Bom Jesus, me chamou a atenção, bem na escadinha que vai para a Igreja, um banco escrito assim: “CIRCO MOTINHA E NHA FIA”.

                Cada vez que passo por ali a pé e me deparo com aquele banco de concreto, reacende a imaginação de tantos anos, muito antes de vir para a nossa terrinha, quando levei para Junqueirópolis, onde morava, o “Circo Motinha e Nha Fia”, quebrando um antigo costume daquela cidade: era proibida a entrada de circos. E por quê? Porque o prefeito, para atender um “puxa saco” que possuía um “cineminha” naquela cidade, não permitia nenhuma concorrência. Passado um tempo já morando lá, percebi que nenhum circo chegava. Fiquei sabendo a verdade e fui falar com o prefeito.

- Seu prefeito, a Rádio está trazendo um circo para cá e, por sinal, é muito bom. O senhor autoriza?

- Bem... vou ver o que posso fazer.

                Mas eu já sabia a resposta. Voltei lá dias depois.

- Olha, faz muito tempo que proibiram entrada de circo aqui, mas como “você” está pedindo, vou autorizar que traga um bom circo para fazer temporada aqui.

- Deixe por minha conta!

                Telefonei para o Motinha, em Lucélia, e lhe disse.

- Venha para Junqueirópolis!

- Aí não entra circo. Estou tentando faz anos entrar aí, que deve ser uma praça excelente. Mas na prefeitura, esbarro na proibição. Parece que é o dono do cinema quem impede. Mas já que você mora aí agora, quem sabe?

                Voltei a falar com o prefeito Cânola:

 - Roque, quem criou isso aí foi o ex-prefeito. Mas eu vou mandá-lo às favas e vou autorizar. Que circo é esse?

 - “Circo Teatro Motinha e Nha Fia”. Eu conheço e vi as duas vezes que esteve onde eu morava antes de vir para cá. É ótimo!

- Bem, então comunique-se com ele e mande entrar com o pedido, que eu vou liberar!

 - Ok, senhor prefeito! De antemão, agradeço. Eles vão agradecer com o circo lotado, o Senhor vai ver!!!

                Liguei para o Mota lá em Lucélia, a uns 70 quilômetros de distância. Ia mudar o circo para Adamantina:

- Mas ok, Roque. Vou pular direto para Junqueirópolis, a seu pedido.

- Mota, a propaganda do circo já está paga...

- Você está brincando?!

- Tô, não. Aqui não entra circo há mais de oito anos...

- Tô chegando aí!

                E veio com tudo. Dei o máximo do rádio na cobertura. A primeira exibição foi numa sexta-feira. Sobrou gente lá fora.

Circo lotado e, sucessivamente, uma boa temporada. A cidade matava saudade dos circos. Um dia, o prefeito foi assistir e lá do palco vi quando Motinha disse ao público:

- Respeitável público! Nossa alegria é grande em estar aqui. Nem em sonho a gente acreditava. Entretanto, estamos aqui. Graças ao Roque da Rádio Difusora e ao prefeito Alcides Cânola, que hoje nos prestigia. Peço a todos uma grande salva de palmas aos dois.

                Foi aquele “uaaaa”. O prefeito levantou e, num gesto bem estilo dos japoneses, fez reverência de agradecimento. E finalmente o povo daquela terra se divertia e aplaudia palhaços e artistas do “Grande Circo Motinha e Nha Fia”. Não sei que fim deu o Motinha. Sei apenas que parou com o circo e montou um hotel popular em Tupã, foi a última notícia que tive dele. E quando passo na Rua José Custódio, a “Wall Street” do bordado brasileiro, bem ali, ao lado esquerdo da Matriz, sempre olho com satisfação o velho banco, doado pelo amigo Motinha, bem antes da minha chegada a essas ricas plagas. Como o mundo é pequeno... barbaridade!!!

                The end!

 

A vida tem seu “arco-íris”; procure no seu passado e o encontrará.

Curiosidades: 

fotoPrograma de Auditório "Rádio Maluca", transmitido pela Rádio Difusora de Junqueirópolis, feito sob luz de lampião, devido a má qualidade da energia elétrica da época.Ano: 1961.Foto: à esquerda Antonio Barnét, Oscar Stevanato e Roque de Rosa e parte do público de auditório.

fotoPrograma Rádio Maluca, pela Rádio Ibitinga, quando ainda era sediada na Rua Tiradentes, Centro da cidade. Ano: 1967.

fotoRoque de Rosa transmitindo Festa do Peão de Boiadeiro de Icanga SP, década de 80.

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Time da Rádio Difusora de Junqueirópolis SP. abaixo à esquerda, Roque de Rosa 

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Em pé da esquerda para  direita: Roque de Rosa (técnico), Alcides, Ciro Dassi, Sidney Ferraz, Romualdo Roma, Zé Luiz, Zé Dassi e João Bicudo (massagista). Agachados na mesma ordem: Cido, Edmundo, Waltinho, Bento e Panzuto. 

Este é o time do Sãopaulinho FC. a foto foi batida no campo de futebol, onde hoje é a Prefeitura e o Fórum, em 1952 ou 1953.

 

fotoInauguração da Comarca de Junqueirópolis (SP),que teve a participação de Roque de Rosa no trabalho de criação da referida Comarca.Ano: 1964.

fotoTurma do Circo Mottinha e Nha Fia e Companheiros da rádio Clube de Osvaldo Cruz, no palco do circo instalado na cidade na época.Ano: 1958.

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Caminhão com propaganda da Nova Rádio Junqueirópolis, quando o jornalista Roque de Rosa assumiu a direção da emissora.Ano: 1959.

fotoTransmissão da 1ª Missa na belíssima igreja de Santo Antonio, em Junqueirópolis SP, com o prédio ainda em construção. Era Natal de 1962.Dedicatória pelo Padre Manoel Scalada.

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Roque de Rosa nos estúdios da Rádio Clube de Osvaldo Cruz, programa "Inspiração".Ano: 1954.

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Roque de Rosa, Belmiro Borini e Romildo Martins, transmitindo o jornal falado "Rotativa no Ar".Ano 1957.O jornal radiofonado, é o mais antigo do Brasil.

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Roque de Rosa apresentando a tradicional Festa Junina na antiga Escola Industrial de Ibitinga SP.Década de 70.

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Caricatura de Roque de Rosa. Uma homenagem às histórias narradas no Rotativa no Ar - Osvaldo Cruz - SP.

Autor da caricatura é o famoso artista, radialista e desenhista Gastão Miranda. 

 

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Roque de Rosa em discursso na Academia das Ciências de Lisboa - PORTUGAL, em 30 de Outubro de 1997, representando a Academia de Letras de Campo Grande - MS, onde ocupa até hoje, a cadeira 37, que tem como Patrono Autregéliso de Athayde - o Patriarca dos Direitos Humanos.Na ocasião, o jornalista recebeu a Medalha "Maria I" de Portugal pela representatividade brasileira, inédito no Estado de São Paulo.

*Maria I foi fundadora há mais de dois séculos da Academis das Ciências de Lisboa - PORTUGAL.

 

Em 2008, ingressou como Membro Correspondente na Academia Bauruense de Letras. Solenidade aconteceu no dia 30 de maio do mesmo ano.

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RÁDIO IBITINGA

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Mário Augusto Roncada - 1976

 

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Claudemir Roncada e Mário Roncada - 1976

fotoMário Augusto Roncada - 1976

 

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Cartas de uma das atrações da Radio Ibitinga em 1956